Desde meados do século passado, especialistas faziam apostas
sobre quando o petróleo acabaria. As principais linhas eram as seguintes:
haveria escassez permanente; a produção de petróleo estava perto do fim; a
China consumiria todo o petróleo disponível; a Arábia Saudita enganava o mundo
com informações falsas sobre a realidade das reservas ou que o mundo teria
alcançado o pico do petróleo.
Nada disso aconteceu. A bolsa de Nova York, chamada Nymex, (New York Mercantile Exchange) iniciou sua existência em 1872 como Butter and Cheese Exchange (troca de manteiga e queijo). Depois, acrescentou ovos ao negócio. Mais adiante, entraram cebola e maçã. Em seguida, batatas. Em 30 de março de 1983, começou a negociar contratos futuros de petróleo leve. E seu valor passou a ser determinado pelo pregão, na eterna guerra entre compradores, vendedores e especuladores. O preço começou a oscilar minuto a minuto.
O que pouca gente chegou a verbalizar é que a água acabaria. A história da elevação de temperatura, que começou a ganhar corpo nos últimos 10 anos, não incluía a escassez de água. Ao contrário, os oceanos iriam aumentar o volume e as cidades costeiras estariam sob séria ameaça. Ocorre que, pelas mais diversas razões, aconteceram coisas estranhas no Brasil nos últimos tempos. A fonte do rio São Francisco secou. É claro que a vazão diminuiu e as cidades ribeirinhas começaram a sofrer. Agora, cogita-se suspender a geração na unidade de Três Marias, uma das joias da administração Kubitschek.
Em São Paulo, a situação é dramática. Faltam água e luz. É difícil entender que água é igual a energia. Se faltar a primeira, vai escassear a segunda. Aqui no Distrito Federal, os reservatórios estão baixos. É uma situação que ocorre também no Rio de Janeiro. A população padece com o calor absurdo de mais de 40 graus, sofre com apagões e, de vez em quando, a luz apaga. É o pior dos mundos.
As catastróficas previsões sobre o fim da era do petróleo tiveram efeito positivo. O mundo começou a olhar com mais atenção para energias alternativas, que, até então, eram desprezadas. Energia solar que equipa quase todos os prédios no Plano Piloto de Brasília ainda é novidade em várias cidades brasileiras, que preferem o gás natural, como é o caso do Rio de Janeiro. E surgiu a energia eólica. Já é possível conhecer vários parques geradores no litoral do país e no interior da Bahia.
Em matéria de energia, tudo se faz com planejamento para 10 anos à frente. As autoridades do setor deveriam estar, hoje, exibindo projetos para 2025. Mas, ao contrário, estão noticiando remendos. Colocam em ação usinas térmicas, que consomem muito, são poluidoras e produzem energia muito mais cara. Importam energia da Argentina, do Paraguai (a paraguaia é energia de Itaipu) e, possivelmente, da Venezuela, que pode fornecer a partir da hidrelétrica de Guri, em Ciudad Bolívar, a cerca de 400 quilômetros da fronteira com Roraima.
Os projetos brasileiros no setor de energia estão atrasados. Grandes hidrelétricas, como Belo Monte, no sul do Pará, não estão gerando nada. As duas usinas do rio Madeira, em Rondônia, estão começando a produzir, mas apenas para a região próxima a elas. A linha de transmissão que deveria ligá-las a São Paulo (são quase 2.500km) não está pronta. E os belos parques eólicos funcionam apenas para turista tirar fotografia. As linhas de transmissão também não foram concluídas.
Não é difícil perceber que o planejamento no setor energético brasileiro está fora de órbita. É difícil aceitar que os sucessivos apagões se devam ao raio que caiu na rede, ao interruptor defeituoso ou à falha do funcionário que foi tomar café no momento em que deveria agir de maneira mais séria. A monumental onda de calor, que envolveu o país todo, provocou a necessidade real de utilizar aparelho de ar-condicionado e tomar mais banhos. O brasileiro é o povo que mais frequenta o chuveiro no planeta. Não é piada, é verdade.
Tudo isso resulta nos constantes apagões. Brasília sofreu vários. No Brasil, todo dia uma cidade fica sem luz. O sistema não suporta a demanda. A energia que vem da Argentina, do Paraguai e da Venezuela é complementar e emergencial. Apenas revela a precariedade do sistema brasileiro. Aliás é uma sorte que o crescimento do produto interno bruto em 2014 tenha ficado em torno de zero. Se a economia tivesse crescido míseros 2%, o país estaria à luz de velas. E sem água.
Nada disso aconteceu. A bolsa de Nova York, chamada Nymex, (New York Mercantile Exchange) iniciou sua existência em 1872 como Butter and Cheese Exchange (troca de manteiga e queijo). Depois, acrescentou ovos ao negócio. Mais adiante, entraram cebola e maçã. Em seguida, batatas. Em 30 de março de 1983, começou a negociar contratos futuros de petróleo leve. E seu valor passou a ser determinado pelo pregão, na eterna guerra entre compradores, vendedores e especuladores. O preço começou a oscilar minuto a minuto.
O que pouca gente chegou a verbalizar é que a água acabaria. A história da elevação de temperatura, que começou a ganhar corpo nos últimos 10 anos, não incluía a escassez de água. Ao contrário, os oceanos iriam aumentar o volume e as cidades costeiras estariam sob séria ameaça. Ocorre que, pelas mais diversas razões, aconteceram coisas estranhas no Brasil nos últimos tempos. A fonte do rio São Francisco secou. É claro que a vazão diminuiu e as cidades ribeirinhas começaram a sofrer. Agora, cogita-se suspender a geração na unidade de Três Marias, uma das joias da administração Kubitschek.
Em São Paulo, a situação é dramática. Faltam água e luz. É difícil entender que água é igual a energia. Se faltar a primeira, vai escassear a segunda. Aqui no Distrito Federal, os reservatórios estão baixos. É uma situação que ocorre também no Rio de Janeiro. A população padece com o calor absurdo de mais de 40 graus, sofre com apagões e, de vez em quando, a luz apaga. É o pior dos mundos.
As catastróficas previsões sobre o fim da era do petróleo tiveram efeito positivo. O mundo começou a olhar com mais atenção para energias alternativas, que, até então, eram desprezadas. Energia solar que equipa quase todos os prédios no Plano Piloto de Brasília ainda é novidade em várias cidades brasileiras, que preferem o gás natural, como é o caso do Rio de Janeiro. E surgiu a energia eólica. Já é possível conhecer vários parques geradores no litoral do país e no interior da Bahia.
Em matéria de energia, tudo se faz com planejamento para 10 anos à frente. As autoridades do setor deveriam estar, hoje, exibindo projetos para 2025. Mas, ao contrário, estão noticiando remendos. Colocam em ação usinas térmicas, que consomem muito, são poluidoras e produzem energia muito mais cara. Importam energia da Argentina, do Paraguai (a paraguaia é energia de Itaipu) e, possivelmente, da Venezuela, que pode fornecer a partir da hidrelétrica de Guri, em Ciudad Bolívar, a cerca de 400 quilômetros da fronteira com Roraima.
Os projetos brasileiros no setor de energia estão atrasados. Grandes hidrelétricas, como Belo Monte, no sul do Pará, não estão gerando nada. As duas usinas do rio Madeira, em Rondônia, estão começando a produzir, mas apenas para a região próxima a elas. A linha de transmissão que deveria ligá-las a São Paulo (são quase 2.500km) não está pronta. E os belos parques eólicos funcionam apenas para turista tirar fotografia. As linhas de transmissão também não foram concluídas.
Não é difícil perceber que o planejamento no setor energético brasileiro está fora de órbita. É difícil aceitar que os sucessivos apagões se devam ao raio que caiu na rede, ao interruptor defeituoso ou à falha do funcionário que foi tomar café no momento em que deveria agir de maneira mais séria. A monumental onda de calor, que envolveu o país todo, provocou a necessidade real de utilizar aparelho de ar-condicionado e tomar mais banhos. O brasileiro é o povo que mais frequenta o chuveiro no planeta. Não é piada, é verdade.
Tudo isso resulta nos constantes apagões. Brasília sofreu vários. No Brasil, todo dia uma cidade fica sem luz. O sistema não suporta a demanda. A energia que vem da Argentina, do Paraguai e da Venezuela é complementar e emergencial. Apenas revela a precariedade do sistema brasileiro. Aliás é uma sorte que o crescimento do produto interno bruto em 2014 tenha ficado em torno de zero. Se a economia tivesse crescido míseros 2%, o país estaria à luz de velas. E sem água.
ANDRÉ GUSTAVO STUMPF
Jornalista - Fonte: Correio Braziliense
Jornalista - Fonte: Correio Braziliense

