test banner

CRISE NA BASE » Punição a petistas anti-arrocho

Temer e Mercadante participaram de reuniões com lideranças partidárias: Planalto não quer surpresas hoje

Após pressão da tropa de choque do Planalto, liderança do PT na Câmara avisa que o deputado da sigla que não votar a favor da MP 665, hoje, poderá ser processado

Na véspera da votação, no plenário da Câmara, da primeira medida provisória do ajuste fiscal — a MP 665, que altera as regras do seguro-desemprego e do abono salarial —, o vice-presidente da República, Michel Temer, foi duro ao cobrar o apoio do PT ao arrocho econômico defendido pela equipe do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. O recado foi dado ontem, durante reunião da coordenação política do governo com a presidente Dilma Rousseff. Dizendo-se porta-voz de queixas de outros partidos da base, Temer disse que o PT ataca os aliados para posar de “bom moço” diante dos trabalhadores e dos sindicatos. A pressão foi sentida pela liderança do partido, que deve fechar questão em torno da MP, deixando passível de processo o parlamentar que votar contra.

A presidente Dilma Rousseff entendeu o recado e fez coro ao apelo de Temer, que ainda enfatizou que, se a MP não for aprovada, o arrocho no país poderá ser “radical”. Segundo o chefe da Casa Civil, ministro Aloizio Mercadante, Dilma pediu para que todos os ministros se empenhem na aprovação do ajuste fiscal. “Ela lembrou que o plano é importante para o país e que cada um deve contribuir para convencer os deputados a aprovarem a proposta”, disse Mercadante.

Escalado por Dilma, no início de abril, como novo articulador político do governo, Temer tem ouvido diversas queixas de integrantes da base aliada — não apenas do PMDB — sobre a postura ambígua do PT. Quando as primeiras MPs foram encaminhadas ao Congresso, no início do ano, os petistas afirmaram que “elas não seriam votadas da maneira como chegaram”. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) já realizou uma série de protestos pelo país, dizendo que as medidas propostas por Levy ferem direitos trabalhistas e previdenciários.

Outra queixa do PMDB é de que o PT impôs à presidente a pauta de ser contra a terceirização das atividades-fim, projeto que está em tramitação no Senado. Segundo peemedebistas, Dilma — que criticou a medida — não deveria interferir em um tema que ainda está em debate no Legislativo.

Mercadante, que ao lado de Temer e de outros ministros, participou de uma reunião com lideranças partidárias no fim da tarde de ontem, afirmou que todos os partidos vão se reunir ao longo do dia de hoje para definir as estratégias para a votação da MP 665, prevista para o meio da tarde. A outra MP do ajuste, a 664 (que trata mudanças na pensão por morte), também será votada hoje, na Comissão Especial. “O próximo tema que vamos tratar será o projeto de desoneração da folha de pagamentos. O relator, deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ), disse que o texto já está pronto”, adiantou Mercadante.

Ajustes
As principais alterações negociadas na MP 665 são a redução de 18 para 12 meses no prazo de permanência do trabalhador no cargo para que ele possa ter direito ao seguro-desemprego caso seja demitido e a definição de que, a partir de três meses, ele tenha direito ao abono salarial proporcional. Para o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, essas foram as negociações possíveis até o momento. “Sabemos que, no plenário podem ocorrer mudanças até o último momento, mas acredito que a proposta intermediária, negociada na comissão, seja boa”, disse. Segundo o líder do governo, José Guimarães (PT-CE), “não há mais espaço” para negociação em torno do ajuste.

O ministro da Secretaria de Aviação Civil, Eliseu Padilha, que tem ajudado Temer na articulação política, disse que a cobrança feita pelo vice-presidente durante a reunião da manhã ocorreu porque os demais partidos, quando questionados sobre como votariam, diziam que precisavam esperar, primeiro, a opinião do PT. “Michel tomou a iniciativa de consultar, chamar a atenção do PT. Nós temos a convicção de que o PT vai acabar dando questão fechada para o ajuste”, apostou Padilha. 

Segundo o ministro, o PMDB deve conseguir quase a totalidade dos votos da legenda. “O PMDB é um partido em que sempre há defecções e dissidências, mas nós trabalhamos com a probabilidade, de, dos 77 deputados que temos, chegarmos entre 50 e 55 votos.” 

“Ela (Dilma) lembrou que o plano é importante para o país e que cada um deve contribuir para convencer os deputados a aprovarem a proposta” 
Aloizio Mercadante, ministro da Casa Civil

Luciana Lóssio é reconduzida ao TSE
A presidente Dilma Rousseff reconduziu a jurista Luciana Lóssio ao cargo de ministra efetiva do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ato, assinado em 30 de abril, foi publicado ontem. Será o segundo mandato de Lóssio na mais alta Corte eleitoral do país. No novo mandato, Lóssio atuará nas eleições municipais do ano que vem. Ela ocupou o cargo de ministra efetiva no TSE entre fevereiro de 2013 e fevereiro deste ano, e vai atuar em uma das duas vagas reservadas à advocacia.


TRF mantém condenação de Cassol

Cassol foi condenado a pagar indenização de R$ 1,56 milhão por fraude

O Tribunal Regional da 1ª Região decidiu manter, na esfera cível, a condenação do senador Ivo Cassol (PP-RO) e da empreiteira Terraplanagem LTDA. a pagar indenização de R$ 1,56 milhão por fraudes em licitação ocorridas no município de Rolim do Moura. As irregularidades, de acordo com o Ministério Público, foram cometidas quando Cassol era prefeito, entre 1997 e 2001. O despacho, assinado pelo desembargador Souza Prudente, relator do processo na 5ª Turma do TRF — que negou a apelação feita pela defesa do político —, determina ainda que os réus paguem indenização por danos morais em valor igual ao devido pelos danos materiais.

No voto, o desembargador considerou que “o uso de meios ardilosos, em procedimento licitatório, buscando, além da utilização indevida de modalidade distinta daquela legalmente prevista, caracteriza fraude à licitação, por afronta à legislação”, destaca. O magistrado alega que, nos procedimentos licitatórios instaurados à época na cidade, era evidente a prática de fracionamento indevido e direcionamento do objeto licitado. Por meio da assessoria de imprensa, o senador Ivo Cassol preferiu não comentar a decisão judicial. Alegou apenas que costuma cumprir o que a Justiça ordena e ressaltou que recorreria da decisão.

Em 2013, pelo mesmo caso, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, por unanimidade, o senador a 4 anos, 8 meses e 26 dias de prisão por crimes cometidos quando foi prefeito de Rolim de Moura. Cassol fraudou licitações no município e direcionou processos a empresas ligadas a pessoas de sua proximidade. Ele recorrerá em liberdade. 

Além de Cassol, o STF também condenou, por fraude em licitações, Salomão da Silveira e Erodi Matt, respectivamente ex-presidente e o ex-vice-presidente da Comissão de Licitações de Rolim de Moura. Eles tiveram a mesma pena que Cassol, que recorre da decisão em liberdade e continua exercendo o mandato no Senado.

Imunidade parlamentar 
Em 10 de março, a 2ª Turma do STF rejeitou denúncia do Ministério Público Federal contra Cassol, na qual a procuradoria acusava o parlamentar de difamação. No caso, ocorrido em 2012, o senador teria feito falsas acusações a um servidor de Rondônia. Naquele ano, em audiência pública na Assembleia Legislativa para discutir um empréstimo do BNDES, Cassol teria acusado um funcionário que defendia a proposta de responder na Justiça por diversos crimes, como formação de quadrilha, furto, corrupção, peculato e descaminho, entre outros. No entanto, não havia antecedentes criminais contra o servidor. Os ministros do STF entenderam que Cassol estava protegido pela imunidade parlamentar ao participar de um debate público e, portanto, não poderia ser punido por expressar opiniões pessoais.



Fonte: Paulo de Tarso Lyra – Julia Chaib – Correio Braziliense  

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem