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#‎UNB‬: MERCADO IMOBILIÁRIO > Negócio extracurricular


*Os apartamentos do Bloco F da 206 Norte figuram entre os mais procurados (Fotos: Wellington Nemeth)
Negócio extracurricular Proprietária de 1 511 imóveis em áreas nobres da capital, a Universidade de Brasília arrecadou 33,3 milhões de reais com aluguéis no ano passado

Aluga-se uma cobertura de 158 metros quadrados no bloco A da 212 Norte. Tem sala ampla, dois quartos, cozinha, área de serviço, terraço descoberto, churrasqueira e três vagas de garagem. Para a locação, é necessário comprovar renda líquida de 17 000 reais e ter dois fiadores — um deles com casa própria quitada. O valor mensal está fixado em 5 113,26 reais e o contrato precisa ser estabelecido diretamente com a proprietária do bem, a Universidade de Brasília. Quem acha estranho negociar nesse ramo com uma instituição de ensino federal deve saber que tal fato é cada vez mais corriqueiro na cidade. Dona de 1 511 imóveis comerciais e residenciais em áreas nobres da capital, a UnB tornou-se a maior agente imobiliária do Plano Piloto, segundo o Sindicato da Habitação do DF. As ações da universidade para atrair clientela nesse mercado ganharam visibilidade crescente nos últimos anos. Responsável pela administração desse nicho, a Secretaria de Gestão do Patrimônio Imobiliário (SGP), com quadro de setenta funcionários, anuncia apartamentos para terceiros no site da própria UnB e até no WImóveis, o mais importante portal de classificados do setor no Centro-Oeste. A prática vem se mostrando rentável. Somente no ano passado, a receita obtida com a locação de imóveis pela UnB alcançou 33,3 milhões de reais, 15% a mais do que em 2013.
*A cobertura na 212 Norte, com custo mensal de 5 113,26, está encalhada

O expressivo aumento é fruto de uma estratégia comercial, iniciada paulatinamente a partir de 2002. Antes dessa data, os bens eram destinados exclusivamente a professores, funcionários e alunos da instituição. Hoje, cerca de 46% dos imóveis estão ocupados por pessoas que não têm nenhum vínculo com a universidade. Ao pagar o preço cheio de aluguel, esse grupo propicia a manutenção de descontos entre 20% e 50% para locatários ligados à UnB — além de um bom saldo excedente. “Tudo o que arrecadamos é investido em pesquisas, compra de equipamentos e reforma de laboratórios”, diz a secretária da SGP, Ednalva de Morais, espécie de corretora-chefe do centro de ensino
.*Ednalva de Morais, da Secretaria de Gestão do Patrimônio Imobiliário, atua como uma corretora-chefe da UnB

Até o fim da primeira quinzena de janeiro, a universidade mantinha em seu portal dez apartamentos disponíveis para locação, incluindo a cobertura descrita no início do texto. Segundo o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Distrito Federal (Creci-DF), Hermes Alcântara, alguns desses anúncios exibem preços mais altos do que os praticados pelo mercado local. “No ano passado, houve uma redução de 20% no valor de aluguel dos imóveis residenciais e a UnB não acompanhou essa queda”, afirma Alcântara. “Não podemos baixar porque cerca de 700 bens ficaram com preços congelados durante dezoito anos”, justifica Ednalva.

O conjunto de imóveis do centro de ensino tem sua origem nos primórdios da capital. Quando a universidade foi fundada, em 1962, era difícil trazer professores de grandes centros para dar aula numa cidade recém-construída, ainda carente de infraestrutura. Oferecer bens a custo zero de locação tornou-se um chamariz comum nessa época — quando docentes de currículo nobre podiam ganhar até um terreno no Lago Sul. Para ter seu poder de barganha fortalecido, a UnB recebeu da União 137 projeções em doze superquadras do Plano Piloto. Contudo, no momento de erguer os blocos, ela sempre precisou se aliar às grandes incorporadoras locais. “Nós entrávamos com o espaço e as construtoras levantavam os prédios. Quando o edifício era concluído, a universidade ficava com cotas que variavam de 30% a 60% das unidades”, explica Ednalva. Esse tipo de negócio não se esgotou e ainda pode trazer mais dividendos ao cofre da instituição. Somente o enorme terreno que abarca toda a quadra 207 Norte, integrante do patrimônio da UnB e cobiçadíssimo pelas empreiteiras, está avaliado em 240 milhões de reais.

*Fonte: Por - Ullisses Campbell - Revista Veja Brasília

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