A CPI
do Transporte Público é para valer?
É para valer.
Outras
comissões parlamentares de inquérito (CPI) começaram com estardalhaço e não
deram em nada. Qual é a garantia de que essa vai investigar mesmo?
A nossa
vontade de que a investigação ocorra, o momento político do Distrito Federal e
o apoio de toda a Casa, com a assinatura dos 24 deputados distritais, o que é
inédito. A Câmara entendeu qual é o seu papel de órgão fiscalizador. Isso ajuda
muito.
Qual é
exatamente o motivo para investigar o sistema de transporte?
O
desperdício dos recursos, o gasto exorbitante com o transporte. Todo Estado
deve subsidiar o transporte público. É missão. Só que o transporte tem de ser
de qualidade. Para aumentar em 500% os custos, só com uma licitação fraudada.
Houve
corrupção?
Acredito
que houve corrupção. Com certeza, há agentes públicos envolvidos. Se existisse
a boa vontade de estancar a corrupção, o grupo que estava no poder teria
investigado as denúncias que ocorreram na época. Mas havia um sentimento grande
de impunidade.
Na condição de presidente da Câmara, a senhora não vai
participar da CPI, mas é uma das idealizadoras e sempre denunciou
irregularidades na licitação das linhas de ônibus. Vai acompanhar os trabalhos?
Com
certeza. Apesar de não ser membro, vou acompanhar tudo, fazer perguntas,
assistir às oitivas e fazer sugestões.
O
ex-secretário de Transportes José Walter Vazquez será convocado?
Deverá
ser convocado. A cronologia dos depoimentos, no entanto, será definida pela
comissão.
E o
ex-vice-governador Tadeu Filippelli?
Se as
investigações chegarem no ex-vice-governador, ele será convocado, sim. Mas
precisa ter materialidade para não parecer que estamos fazendo uma perseguição
política. Se houver necessidade, não tem problema.
Acha
que a comissão chegará também ao ex-governador Agnelo Queiroz?
O que vale
para o Filippelli vale para o Agnelo. Mas não acredito que eles serão
convocados num primeiro momento. Há muitas outras pessoas que acompanharam a
licitação bem mais de perto. Essas serão as primeiras pessoas a prestar
esclarecimentos.
Há
espaço para outra CPI na Câmara Legislativa?
Podemos
ter duas CPIs ao mesmo tempo. Mas acredito que politicamente seria complicado
ter duas investigações agora. Temos denúncias pesadas na saúde também. Mas para
tentar realizar um trabalho importante, como em Curitiba onde houve até redução
de tarifas, temos que focar.
O
governador Rodrigo Rollemberg foi consultado sobre a abertura da CPI?
Não. É
uma medida que envolve apenas o Poder Legislativo. Sou deputada da base, tenho
respeito pelo governador, mas esse assunto não diz respeito ao Executivo.
