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LAVA-JATO » CPI quer perícia em dados destruídos

Reunião de integrantes da CPI da Petrobras: vice-presidente do colegiado chegou a falar em busca e apreensão de documentos na sede da estatal

Deputados da comissão vão pedir análise de mídias digitais enviadas pela Petrobras. Estatal diz que gravações anteriores a junho do ano passado foram apagadas

Pressionada pela oposição, a Petrobras encaminhou, na tarde de ontem, à CPI que apura o esquema criminoso na petroleira, arquivos de áudio e atas das reuniões do Conselho de Administração da estatal. Os oposicionistas questionam a destruição de alguns dados, como as gravações da reunião de 2006 em que o colegiado, na época presidido por Dilma Rousseff, autorizou a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, que acarretou prejuízo para a estatal. Parlamentares pedirão a realização de perícia nas mídias digitais entregues ao grupo.

No início da tarde de ontem, o sub-relator da CPI, deputado Antônio Imbassahy (PSDB-BA), chegou a declarar que a Petrobras não tinha encaminhado os documentos. O parlamentar afirmou que a comissão poderia realizar até uma operação de busca e apreensão na sede da estatal. O mal-entendido, de acordo com informação da assessoria de imprensa do colegiado, ocorreu porque as atas, ao contrário dos áudios, foram encaminhadas diretamente à presidência do grupo. Também foram os vídeos e os áudios das reuniões feitas após a deflagração da Operação Lava-Jato, em março do ano passado.

“É um prazo muito longo, desde 28 de março, quando pedimos as atas. É só enviar. Elas estão arquivadas lá”, disse Imbassahy. A empresa também confirmou ter destruído os áudios das reuniões do Conselho anteriores a agosto de 2014, inclusive durante o período em que a presidente Dilma Rousseff chefiava o conselho.

Segundo a Petrobras, os arquivos eram usados apenas para a confecção das atas, sendo apagados em seguida, conforme determina o regimento do conselho. A estatal enviou à CPI uma série de gravações registradas entre setembro passado e abril deste ano. “É uma coisa que a gente não compreende direito. Se afirma que os áudios das reuniões de setembro para trás teriam sido destruídos, por conta de uma decisão do regimento interno (...). Então, eles obedeceram ao regimento de setembro para trás. De setembro para cá não obedeceram?”, questiona Imbassahy. 

O presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), pediu uma cópia do regimento da Petrobras para verificar se não houve nenhum tipo de irregularidade. “Queremos averiguar quando esse regimento foi feito e se sofreu alguma alteração e em que momento, para nos certificarmos de que não houve nenhuma manobra para destruir esse material”, disse Motta.

As atas do Conselho de Administração podem contribuir para a responsabilização de ex-dirigentes da Petrobras em casos como o da compra da refinaria de Pasadena. O episódio é investigado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que estima em R$ 792 milhões o prejuízo da Petrobras com a operação. 

TCU
Depois que a denúncia veio à tona, a presidente Dilma — que, na época em que presidia o conselho, era ministra de Minas e Energia — explicou, em nota, que deu o aval para a compra da refinaria porque se baseou em um parecer falho. De acordo com a petista, o resumo técnico, feito pelo então diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, omitia cláusulas importantes. 

Cerveró alegou que o conselho poderia ter acesso a todas as informações e acrescentou que os dois pontos do contrato mencionados pela presidente não tinham relevância para a avaliação final de compra ou não da planta norte-americana.

Janot vê “elementos fortes” contra Cunha
Em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que há “elementos muito fortes” para dar sequência à investigação contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na Operação Lava-Jato. O documento é uma resposta de Janot ao pedido do peemedebista para que o STF arquive a apuração, baseada em depoimento de Alberto Youssef. O doleiro diz que Cunha recebeu propina referente a um contrato de aluguel de sondas  celebrado entre empresas privadas e a Petrobras. O deputado disse que o parecer de Janot é “estranho”. Segundo Cunha, trata-se de “mais uma tentativa de envolvê-lo nas denúncias”.



Fonte: João Valadares – André Shalders – Correio Braziliense  

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