O acesso aos dados
bancários e fiscais desses políticos tem como objetivo checar depósitos
mencionados pelos delatores da Lava Jato
A Polícia Federal encaminhou ao Supremo
Tribunal Federal pedido de quebra de sigilo bancário em inquéritos dos quais
são alvo o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o deputado Aníbal
Gomes (PMDB-CE) e o ex-deputado João Pizzolatti (PP-SC), investigados por
suspeita de participação no esquema de corrupção envolvendo a Petrobras.
A
Procuradoria-Geral da República também solicitou a quebra de sigilos do senador
Fernando Collor (PTB-AL), outro investigado na Lava Jato.
As
solicitações foram enviadas ao ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato,
em 7 de maio. Os pedidos foram protocolados em segredo de Justiça e de forma
separada dos inquéritos nos quais os políticos são investigados. Nos casos de
Renan, Gomes e Collor, também foi requisitada ao Supremo quebra de sigilo
fiscal.
O acesso aos
dados bancários e fiscais desses políticos tem como objetivo checar depósitos
mencionados pelos delatores da Lava Jato. O doleiro Alberto Youssef disse que
fez "vários depósitos" a Collor, além de ter autorizado entregas de
dinheiro em espécie ao senador. Ele relatou que em uma das operações a entrega
de valores foi feita por seu funcionário Rafael Ângulo, em Alagoas. Considerado
"mensageiro" de Youssef, Ângulo também fez acordo de delação
premiada, homologada recentemente por Zavascki.
No caso de
Renan, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou ter conhecimento
de que parte de valores envolvidos em contratos da estatal era canalizada pelo
peemedebista. O delator disse que Aníbal Gomes era um interlocutor do
presidente do Senado no esquema.
No inquérito
que investiga Pizzolatti, a Procuradoria-Geral da República relata que Youssef
afirmou que o ex-deputado compunha um grupo de parlamentares do PP que atuava
na "operacionalização do esquema de corrupção" de forma "estável
e perene".
Na
quarta-feira à tarde, a PF também pediu diligências nos inquéritos que
investigam o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) e o deputado Eduardo da Fonte
(PP-PE). Não se sabe se esse pedido envolve quebra de sigilo ou outro tipo de
solicitação dos investigadores.
Os pedidos
adicionais de diligências já foram usados pelos investigadores da Lava Jato
responsáveis pelos casos envolvendo autoridades. Esse foi o modelo adotado para
as buscas de dados na Câmara em investigação cujo alvo é o presidente da Casa,
Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Defesas
Eugenio
Pacelli, advogado de Renan, disse não ter conhecimento do pedido de quebra de
sigilos e informou que vai apresentar defesa nesta quinta-feira, 14, ao STF. O
advogado de Pizzolatti, Michel Saliba, disse ver com "naturalidade" o
pedido de quebra de sigilo e afirmou que a defesa cogitou entregar os extratos
bancários espontaneamente. "Se fosse solicitado, nós iríamos abrir o
sigilo", afirmou.
Os representantes
de Collor e Aníbal Gomes não foram encontrados pela reportagem.
Fonte: Estadao Conteudo – Jornal de Brasília

