Sem
o prometido bar-café panorâmico e fechada para reforma há mais de um ano, a
Torre de TV Digital perde força como atração turística.
Projetada
por Oscar Niemeyer para ser um símbolo dos cinquenta anos de Brasília, a Torre
de TV Digital deveria agregar as atividades de transmissora televisiva e ponto
turístico. Uma de suas cúpulas sediaria um bar-café panorâmico e a outra, um
centro de exposições. No térreo, a lista de atrativos seria reforçada por uma
feira de produtos artesanais. Dois anos depois de inaugurada, entretanto, a
construção de 170 metros de altura, também conhecida como Flor do Cerrado, é um
monumento ao descaso. Fechada para reforma desde outubro de 2013, a torre,
onipresente no horizonte brasiliense, perde feio em protagonismo para sua
coirmã analógica no centro do Plano Piloto.
Iniciada
no governo de José Roberto Arruda, a obra na região administrativa de
Sobradinho só foi concluída em 2012, durante a gestão de Agnelo Queiroz. Até
hoje, contudo, ela não cumpre sua função de centralizar a transmissão de sinal
digital para todo o DF. Para que isso ocorresse, seria necessário instalar
antenas e acrescentar o leito de cabos que conectam os transmissores aos
equipamentos das redes de TV. Os trabalhos começaram, mas ainda não atingiram a
meta prevista.
Na
condição de ponto turístico, o lugar também avançou pouco. A data de abertura
do bar-café e do centro de exposições é uma incógnita. Lojas de artesanato e
uma sorveteria chegaram a funcionar no térreo, mas cerraram as portas. Sobrou
um único ambulante, Onassis Oliver.
Sob sua tenda de plástico improvisada, ele
faz as vezes de central de informações enquanto vende coco, refrigerante, açaí,
salgadinhos e camisetas com os motivos da torre. Segundo Oliver, desde que
começou a trabalhar ali, em janeiro de 2013, só viu o movimento escassear. O
alvará temporário para a instalação de sua barraca, que depois se tornaria um
quiosque (nunca construído pelo GDF), deixou de ser renovado. O ambulante,
porém, insiste em permanecer lá para atender os visitantes desavisados.
“Durante a Copa, vieram colombianos, argentinos e brasileiros. Mas o go-verno
não colocou nenhum ponto de in-formação. Passamos vergonha.”
Com
a transição governamental e as contas do DF zeradas, os operários abandonaram a
obra. Hoje, ao lado de montes de areia e tijolos, cresce um mato denso, que
avança pelos jardins projetados pela equipe de paisagismo de Niemeyer. Grades
fecham os acessos, e a torre apresenta sinais externos de infiltração.
Silvestre Gorgulho, ex-secretário de Cultura, entusiasta da criação do
monumento, atribui os problemas à falta de continuidade ad-ministrativa. “A
torre, com muito esforço, foi inaugurada. Se não se tratasse de uma obra do
Niemeyer, ela não seria concluída. Tivemos cinco governadores nesse intervalo.
Cada um que entrava interrompia a construção por considerá--la supérflua.
Enquanto Niemeyer estava vivo, bastava uma ligação dele e eles re-tomavam a
obra”, conta.
Segundo
a Terracap, que administra a torre, o prazo de reabertura para visitação
pública só pode ser definido a partir de negociações da Novacap, a responsável
pela obra, com o consórcio construtor da torre. “Existem reparos complementares
na edificação e acertos referentes à engenharia em virtude de problemas com o
projeto”, explica a estatal por meio de sua assessoria de comunicação. Para o
órgão, a torre só estará pronta para o público quando as condições de
segurança, acessibilidade e suporte fo-rem concluídas. Nesse meio-tempo, a Flor
do Cerrado continuará sendo apenas uma bela visão na paisagem.
Por: Tai Nalon - Revista Veja Brasília

