Renan cumprimenta Lula na Residência Oficial do Senado: governo mergulhado em uma agenda negativa
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que tem se
especializado em provocar o Planalto, voltou a criticar ontem o governo após
almoço com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Renan, que no início da
semana foi convidado pela presidente Dilma Rousseff para acompanhá-la no mesmo
avião em viagem até Santa Catarina, declarou que não tem nada, pessoalmente,
contra ela. “Nossas divergências são institucionais. A presidente Dilma
Rousseff precisa apresentar um plano de governo e de desenvolvimento para o
país”, atacou Renan.
O Correio
apurou que, durante o almoço, na Residência Oficial do Senado, Lula concordou
com Renan que o governo está perdido na pauta para o país e no relacionamento
com o Legislativo. Habilidoso, o líder petista, que teria um encontro com Dilma
no início da noite de ontem, reconheceu o direito do Congresso de estabelecer
uma pauta autônoma em relação ao governo. Mas o petista e o peemedebista
defenderam, também, que Dilma supere a agenda negativa na qual está mergulhada.
O ex-presidente lembrou que o Programa de Aceleração do Crescimento 3 (PAC 3) e
os projetos de concessões estão desenhados desde meados do mandato anterior. E
Dilma não consegue tirá-los do papel.
Outra
crítica comum quanto à inoperância do Planalto envolve o fator previdenciário.
Para Lula, Dilma, que durante a campanha presidencial admitiu ser favorável às
mudanças no cálculo das aposentadorias, deveria ter se antecipado ao debate e
proposto, ela própria, a alteração nas regras quando assumiu para o segundo
mandato. Em vez disso, foi derrotada na Câmara, com os votos da base aliada, e
agora terá de assumir o desgaste de vetar a proposta e voltar a discuti-la,
novamente, mais para a frente.
O
presidente do Senado, inclusive, admitiu que dificilmente a nova regra do fator
previdenciário aprovado pela Câmara será alterado no Senado.
“O Senado já
derrubou o fator previdenciário em 2008 (iniciativa do senador Paulo Paim e,
posteriormente, vetado por Lula). Não teremos nenhuma dificuldade para discutir
essa matéria aqui na Casa”, afirmou ele.
Gerente de RH
Renan
também aproveitou o encontro para atacar o vice-presidente Michel Temer, algo
que ele já tem feito publicamente, avisando que o correligionário
transformou-se em um mero gerente de RH ao distribuir cargos de segundo e
terceiro escalões em troca de votos dos aliados no Congresso. “O PMDB quer
participar da formulação de proposta e não ser apenas arrastado para a vala
comum da distribuição dos cargos”, reclamou ele, omitindo que emplacou Jorge
Bastos na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e Fernando Mendes
na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Em nenhum
momento do encontro foi tratado os desdobramentos da Operação Lava-Jato. Na
quarta-feira, o presidente da UTC, Ricardo Pessoa, fechou um acordo de delação
premiada com o Ministério Público Federal e comprometeu-se a devolver R$ 55 milhões
desviados da Petrobras. Antes do almoço, Renan anunciou que entregará ao
ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, o próprio sigilo
telefônico, fiscal e bancário (leia ao lado).
No almoço
entre Lula e Renan também estava presente o ex-ministro de Minas e Energia
Edison Lobão. Ele foi apontado por Pessoa no acordo de delação premiada como um
dos políticos que o procuraram para conseguir doações eleitorais — no caso,
para a campanha de Roseana Sarney ao governo do Maranhão.
Por: Paulo de Tarso Lyra – Correio Braziliense
