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FIM DE GOVERNO » Brasilienses reclamam de abandono da cidade

Depois de oito dias de greve, rodoviários retornaram ao trabalho. Entrega de comida nos hospitais também foi normalizada. Mas infraestrutura e saúde continuam muito criticadas pelos moradores do Distrito Federal

Por: Isa Stacciarini - Maryna Lacerda - Ailim Cabral  Publicação: 14/11/2014 - Correio Braziliense

Luciana Aparecida até gravou uma propaganda em que se referia com esperança aos problemas no Sol Nascente, mas eles só aumentaram (Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Luciana Aparecida até gravou uma propaganda em que se referia com esperança aos problemas no Sol Nascente, mas eles só aumentaram

Até o fim da greve, usuários se arriscavam com transporte pirata (Ed Alves/CB/D.A Press)
Até o fim da greve, usuários se arriscavam com transporte pirata

Edson Costa, com dores no peito e falta de ar, teve que voltar para casa (Daniel Ferreira/CB/D.A Press)
Edson Costa, com dores no peito e falta de ar, teve que voltar para casa

Daimerson Pereira carrega a filha, com o ombro deslocado: fila de espera (Daniel Ferreira/CB/D.A Press)
Daimerson Pereira carrega a filha, com o ombro deslocado: fila de espera


Próximo ao fim do ciclo político, problemas nos serviços públicos e na infraestrutura do Distrito Federal se acumulam e aumentam os transtornos para a população. Na lista de dificuldades, estão paralisações de rodoviários, falta de refeições nos hospitais e acúmulo de lixo nas ruas. A paralisação dos rodoviários da Viação Pioneira e da cooperativa Alternativa, por exemplo, acabou ontem, depois de oito dias. Pelo menos 200 mil usuários foram afetados. Em apenas um dia de interrupção da coleta de lixo, formaram-se montanhas de sacolas nos contêineres de todas as cidades. Para ouvir as queixas dos moradores, o Correio percorreu cidades como Gama, Santa Maria, Ceilândia e Paranoá e identificou os gargalos da administração pública.

Antes da solução com o transporte público, uma manifestação de 100 rodoviários no Paranoá resultou na prisão de dois motoristas: Raimundo Nunes Pereira, 45 anos, e Josivam Gonçalves de Sousa, 35. Eles são suspeitos de arremessar objetos que quebraram um vidro de um micro-ônibus. Durante a ação, os trabalhadores impediam a circulação de vans e ônibus piratas. Passageiros tinham que descer dos veículos. Os detidos foram autuados por arremesso de projétil, resistência e desacato. Os dois assinaram o termo circunstanciado e foram liberados.

No Paranoá, as vans e os micro-ônibus clandestinos cobravam R$ 3 para ir ao Plano Piloto. A volta para casa, no entanto, era ainda mais cara. Alguns chegavam a exigir entre R$ 6 e R$ 10 de cada pessoa. A vendedora Karen Rodrigues, 21 anos, tem gastado R$ 26 por dia desde que a paralisação teve início. “Preciso entrar no trabalho às 14h, mas esses dias eu tenho chegado por volta das 15h30. Saio às 21h do serviço, mas só voltado para casa mais de meia-noite. Os veículos piratas rodam lotados e eu tenho medo, porque a gente nunca sabe se dá para confiar. Mas não tenho outra alternativa”, lamenta.

Retorno

Depois de tanta confusão, o acordo da volta ao trabalho dos rodoviários da Viação Pioneira ocorreu em reunião na Procuradoria-Geral de Justiça, na sede do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), na tarde de ontem. Após mais de três horas a portas fechadas, a promessa saiu: o retorno dos ônibus às ruas do Distrito Federal ocorreria ainda na volta para casa ontem à noite. A negociação só foi possível porque a Viação Pioneira fez um empréstimo bancário de R$ 6 milhões no BRB a fim de pagar os salários e tíquetes-alimentação atrasados dos rodoviários. A remuneração é referente ao mês de outubro e tinha que ser depositada até 5 de novembro. A promessa é de que o valor seja repassado aos empregados hoje. 

O diretor de Planejamento da Pioneira, Maurício Moreira, explicou que o governo garantiu repassar R$ 14 milhões à empresa até a quinta-feira da semana que vem. O valor se refere à operação branca do Expresso-DF, quando o BRT funcionou sem cobrança de tarifa para os passageiros. “Esse valor será usado para pagar a próxima folha de adiantamento dos empregados depositada todo dia 20 de cada mês”, esclareceu. O diretor-geral do DFTrans, Jair Tedeschi, confirmou que o montante de R$ 14 milhões será pago na próxima semana. “O dinheiro é proveniente do repasse do tesouro do GDF para o DFTrans. Isso é subsídio”, garantiu. Além do retorno da Viação Pioneira, motoristas e cobradores da cooperativa Alternativa também voltaram ao trabalho depois de o DFTrans repassar, ontem, R$ 63 mil à empresa. A cooperativa opera o transporte público de Brazlândia. 


Preciso entrar no trabalho às 14h, mas esses dias eu tenho chegado por volta das 15h30. Os veículos piratas chegam lotados e eu tenho medo, porque a gente nunca sabe se dá para confiar. Mas não tenho outra alternativa”

Karen Rodrigues, 
moradora do Paranoá

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