Expansão da via ajudaria a amenizar engarrafamentos nos horários de pico
Previstas para começar no ano passado, as obras na ponte que
dá acesso ao Lago Norte ainda aguardam liberação de verba pelo BNDES.
Estimativa do DER e da Novacap é de que a construção tenha início no próximo
semestre
Marcado para o ano passado, o início das obras de ampliação
da Ponte do Bragueto continua incerto. O governo tem projeto pronto e empresa
licitada para executá-lo. Falta, porém, a verba de R$ 86,5 milhões ser liberada
pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A
expectativa do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e da Companhia
Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) é de que as obras comecem em 45 dias. Essa
quantia deve ser liberada com outros R$ 72,5 milhões, para a construção da via
expressa Torto-Colorado — que também já tem planta e executor —, na Estrada
Parque Indústria e Abastecimento (Epia).
Enquanto
o problema segue sem solução, moradores do Lago Norte, de Sobradinho e de
Planaltina que trabalham no Plano Piloto continuarão a enfrentar os
engarrafamentos diários nos horários de pico da manhã e da noite na via. De
manhã, para quem mora no Lago, por exemplo, o engarrafamento para sair da
cidade chega à QI 3 e, à noite, para quem pega o Eixão rumo à Saída Norte, a
lentidão chega até a altura da 110/210 Norte. E o trânsito segue intenso para
quem vai de carro ou ônibus para outras regiões administrativas. Nesse caso, a
construção da via expressa Torto-Colorado também desafogaria parte do trânsito.
O
presidente da Associação de Moradores do Lago Norte, Fernando Varanda, se
queixa da demora em solucionar o problema. Ele lembra que a pista principal da
região administrativa não tem recuo para os ônibus, o que agrava ainda mais a
lentidão. Apesar de considerar que a situação exige uma resolução urgente,
Varanda demonstra ceticismo ao falar no início das obras. “A volta para casa, à
noite, é sempre o pior horário. É urgente a construção das pontes paralelas ao Bragueto.
Essa crise financeira do Governo do Distrito Federal prejudica todas as áreas.
Ficamos sem verba, sem decisão, nada anda, nada se faz, e a burocracia é
enorme”, lamenta.
Além do
tráfego intenso, a Ponte do Bragueto apresenta sinais de deterioração em toda a
estrutura, e precisa urgentemente de reforços, segundo Dikran Berberian,
professor de engenharia da Universidade de Brasília (UnB) e especialista em
patologias de edificações. Na opinião dele, embora o GDF enfrente uma crise
financeira, a manutenção das pontes deve ser uma prioridade. “A Ponte do
Bragueto já foi reforçada duas vezes e tem todos os sintomas de que precisa de
reforma urgente: trincas na laje inferior, ondulação na parte superior; basta
olhar o corrimão que se nota. Isso é sinal de que está na hora de fazer um novo
reforço”, afirma.
Sem grande mudança
Para
Drikran, o novo projeto da Ponte do Bragueto foi bem elaborado, mas não deve
ter impacto significativo no trânsito da região. “A proposta do DER, que é
construir duas pistas laterais e, quando elas estiverem em condição de
funcionamento, reconstruir a parte horizontal da velha ponte, é muito boa (veja
o quadro). Porém, mesmo com mais vias, por causa do inchaço da cidade, a
ampliação não aliviará os engarrafamentos”, destaca.
O diretor
do DER, Henrique Ludovice, reiterou que as obras devem começar até o início do
próximo semestre. Segundo ele, toda a documentação necessária foi encaminhada
ao BNDES há cerca de 20 dias. “Na verdade, esse projeto veio do governo
anterior, mas não houve liberação dos recursos. Nós retomamos o processo e já
entregamos toda a documentação, tanto do trevo de triagem quanto da terceira
pista da Epia, entre o Torto e o Colorado”, diz. Ainda de acordo com o diretor,
os investimentos incluem também um contrato de supervisão da obra.
Fonte: Luiz Calcagno – Correio Braziliense
