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TRANSPORTE PÚBLICO » Desrespeito ao usuário continua

Apenas sete trens do metrô circularam no início do dia, cinco a menos do que o determinado pela Justiça. Com poucos vagões, estação em Taguatinga ficou lotada de usuários e precisou ser fechada por 50 minutos. Governo confirmou o corte de ponto dos grevistas.
A Estação Praça do Relógio ficou abarrotada de usuários à espera de trens, na manhã de ontem: indignação e empurra-empurra.

Trens superlotados, empurra-empurra, indignação e revolta. Assim começou mais um dia de greve dos metroviários, ontem. Novamente, apenas sete carros circularam, e não 12, como foi determinado pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) — a multa é de R$ 50 mil por dia de descumprimento. Com a Estação Praça do Relógio, em Taguatinga, abarrotada de gente, a direção da Companhia do Metropolitano (Metrô-DF) determinou o fechamento dos portões por cerca de 50 minutos. A segurança foi reforçada no local para garantir o início das atividades. Do lado de fora, uma multidão tentava entender o motivo do trancamento dos acessos. Muitos desistiram e buscaram alternativas para chegar ao trabalho. Somente a partir das 12h30, os 12 trens previstos circularam. A Secretaria de Administração Pública confirmou, também ontem, o corte de ponto dos grevistas, de acordo com determinação do governador Agnelo Queiroz. O desconto deverá vir na folha de maio.

O fechamento da Estação Praça do Relógio foi permeada pela troca de acusações. O Sindicato dos Metroviários (SindMetrô) afirma que o Metrô fez manobra para acusá-los de terem descumprido a decisão judicial. Já a empresa garante que o SindMetrô impediu a entrada dos maquinistas, inviabilizando, assim, a circulação dos 12 trens. Na noite de ontem, o Metrô-DF enviou ao Correio imagens de câmera de segurança que supostamente mostram a interferência do sindicato na circulação dos trens, na última terça-feira (veja vídeo no site do Correio). 

No jogo de empurra, quem perdeu foi a população, mais uma vez. A diarista Lindalva Gomes, 40 anos, precisava seguir em direção à Estação Central. Foram mais de 40 minutos de espera até conseguir entrar em um vagão. “O governo deveria tomar alguma providência, não é possível isso. Toda semana, é um novo episódio dessa briga que não acaba e quem fica prejudicado somos nós, usuários”, reclamou Lindalva. Ela ainda relatou que, nos dias de greve, acaba ultrapassando o orçamento para o transporte. “Normalmente, gasto R$ 6. Com a greve, tenho que pegar ônibus e acabo gastando R$ 10 por dia, sem contar que acabo me atrasando para os compromissos”, afirmou a diarista.

Com a superlotação, a insegurança dos usuários para entrar nos trens aumentava a cada vez que um carro passava abarrotado. Isso era mais palpável para Francisco Rogildo da Silva, 33 anos. O supervisor de supermercado estava acompanhado da mulher, Claudiane dos Reis, 26, grávida de 9 meses. “Não dá para entrar nesses trens. Está muito lotado. A gente fica na expectativa de chegar algum menos cheio”, disse Francisco. A empregada doméstica, em fase final de gestação, sentia algumas contrações. “Eu fico com medo de me machucar, receber cotoveladas na barriga, afinal, já está quase na hora de o bebê nascer”, detalhou Claudiane.

Barreira
O Metrô-DF alega que, no início da manhã, um grupo de pessoas do Sindicato dos Metroviários teria colocado carros em frente ao complexo administrativo da empresa, em Águas Claras, a fim de impedir a entrada dos pilotos, que, sem conseguir trabalhar, voltaram para casa. A empresa ainda explicou que a estação em Taguatinga foi fechada por motivo de segurança. Ela foi reaberta após 50 minutos, e um trem vazio — o oitavo que começou a operar — embarcou os passageiros. O SindMetrô, contudo, nega qualquer manifestação ou ato para impedir a saída de trens. Para a diretora de assuntos jurídicos do sindicato, Tania Viana, tudo não passa de “manobras para jogar a população contra a gente”. 

A greve começou há 20 dias e chegou a ficar quatro dias suspensa para negociações. A categoria reivindica a correção das distorções salariais do plano de carreira, redução de jornada de oito para seis horas, reajuste salarial de 10% para todos os empregados, implantação do plano de previdência, além de mais segurança. Outra demanda dos trabalhadores é a implantação do plano de previdência.

As ações na Justiça para resolver o impasse continuam em andamento e sem decisões. O processo está no Ministério Público do Trabalho para parecer dos promotores. O TRT aguarda o retorno do processo entre hoje e amanhã. Os documentos serão analisados pelo relator, que vai julgar os pontos de negociação, já que ambas as partes não acordaram sobre um fim para a paralisação. 

Fique atento


Estações fechadas para embarque:
» 102 Sul
» 108 Sul
» 112 Sul
» Asa Sul
» Feira, no Guará
» Concessionárias, em Águas Claras
» Centro Metropolitano, em Taguatinga
» Taguatinga Sul
» Guariroba, em Ceilândia
» Samambaia Sul


POR: THIAGO SOARES - CORREIO BRAZILIENSE - 24/04/2014

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