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SAÚDE » Cubano suspeito de abuso

Médico teria praticado atos libidinosos contra três grávidas em um posto de saúde de Luziânia. O profissional está afastado do cargo e, se confirmadas as acusações, ele deverá ser desligado do Programa Mais Médicos do governo federal. Posto de Saúde de Luziânia: local onde as três mulheres grávidas teriam sido abusadas pelo médico cubano.
Um médico cubano, vinculado ao programa Mais Médicos, do governo federal, está sendo investigado pela Polícia Civil de Goiás por supostos casos de violência sexual a três pacientes grávidas de Luziânia (GO). Os atos libidinosos teriam acontecido, no último dia 13, durante consultas de rotina das gestantes no Posto da Unidade Básica de Saúde, no bairro Parque Alvorada I. As vítimas, entre 19 e 21 anos, começaram a estranhar a atitude do generalista durante um exame de toque. No entanto, o procedimento que apenas atesta a dilatação do colo do útero dura, em média, poucos minutos. Mas nos três casos o exame foi feito por um período maior do que o normal com movimentos que despertaram a desconfiança das jovens.

Especialista em medicina general integral, o médico atua no município de Goiás, desde o fim de outubro do ano passado, com registro concedido pelo Ministério da Saúde. Após se sentirem incomodadas com a atitude do especialista, as jovens decidiram procurar a chefe da enfermaria do posto de saúde, no mesmo dia em que foram examinadas. A profissional que atua no cargo, há mais de sete anos, confirmou as irregularidades no procedimento. As vítimas foram instruídas a procurarem a Secretaria de Saúde e, desde que as denúncias chegaram ao conhecimento da prefeitura, há cerca de uma semana, o generalista foi afastado das atividades profissionais. 

Uma das vítimas, de 20 anos, que não quer ser identificada, conta que o médico pediu para que ela se deitasse em uma maca convencional e disse que iria conter o corrimento com os dedos. Grávida de sete meses, a paciente explica que chegou a reclamar de dor, mas os movimentos, segundo ela, duraram cerca de 10 minutos. “Senti vergonha, fiquei humilhada. Foi uma sensação horrível, pois confiei em um médico profissional e nunca imaginei que isso poderia acontecer”, lamenta. Uma paciente que também procurou a Polícia Civil passou pelo mesmo constrangimento. Grávida de seis meses, a jovem de 19 anos também foi examinada pelo médico, que atuou de forma semelhante. 

Depoimento


A Delegacia da Mulher instaurou inquérito para apurar o caso e o médico deve prestar depoimento à polícia às 9h de hoje. A delegada-chefe da unidade, Dilamar de Castro, explica que o profissional está sendo investigado por violação sexual mediante fraude, uma vez que as vítimas tinham relação de credibilidade com o especialista. “Ele abusou da confiança das pacientes com atos libidinosos. Ele agia sempre da mesma forma, mas quando as gestantes estavam acompanhadas dos maridos o comportamento dele era outro. Caso o médico não compareça ao depoimento, cabe solicitação de medidas cautelares à Justiça, que ainda serão estudadas”, afirma.

O secretário de Saúde de Luziânia, Watherson Roriz de Oliveira, garante que o médico permanecerá afastado das atividades até a conclusão das investigações. A pasta já instaurou uma sindicância para apurar as irregularidades e um processo administrativo também foi aberto para se verificar as possíveis responsabilidades. “Ele atuava na unidade de saúde da família e, lá, fazia atendimentos como generalista. O profissional não é ginecologista nem obstetra, mas oferece atendimento na atenção básica de saúde”, esclarece.

Na tarde de ontem, o Correio foi até ao prédio residencial do médico cubano em Luziânia, mas ele não quis comentar as acusações feitas pelas pacientes. O apartamento é dividido com outros dois médicos estrangeiros que atuam no município. A reportagem também flagrou um carro do Ministério da Saúde, sendo com um representante do governo federal, e  um médico da Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil (Opas), diante do edifício. Segundo eles, o ministério instaurou um processo disciplinar para apurar o comportamento do médico. Caso seja constatada conduta incorreta por parte profissional cubano, ele deverá ser desligado do programa.



Por: Isa Stacciarini - Correio Braziliense - 21-05-2014 

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