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DF: URGE RESPONDER ÀS CARÊNCIAS

Os problemas de infraestrutura do Distrito Federal não nasceram hoje. Vêm-se acumulando ao longo dos anos. Brasília, paradoxalmente, paga tributo à idade. Os governantes que se sucederam davam a impressão de que não precisavam investir na ampliação da oferta de água, energia, mobilidade, segurança. Sem levar em conta a bomba demográfica que se armava, administração após administração se concentraram em ações pontuais. 

Resultado: aos 54 anos, a capital do Brasil acumula problemas semelhantes aos observados em urbes quatrocentonas como São Paulo e Rio de Janeiro. O congestionamento de trânsito, inimaginável há menos de uma década, atormenta a vida dos brasilienses. Antes, a dificuldade de locomoção se concentrava em horários de pico. Agora, independentemente da hora ou do itinerário, a concentração de veículos impede o ir e vir.

A greve dos metroviários transformou as ruas em caos. Sem ônibus aptos a compensar os vagões parados, moradores do sul do DF foram obrigados a recorrer ao transporte individual. O congestionamento se transformou em pandemônio. Além do excesso de carros, contribuem para a desorganização generalizada os descasos acumulados. A falta de semáforos inteligentes, por exemplo, forma longas e evitáveis filas. A faixa da EPTG exclusiva para ônibus continua sem uso. A precária drenagem da pista e o estreitamento da via nos viadutos antigos põem em risco a vida dos motoristas. 

Energia e água são outro calcanhar de aquiles. Sem olhar de frente para a escassez que teimava em se manifestar, os governos optaram por cortes seletivos. Regiões menos favorecidas sofriam cada vez mais frequentes quedas no fornecimento. O agravamento da crise impôs a ampliação dos limites. Áreas nobres passaram a sofrer blecautes e falta de água. A situação piora dia após dia. 

Na noite de quarta-feira, por exemplo, a chuva que caiu sobre o Plano Piloto alagou as tesourinhas e deixou a Asa Norte às escuras durante quatro horas. Bares, restaurantes, escolas precisaram interromper as atividades. Perderam-se alimentos, remédios e aparelhos eletrônicos. O prejuízo se somou aos tantos causados por tantos apagões anteriores. E se somará aos muitos que virão caso providências efetivas não forem concretizadas.

Bancar o avestruz não mais é possível. Impõem-se providências aptas a corrigir as deficiências de infraestrutura que afligem o Distrito Federal. Medidas de curto, médio e longo prazo têm de ser traçadas e levadas avante. Muitas, como a sincronia dos semáforos, não necessitam de obras. Necessitam, sim, de vontade e foco. Campanhas de incentivo ao uso racional da água e da energia não podem esperar. Tampouco a oferta de transporte público de qualidade. Sem respostas urgentes, pode-se perguntar: Brasília chegará à idade de São Paulo? 



"Visão" : Correio Braziliense - 11/04/2014

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