Após conseguir a
progressão de pena, o ex-deputado Roberto Jefferson deixa a prisão e diz que
pretende "namorar muito"
Delator do escândalo
do mensalão, o ex-deputado pelo PTB do Rio Roberto Jefferson deixou a prisão no
fim da manhã de ontem. Condenado em 2012 a sete anos de prisão por corrupção
passiva e lavagem de dinheiro, o ex-parlamentar estava preso em regime fechado
desde fevereiro passado numa prisão em Niterói (RJ). Em 2005, o ex-deputado foi
um dos principais delatores do escândalo do mensalão, no qual parlamentares,
inclusive Jefferson, teriam recebido dinheiro para votar à favor do governo.
Na saída
da cadeia, o ex-deputado disse a jornalistas que irá “namorar muito”, e que
pretende oficializar no fim do mês o casamento com a atual companheira, Ana
Lúcia, que o acompanha há 11 anos. Jefferson se recusou a falar sobre política,
e comentou o período em que esteve preso. “Não há prisão que seja boa. Fiquei
14 meses preso. Nunca vi ninguém aqui não ser tratado assim (respeitosamente).
Estou melhor do que ontem. Tive tempo de ler, conhecer o sofrimento das pessoas
que passam por isso”, disse ele. Jefferson também disse que não poderia falar o
que sabe sobre o esquema do “petrolão”, investigado pela Operação Lava-Jato.
“Está por aqui (pressionando a garganta), mas eu não posso falar”, disse.
“Chega, chega de política, quem fala é ela”, disse, apontando para a filha.
Segundo a
filha, a deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ), Jefferson passará a
residir em um apartamento “de cento e poucos metros” na Barra da Tijuca, bairro
nobre do Rio. O imóvel fica a alguns metros da orla. Segundo Cristiane, a
decisão de morar na capital e não no interior se deve ao trabalho de Jefferson,
no centro da cidade, e à necessidade de acompanhamento médico. Em 2012, o ex-deputado
teve um câncer no pâncreas, que o obrigou a retirar dois terços do sistema
digestório. Na saída da cadeia, o ex-parlamentar optou por um caminho mais
longo: passou por cartões-postais do Rio, como o Cristo Redentor e a orla da
Lagoa Rodrigo de Freitas.
A decisão
de transferir Jefferson para o regime aberto foi emitida pelo ministro do STF
Luís Roberto Barroso, na quinta-feira. No despacho, o magistrado citou o bom
comportamento do delator do mensalão no período em que esteve preso, e o fato
do ex-parlamentar ter quitado a multa de R$ 840 mil. Dias antes, o MPF já havia
apresentado parecer favorável à progressão de pena do ex-deputado. As regras do
regime aberto exigem de Jefferson que ele não chegue em casa após as 20h; que
mantenha um trabalho regular, que não saia do país sem autorização e que se
apresente à Vara de Execuções Penais do Rio todos os meses.
Fonte: Correio
Braziliense
