GDF cede postos no segundo escalão e negocia
administrações regionais para contemplar correligionários sem presença no
secretariado.
Rollemberg com os novos administradores regionais:
redução no número de RAs, de 31 para 25, depende de aprovação da Câmara
Legislativa.
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Na composição do secretariado, poucos partidos da
base de apoio de Rodrigo Rollemberg (PSB) foram contemplados. O governador fez
questão de fazer escolhas mais técnicas para o primeiro escalão. Com isso,
antes mesmo de assumir, muitas legendas aliadas demonstravam insatisfação com
os socialistas. Para acalmar os aliados, o GDF cedeu cargos no segundo escalão
e negociou as chefias das administrações regionais — que terão número de
servidores e comissionados controlados pelo governo a fim de evitar que se
transformem em cabide de empregos para os políticos (confira quadro ao lado e
matéria abaixo). Agora, os chefes do Palácio do Buriti acreditam que o xadrez
político está praticamente montado. Tudo em nome da governabilidade.
Das legendas que apoiaram Rollemberg desde o início
da eleição, o PDT é o dono da maior bancada na Câmara Legislativa: são três
distritais. À sigla foi dada a Secretaria do Trabalho e Empreendedorismo,
chefiada pelo presidente do partido no DF, Georges Michel, um dos mais antigos
pedetistas do Brasil. Celina Leão (PDT), além da presidência do Legislativo
local, emplacou o administrador de Sobradinho II, que ganhou em importância por
ter se juntado à Fercal. Ela ainda teve peso na nomeação do Departamento de
Trânsito (Detran). Joe Valle (PDT) tem uma subsecretaria no Meio Ambiente.
Amigo pessoal do senador José Antônio Reguffe (PDT), Nery do Brasil, novo
responsável por Santa Maria, entrou na cota da sigla.
Críticas
Além de ter o vice-governador Renato Santana, o PSD
ganhou o senador Hélio José, que assumiu o assento de Rollemberg na Casa. A
sigla também pretende levar a Administração de Ceilândia — ocupada
interinamente por Santana, que deve ser substituído por algum colega de
partido. Na Secretaria de Desenvolvimento Humano e Social, o presidente do
PSD-DF, Rogério Rosso, emplacou a mulher, Karina, em uma das subsecretarias.
Ela foi nomeada em 2 de janeiro e saiu de férias no dia seguinte. Sofreu uma
série de críticas, mas a pasta explicou que, como Karina ainda não havia tomado
posse, não estava recebendo os cerca de R$ 12 mil mensais pela função.
Dos outros apoiadores do PSB, a Rede ganhou o Lago
Norte e a pasta do Meio Ambiente, e o Solidariedade, as administrações do Gama,
indicação do deputado federal Augusto Carvalho, e de Taguatinga, na cota da
distrital Sandra Faraj. Do próprio PSB, poucos dos derrotados nas eleições
proporcionais ficaram de fora do GDF. Igor Tokarski está de forma interina à
frente do Plano Piloto; Flavio Brebis assumiu a polêmica Subsecretaria LGBT,
rebaixada à condição de coordenadoria; e Julio Menegotto é o número dois da
Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap). Também influenciou na escolha
da presidente da Câmara Legislativa.
Exoneração
O socialista Wilson Granjeiro, segundo suplente
socialista de deputado federal, levou a secretaria-executiva da Escola de
Governo e, de quebra, pôs a esposa como assessora especial da Casa Civil. Dias
depois, no entanto, ela foi exonerada a pedido.
Quem fez campanha para
Rollemberg no segundo turno e os que aderiram à base do governo após a vitória
não ficaram de mãos abanando. O PRB, por exemplo, levou a Secretaria de Esporte
e as administrações do Riacho Fundo II e de Samambaia. O PRTB, presidido por
Luis Estevão, foi ouvido nas escolhas de Brazlândia e do Recanto das Emas.
No PSDB, há uma disputa interna em curso. O
distrital Raimundo Ribeiro ganhou as chefias do Procon, do Na Hora e da
Administração de Sobradinho. O deputado federal Izalci Lucas (PSDB) ainda não
conseguiu emplacar ninguém, mas avisou ao GDF: quer a Companhia de Planejamento
do DF (Codeplan). O PPL, da eleita para a Câmara Legislativa Telma Rufino, foi
encaixado nas escolhas de Águas Claras e de Vicente Pires. O distrital Lira
indicou São Sebastião e Luzia de Paula, Ceilândia Sul.
Mapa das administrações
GDF reconfigurou a distribuição de cargos nas
regiões administrativas conforme critérios populacionais. Confira como ficou:
Grupo 1
» Plano Piloto, Taguatinga, Ceilândia, Planaltina e
Samambaia.
» Cerca de 80 cargos comissionados cada uma
Grupo 2
» Gama, Sobradinho 1, Guará, Cruzeiro(1), Santa
Maria, São Sebastião, Recanto das Emas e Águas Claras.
» Cerca de 70 cargos comissionados cada uma
Grupo 3
» Sudoeste/Octogonal (1), Park Way (2),
Candangolândia (2), Núcleo Bandeirante (2), Lago Sul (3), Jardim Botânico (3),
Lago Norte (4), Varjão (4), Sobradinho 2 (5), Fercal (5), Brazlândia, Paranoá,
Riacho Fundo 1, Riacho Fundo 2, Setor Complementar de Indústria e Abastecimento
(SCIA)/Estrutural, Itapoã, Setor de Indústria e Abastecimento (SIA) e Vicente
Pires.
» Cerca de 60 cargos comissionados cada uma
(1) Cruzeiro e Sudoeste/Octogonal passarão a fazer
parte de uma só Região Administrativa (RA) assim que a lei for aprovada pela
Câmara Legislativa e devem mudar de grupo
(2) Park Way, Candangolândia e Núcleo Bandeirante
passarão a integrar a RA do Núcleo Pioneiro, que pode mudar de grupo
(3) Lago Sul e Jardim Botânico passarão a integrar
a mesma RA, que pode mudar de status
(4) Lago Norte e Varjão integrarão em uma só RA,
que pode mudar de grupo
(5) Fercal e Sobradinho 2 passarão a fazer parte de
uma só RA e podem mudar de grupo
Mudanças nas RAs
Além de ter anunciado a redução no número de
regiões administrativas de 31 para 25 (que ainda depende de aprovação pela
Câmara Legislativa), o GDF fez uma reorganização geral nas estruturas. As
administrações agora passarão a fazer parte de três grupos, que foram divididos
com base nas populações das cidades. A distribuição de servidores públicos
(efetivos e comissionados) levará em consideração essa graduação. As maiores
terão mais cargos e as menores ficarão com quantidades inferiores. Também foram
dadas a elas autonomia operacional e dotação orçamentária específica.
A ideia do governo é reforçar a presença nas áreas
mais populosas. O secretário-chefe da Casa Civil, Hélio Doyle, explica que, no
governo Agnelo Queiroz (PT), o número de servidores nas administrações era
aleatório. “Eles colocavam as pessoas simplesmente para atender a acordos
políticos. Não pode ser assim, é preciso ter critério. Foi isso que tentamos
fazer”, afirma.
No entanto, com o enxugamento no número de cargos
(1,3 mil, no total das RAs), a importância das administrações regionais diminui
para deputados que as usavam, por exemplo, para abrigar aliados. Brasília
(agora Plano Piloto), Taguatinga, Samambaia e Planaltina, por exemplo, passam a
contar com cerca de 80 comissionados. No governo passado, elas encerraram o ano
com 164, 247, 228 e 169, respectivamente. Os distritais que foram ouvidos no
processo de escolha dos administradores, por enquanto, estão sendo avisados de
que não poderão indicar os cargos livremente.
Fonte: Correio Braziliense, por Matheus Teixeira e Almiro Marcos. Foto:
Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press -

