O pedetista desistiu da candidatura ao GDF, após meio ano de negociações, para acompanhar o senador do PSB na corrida ao Buriti. A decisão, fechada na tarde de ontem, ainda será oficialmente comunicada à cúpula do PDT.
A meta da dupla, agora, é ampliar a aliança, agregando pré-candidatos como Toninho do PSol.
Seis meses depois de lançar a candidatura ao GDF, o deputado federal Reguffe (PDT) decidiu mudar de planos e anunciou, ontem, apoio ao senador Rodrigo Rollemberg (PSB). A união dos parlamentares para a disputa ao Palácio do Buriti era negociada desde o fim do ano passado, mas Reguffe hesitava em desistir. Com as definições recentes no cenário eleitoral — como o lançamento da chapa encabeçada por José Roberto Arruda (PR) —, o pedetista e Rollemberg chegaram, finalmente, a um acordo, depois de uma longa conversa ontem à tarde. Reguffe ainda não decidiu se será candidato a vice-governador ou ao Senado.
O lançamento de múltiplas chapas de esquerda, em caso de manutenção das candidaturas de Reguffe, de Rollemberg e também de Toninho do PSol, poderia beneficiar a direita, no pensamento deles. “Não dá para ter duas ou três candidaturas no mesmo campo. Seria uma irresponsabilidade com a cidade”, justifica o deputado federal pedetista. “Por isso, estou abrindo mão da candidatura para apoiar o Rodrigo”, explicou Reguffe ao Correio.
A aliança com Rollemberg na corrida ao Governo do Distrito Federal foi uma decisão pessoal de Reguffe, que ainda não fez um anúncio oficial à cúpula do PDT. O presidente nacional do partido, Carlos Lupi, tem pressionado dirigentes da legenda no DF para tentar forçar um apoio à reeleição de Agnelo Queiroz (PT). No plano nacional, o PDT sustentará a presidente Dilma Rousseff. Reguffe e o senador Cristovam Buarque se recusam a ficar ao lado de Agnelo, com quem romperam em 2011. Se houver uma intervenção do PDT no DF para impedir a aliança com o PSB, Reguffe deve se afastar da política e não será candidato a nada. A aliados, ele assegura que não voltará a fazer coligação com Agnelo Queiroz. Mas o deputado ainda aposta em um consenso do partido em torno da chapa encabeçada pelo senador do PSB.
Rodrigo Rollemberg comemorou a decisão de Reguffe. “É uma honra ter o apoio de Reguffe e também do Cristovam, que é a liderança maior do nosso campo e um exemplo para nós. A aliança é fruto de um longo processo, que começou no ano passado. Durante as conversas, ficaram claras a nossa afinidade programática e a necessidade de unir as forças de bem da cidade na construção de políticas públicas ousadas e inovadoras”, explica Rollemberg.
O próximo passo da dupla será aumentar o leque de alianças para ampliar o tempo de tevê. Rollemberg e Reguffe juntos têm apenas 1 minuto e 50 segundos. Agnelo, por exemplo, terá quase 10 minutos. Os dois garantem que a próxima aliança prioritária será com o PSol, de Toninho e Maria José Maninha. O partido, entretanto, pode oferecer resistência. Além disso, Rollemberg tem conversado com representantes de outras legendas, como Solidariedade e PPS.
No início de outubro, o PDT anunciou a pré-candidatura de Reguffe, durante uma reunião do partido que contou com a presença de novos filiados. Depois de oficializar a decisão, ele recebeu suporte de personalidades importantes, como a ex-senadora Marina Silva. Apesar de ter migrado para o PSB, partido de Rollemberg, Marina garantiu apoio à candidatura de Reguffe. A proximidade entre os dois aumentou durante a coleta de assinaturas para a fundação da Rede Sustentabilidade, partido da ex-senadora.
Durante a silenciosa queda de braço travada entre Reguffe e Rollemberg até a oficialização da aliança, o pedetista alegou que estava mais bem colocado nas pesquisas e, por isso, não queria abrir mão da cabeça de chapa. O senador do PSB, por sua vez, não cogitava desistir da candidatura porque o PSB já vinha preparando o programa de governo há mais de 15 meses. Além disso, como ainda tem mais quatro anos de mandato, Rollemberg não considerava a possibilidade de ser vice.
A decisão de Reguffe terá impactos também na aliança em torno da candidatura de Agnelo Queiroz. O governador adiou um posicionamento sobre o candidato ao Senado da chapa porque ainda sonhava com a presença de Reguffe em seu palanque. O PT tem dois pré-candidatos a concorrer ao posto: Geraldo Magela e Chico Leite. Além disso, outros integrantes da base aliada, que tem 17 partidos, reivindicam a chance. Os apoiadores de Agnelo alegam que a escolha de um postulante a senador do PT afastaria partidos da aliança. Na coligação, cresce a pressão pela escolha de um candidato ao Senado de perfil evangélico.
Personagem da notícia. O deputado mais votado
A entrada de Reguffe na vida política foi gradual. Formado em economia e em jornalismo, o ex-líder estudantil decidiu concorrer a deputado distrital pela primeira vez em 1998, pelo PSDB. Sem recursos, ficou conhecido ao percorrer sozinho bares, escolas e universidades, distribuindo panfletos. As bandeiras principais eram de caráter ético, como abrir mão dos salários extras e reduzir os gastos com verba de gabinete.
Na primeira tentativa, não conquistou o mandato, mas conseguiu 4.262 votos. Em 2002, com as mesmas táticas de campanha, ele voltou a concorrer, agora pelo PPS. Mais uma vez, ficou como suplente, mas aumentou expressivamente a votação, chegando a 10.169 votos. Reguffe só obteve sucesso em 2006: com 25.805 votos, a terceira maior entre os eleitos, conquistou seu primeiro mandato.
Em 2010, embalado pela popularidade de seu trabalho como distrital, Reguffe chegou ao topo da carreira política: com 266.465 votos, foi o deputado federal proporcionalmente mais bem votado em todo o país. Ao todo, 18,95% dos eleitores do DF escolheram o pedetista. Para isso, gastou somente R$ 143 mil na campanha — o menor gasto entre os deputados federais eleitos pelo DF nas eleições passadas. (HM)
Por; Helena Mader - Correio Braziliense - 04/04/2014 - 06:10 Hs
A meta da dupla, agora, é ampliar a aliança, agregando pré-candidatos como Toninho do PSol.
Seis meses depois de lançar a candidatura ao GDF, o deputado federal Reguffe (PDT) decidiu mudar de planos e anunciou, ontem, apoio ao senador Rodrigo Rollemberg (PSB). A união dos parlamentares para a disputa ao Palácio do Buriti era negociada desde o fim do ano passado, mas Reguffe hesitava em desistir. Com as definições recentes no cenário eleitoral — como o lançamento da chapa encabeçada por José Roberto Arruda (PR) —, o pedetista e Rollemberg chegaram, finalmente, a um acordo, depois de uma longa conversa ontem à tarde. Reguffe ainda não decidiu se será candidato a vice-governador ou ao Senado.
O lançamento de múltiplas chapas de esquerda, em caso de manutenção das candidaturas de Reguffe, de Rollemberg e também de Toninho do PSol, poderia beneficiar a direita, no pensamento deles. “Não dá para ter duas ou três candidaturas no mesmo campo. Seria uma irresponsabilidade com a cidade”, justifica o deputado federal pedetista. “Por isso, estou abrindo mão da candidatura para apoiar o Rodrigo”, explicou Reguffe ao Correio.
A aliança com Rollemberg na corrida ao Governo do Distrito Federal foi uma decisão pessoal de Reguffe, que ainda não fez um anúncio oficial à cúpula do PDT. O presidente nacional do partido, Carlos Lupi, tem pressionado dirigentes da legenda no DF para tentar forçar um apoio à reeleição de Agnelo Queiroz (PT). No plano nacional, o PDT sustentará a presidente Dilma Rousseff. Reguffe e o senador Cristovam Buarque se recusam a ficar ao lado de Agnelo, com quem romperam em 2011. Se houver uma intervenção do PDT no DF para impedir a aliança com o PSB, Reguffe deve se afastar da política e não será candidato a nada. A aliados, ele assegura que não voltará a fazer coligação com Agnelo Queiroz. Mas o deputado ainda aposta em um consenso do partido em torno da chapa encabeçada pelo senador do PSB.
Rodrigo Rollemberg comemorou a decisão de Reguffe. “É uma honra ter o apoio de Reguffe e também do Cristovam, que é a liderança maior do nosso campo e um exemplo para nós. A aliança é fruto de um longo processo, que começou no ano passado. Durante as conversas, ficaram claras a nossa afinidade programática e a necessidade de unir as forças de bem da cidade na construção de políticas públicas ousadas e inovadoras”, explica Rollemberg.
O próximo passo da dupla será aumentar o leque de alianças para ampliar o tempo de tevê. Rollemberg e Reguffe juntos têm apenas 1 minuto e 50 segundos. Agnelo, por exemplo, terá quase 10 minutos. Os dois garantem que a próxima aliança prioritária será com o PSol, de Toninho e Maria José Maninha. O partido, entretanto, pode oferecer resistência. Além disso, Rollemberg tem conversado com representantes de outras legendas, como Solidariedade e PPS.
No início de outubro, o PDT anunciou a pré-candidatura de Reguffe, durante uma reunião do partido que contou com a presença de novos filiados. Depois de oficializar a decisão, ele recebeu suporte de personalidades importantes, como a ex-senadora Marina Silva. Apesar de ter migrado para o PSB, partido de Rollemberg, Marina garantiu apoio à candidatura de Reguffe. A proximidade entre os dois aumentou durante a coleta de assinaturas para a fundação da Rede Sustentabilidade, partido da ex-senadora.
Durante a silenciosa queda de braço travada entre Reguffe e Rollemberg até a oficialização da aliança, o pedetista alegou que estava mais bem colocado nas pesquisas e, por isso, não queria abrir mão da cabeça de chapa. O senador do PSB, por sua vez, não cogitava desistir da candidatura porque o PSB já vinha preparando o programa de governo há mais de 15 meses. Além disso, como ainda tem mais quatro anos de mandato, Rollemberg não considerava a possibilidade de ser vice.
A decisão de Reguffe terá impactos também na aliança em torno da candidatura de Agnelo Queiroz. O governador adiou um posicionamento sobre o candidato ao Senado da chapa porque ainda sonhava com a presença de Reguffe em seu palanque. O PT tem dois pré-candidatos a concorrer ao posto: Geraldo Magela e Chico Leite. Além disso, outros integrantes da base aliada, que tem 17 partidos, reivindicam a chance. Os apoiadores de Agnelo alegam que a escolha de um postulante a senador do PT afastaria partidos da aliança. Na coligação, cresce a pressão pela escolha de um candidato ao Senado de perfil evangélico.
Personagem da notícia. O deputado mais votado
A entrada de Reguffe na vida política foi gradual. Formado em economia e em jornalismo, o ex-líder estudantil decidiu concorrer a deputado distrital pela primeira vez em 1998, pelo PSDB. Sem recursos, ficou conhecido ao percorrer sozinho bares, escolas e universidades, distribuindo panfletos. As bandeiras principais eram de caráter ético, como abrir mão dos salários extras e reduzir os gastos com verba de gabinete.
Na primeira tentativa, não conquistou o mandato, mas conseguiu 4.262 votos. Em 2002, com as mesmas táticas de campanha, ele voltou a concorrer, agora pelo PPS. Mais uma vez, ficou como suplente, mas aumentou expressivamente a votação, chegando a 10.169 votos. Reguffe só obteve sucesso em 2006: com 25.805 votos, a terceira maior entre os eleitos, conquistou seu primeiro mandato.
Em 2010, embalado pela popularidade de seu trabalho como distrital, Reguffe chegou ao topo da carreira política: com 266.465 votos, foi o deputado federal proporcionalmente mais bem votado em todo o país. Ao todo, 18,95% dos eleitores do DF escolheram o pedetista. Para isso, gastou somente R$ 143 mil na campanha — o menor gasto entre os deputados federais eleitos pelo DF nas eleições passadas. (HM)
Por; Helena Mader - Correio Braziliense - 04/04/2014 - 06:10 Hs

