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BRASÍLIA: LEGISLATIVO » Em jogo, os cargos da CPI do Transporte Público do DF

Renato Andrade (E) e Raimundo Ribeiro são os mais cotados para a presidência e a relatoria, respectivamente

Começa a corrida para ver quem assume a comissão que vai investigar a licitação do transporte público no DF. Petistas asseguram que não vão tentar atrapalhar os trabalhos, enquanto indicação do PMDB passa por briga interna do partido

Após decidir pela abertura da CPI do Transporte Público do DF na Câmara Legislativa, os deputados distritais se movimentam nos bastidores para definir os integrantes da comissão. Cada um dos cinco blocos partidários da Casa tem direito a indicar um representante e, depois dessa fase, ocorre a eleição para escolher presidente, vice-presidente e relator da comissão. Como essa é mais uma frente liderada por governistas para desgastar a gestão passada, de Agnelo Queiroz (PT), parlamentares contrários ao PT devem ocupar os principais postos da CPI. Renato Andrade (PR) é o mais cotado para ser o presidente e Raimundo Ribeiro (PSDB), o relator. 

O bloco formado por PDT, SD e PV deve escolher Professor Israel (PV) ou Sandra Faraj (SD). No conjunto PMDB, PTB e PP, Robério Negreiros é o nome mais cotado para integrar a CPI. Mas como as investigações envolvem o mandato passado, o ex-vice-governador e presidente do PMDB, Tadeu Filipelli, pode tentar vetar a entrada de Robério, pois ambos protagonizam uma disputa interna na legenda. José Walter Vazquez, secretário de Transportes na época da licitação, era indicação política do ex-número dois do Buriti. 

Apesar de o líder do PT na Câmara, Chico Vigilante, ter afirmado que Ricardo Vale representará a legenda, o próprio diz que não há nada certo. Porém, ele garante que a sigla não atrapalhará as apurações com o intuito de livrar algum companheiro de partido, mas vai cuidar para que não ocorram perseguições políticas. “O PT vai ser republicano. Se houver irregularidades, temos que procurar quem as cometeu indicar ao MPDFT (Ministério Público do DF e Territórios). Mas se for apenas uma forma de jogar uma cortina de fumaça para encobrir algo ou envolver alguém de forma injusta, meramente política, também vamos tornar isso público”, ressalta. 

Renato Andrade (PR) admite a vontade de presidir a CPI, se houver consenso. “Mas se existir disputa, eu vou reavaliar minha posição. O importante mesmo é rever a licitação”, afirma. Advogado de formação, ele acredita que a comissão deve fazer uma análise processual profunda no certame que, ao término, pode resultar até na redução do preço da tarifa de ônibus no DF. “Devemos nos debruçar sobre os contratos e, se houver superfaturamente, podemos sugerir ao MP que peça o ressarcimento do valor desviado”, observa. 

Um ex-integrante do GDF e hoje oposicionista à gestão Rollemberg afirma que a CPI não deve se esforçar para um desgaste governo anterior. Primeiro, porque não houve fraude na licitação, segundo a fonte. Segundo, se a base aliada conseguir provar o envolvimento de alguém, provalmente aparecerão nomes do PPL — pelo DFTrans durante a concorrência. “O PPL, agora, apoia o governo. Então, se a CPI pegar alguém, poderá prejudicar um partido da própria base aliada”, diz.


ENTENDA O CASO »Suspeitas no certame

No requerimento de abertura da CPI, assinado pelos deputados Celina Leão (PDT) e Raimundo Ribeiro (PSDB), a justificativa para investigar a licitação que renovou a frota de ônibus no DF em 2012 é que o certame teria sido direcionado a empresas específicas. Uma das suspeitas levantadas pelo documento diz respeito às vitórias das viações Piracicabana e Pioneira para as bacias 1 e 2, respectivamente, mesmo pertencendo ao mesmo grupo econômico — o que é proibido. A atuação do advogado Sacha Reck é outro ponto que chamou a atenção dos parlamentares. Ele foi consultor das duas companhias durante o processo licitatório, além de prestar serviço para a Secretaria de Transporte na mesma época.


Fonte: Matheus Teixeira – Correio Braziliense  

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