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ENTREVISTA: HÉLIO DOYLE » Compromisso com a preservação

"Não tem sentido dizer que o governo é frouxo"

Chefe da Casa Civil rebate críticas sobre ameaças ao tombamento A preservação da cidade é um compromisso do governo de Rodrigo Rollemberg. A afirmação é do secretário-chefe da Casa Civil, Hélio Doyle. O governo prometeu retirar os tapumes que cercam a área onde seria erguido o Memorial Liberdade e Democracia Presidente João Goulart. Também pretende reenviar o Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCub) à Câmara Legislativa totalmente revisto, no início do ano que vem, além de derrubar muros e cercas na orla do Lago Paranoá. Após declarações do arquiteto Carlos Magalhães sobre as ameaças à cidade, Doyle concedeu entrevista ao Correio para defender os projetos do governo e os principais pontos que dizem respeito à preservação de Brasília. 

Os tapumes colocados no terreno onde seria erguido o Memorial João Goulart serão retirados?
Sim. O Instituto João Goulart pediu um prazo de 10 dias e, é claro, se não retirarem, nós vamos fazer isso e mandar a conta para eles. O processo está sendo reavaliado pela Procuradoria-Geral do DF. É uma coisa antiga. Estamos analisando porque a orientação do Ministério Público do DF é de que o contrato não tem mais validade. O Instituto teria perdido o prazo para construir o memorial. Mas não queremos cometer nenhuma injustiça.

O governador se reuniu como o presidente do PDT, Carlos Lupi, e o filho do ex-presidente João Goulart, João Vicente Goulart, também filiado ao partido.  A influência política pode pesar na decisão de cancelar ou não o convênio para a construção do memorial?
Não queremos fazer isso sob a ótica política. Não vamos avaliar o que Jango fez ou não por Brasília, se merecia ou não. Nossa análise será da perspectiva urbanística e do direito. O arquiteto Carlos Magalhães sabe que não é uma decisão desse governo. Fomos surpreendidos quando assumimos. 

O governo vai desocupar a orla do Lago Paranoá?
Há uma decisão conjunta do Governo do DF e do MPDFT para retirar, em dois anos, as construções. Começamos a trabalhar e determinamos a data de início para até 15 de maio. A operação está planejada, mas uma associação — dos Amigos do Lago Paranoá — ganhou uma liminar. O Ministério Público tentou cassá-la, mas não conseguiu. A Procuradoria-Geral do DF recorreu e foi chamada a apresentar suas razões. Então, a decisão do governo e do MP, firmada em acordo conjunto, é de fazer a retirada. O Carlos Magalhães sabe também disso. Não tem sentido dizer que o governo é frouxo. Essa é uma segunda injustiça que ele comete contra o governo.

O que o governo pretende fazer com o PPCub, alvo de grande polêmica na gestão passada?
O governo vai retomar a discussão do PPCub e da Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos). Será uma discussão mais aberta, democrática. Vamos promover reuniões e, provavelmente, reenviar o projeto à Câmara Legislativa no início do ano que vem. Ele não pode ser aprovado como o governo passado tentou aprovar, sem discussão e impondo medidas. A ideia é discutir com a sociedade, com o Carlos Magalhães.

Rollemberg prorrogou, assim como seus antecessores, o prazo para a Lei dos Puxadinhos entrar em vigor. Ele agirá dessa mesma maneira com as questões ligadas à preservação da cidade?
O governo assumiu há quatro meses e o prazo venceria agora. Obviamente, não resolveríamos em quatro meses o que governos anteriores não resolveram em 30 anos. Propusemos a prorrogação do prazo para que haja tempo para trabalharmos. E isso está sendo feito. Faremos com que a aplicação da lei seja possível. 

A preservação de Brasília é uma prioridade para o governo?
Basta conhecer o programa da coligação que elegeu o Rollemberg e os estudos que foram feitos durante a transição. Basta ver o que o governo tem falado a respeito desse assunto. O fato é que o governador mora em Brasília há muito mais tempo do que o Carlos Magalhães. Eu também tenho mais tempo na cidade. O governo tem pessoas com o compromisso com a cidade, como é o caso do secretário de Habitação e Gestão do Território, Thiago de Andrade, ou do secretário de Cultura, Guilherme Reis. São secretários da geração Brasília, que nasceram ou vieram muito novos. Esse governo tem como prioridade a preservação do Plano Piloto, impedir que descaracterizações aconteçam. O que a gente não entende é no que ele (Carlos Magalhães) se baseia para dizer o contrário, como se ele fosse o supremo protetor de Brasília.


Fonte: Thaís Paranhos - Correio Braziliense 

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