
Por: Carlos Chagas
O doleiro Alberto Youssef prestou ontem novo depoimento
em Curitiba, onde não apenas confirmou, mas enfatizou a acusação à presidente
Dilma, ao Lula, a Graça Foster, José Dirceu, Ideli Salvatti, Edison Lobão e
outras altas figuras do governo sobre terem tido conhecimento das falcatruas
verificadas à sombra da Petrobras e de poderosas empreiteiras.
Convenhamos, é barro no ventilador, ainda que o
criminoso, como tal, possa não merecer crédito. Mas como abafar a denúncia se
formulada sob o risco e a proteção da delação premiada? Youssef sabe muito bem
que se for flagrado em mentiras, perderá os benefícios do recurso e poderá
transformar-se num condenado a vinte anos de prisão em regime fechado. Ousaria
arriscar seu futuro inventando mentiras?
Importa afirmar que as figuras relacionadas não foram
acusadas de participar da lambança, mas apenas de saber de sua existência,
coisa que não configura participação, mas omissão. Crime, quando praticado por
governantes.
QUAL A CONCLUSÃO?
Fica difícil, a partir dessa renovada denúncia, evitar
suas consequências. Que conclusão devem tirar os integrantes da CPI da
Petrobras? Complicado, mas não impossível, será ouvir a presidente da República
e seu antecessor, até pela falta de materialidade na acusação, limitada ao
depoimento prestado por um bandido. Sem provas além de sua palavra.
Será, no entanto, possível aos acusados manter o silêncio
verificado até agora? Ignorar a afirmação de que sabiam da corrupção reinante
em importante setor da administração pública seria desastroso para o grupo hoje
impedido até de sair às ruas sem manifestações populares de rejeição. Alguma
coisa precisa ser feita com urgência pelos acusados, porque o barro lançado
sobre o ventilador começa a atingir indiscriminadamente culpados e inocentes.
