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República do sigilo: banquem nossos segredos

Curiosamente os governos que se auto intitulam de orientação esquerdista, não importando qual o significado prático desse rótulo, guardam entre si, nítidas semelhanças. Quando o assunto  é a condução dos assuntos internos de seus respectivos países rezam pela mesma cartilha. Como irmãos siameses esses governos, por motivos óbvios, recorrem, sistematicamente, não só a ações do tipo patrimonialistas como ao uso do mecanismo do “sigilo de estado ” para esconder as ações dos olhos da opinião pública. 
         
Os motivos alegados para tanto “sigilismo” são sempre os  mesmos e falaciosos argumentos  da   “segurança nacional” ou do “segredo de estado”. Essas condutas, além de uma clara afronta aos princípios da República ,  levantam um véu de suspeitas , de toda a ordem, sobre os reais motivos que levam esses “patriotas” a esconder suas ações no baú dos segredos, longe da luz cristalina e ao  abrigo da verdade. Tal atitude, flagrantemente autoritária, tem sido a marca registrada nos últimos anos. 


Os episódios vão desde a blindagem de gente suspeita de descaminhos administrativos, que foram elevadas à categoria de ministros e, portanto, só passíveis de ação investigatória pelo Supremo, até aos episódios dos gastos com cartões corporativos, que foram imediatamente tornados sigilosos e , portanto, mantidos longe dos olhos dos cidadãos que , afinal, pagam a conta.  

Dentro desse esquema, chama a atenção a utilização do BNDES, que teve seu estatuto modificado justamente para se adequar internacionalmente a um conjunto de ações políticas e ideológicas  de  atendimento a ditaduras na África, na América do Sul e  no Caribe. 


Foi dentro dessas ações tornadas secretas que apareceu emprestado US$ 1 bilhão à ditadura cubana e US$ 5 bilhões à ditadura de Angola. Todos os detalhes dos empréstimos  só poderão chegar ao conhecimento do grande público em 2027. Da mesma forma a chegada ao Brasil e a instalação do dono de Cuba, Raul Castro, em residência Oficial do Governo, foram mantidos em sigilo e longe dos olhos dos eleitores e contribuintes.  

A sequência crescente de ações com a tarja SECRETO ou SIGILOSO é diretamente proporcional aos prejuízos que acarretam para o erário público, para a democracia e principalmente para as próximas gerações que terão que arcar com a conta de tantos procedimentos secretos.


Fonte: Blog do Ari Cunha, com Circe Cunha - Correio Braziliense - 23/07/2014

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