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ARTE NO TJDFT » Poesias e fotos em mostra sobre Brasília


Por: Luiz Calcagno - Correio Braziliense
Publicação: 19/11/2014 

 (Arquivo Pessoal)
Os traços matemáticos de Brasília se convertem em letras, palavras e poesias na exposição fotográfica Brasília Poética, da arquiteta Luciana Jobim Navarro. As imagens estarão em exibição até o dia 28, no Espaço Desembargadora Lila Pimenta Duarte, no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). A autora fotografou pilotis, cobogós, ipês e outras árvores do cerrado, monumentos e o céu da cidade planejada por Lucio Costa. Para cada uma das imagens, ela escolheu um trecho de uma poesia de escritores brasilienses famosos, como Nicolas Behr, e outros menos conhecidos, como Romeu Jobim.

Caminhar pela mostra fotográfica é como fazer um passeio relâmpago por Brasília. A escala bucólica da cidade, os blocos, espaços e monumentos tradicionais e os versos trazem uma sensação de intimidade para o visitante. Uma foto da escadaria abarrotada de gente na Rodoviária do Plano Piloto, por exemplo, ganha um verso de Nicolas Behr como legenda: “Desço aos infernos pelas escadas rolantes de rodoviária de Brasília. Meu corpo boiando no óleo que ferve um pedaço do seu coração num pastel de carne.”

Em outra fotografia, em primeiro plano, raízes de árvores rompem o chão de um estacionamento. “Arrebenta o asfalto no estacionamento. Round em favor das árvores”, escreve Romeu Jobim. O casamento entre imagens e textos surgiu do trabalho final da exposição de Luciana. “Pesquisei a parte urbanística de Brasília. Tentei transformar a poesia em foto. Levo a memória do poeta para o fotógrafo. Depois, essa construção passa a fazer parte do imaginário do visitante. As imagens se relacionam com os textos. Escolhi os versos para fotografá-los”, explica a arquiteta.

Olhar diferente
Além da influência da família, Luciana conta que nasceu e cresceu em Brasília, e tenta mudar a percepção das pessoas de uma cidade fria e distante. “Fui criada na 308 Sul, uma quadra modelo. Com meu trabalho, tento retratar uma visão diferente do Plano Piloto. As pessoas têm mudado a visão sobre os espaços. Estão ocupando a cidade. E é isso que quero incentivar. Quero mostrar uma visão estética, como uma obra de arte, e não apenas o lugar em que você vive. Com a exposição, conseguimos criar uma relação mais forte entre o visitante e o lugar em que vivemos”, conclui.

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