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NON SEQUITUR

A expressão latina, significando a desconexão entre a premissa e sua conclusão, traduz com exatidão o que vem sendo feito na capital do país, por conta da insistência dos políticos locais em empurrarem, goela abaixo, um puxadinho tosco em forma de projeto urbano. Nem a pomposidade do título que dá nome ao plano (PPCub) consegue esconder as armadilhas que se anunciam para o futuro da cidade. 

A total falta de senso de prioridade, numa cidade que envelhece precocemente, por conta do abandono, já desqualifica, de saída, qualquer tentativa de modificações, não apenas na área tombada, mas também em seu entorno imediato. São poucos os parlamentares que levantam a voz sobre o assunto. Reguffe, que busca votos pelo que faz e não pelo que promete, é um deles. Foi ele quem tocou pela primeira vez no problema que Brasília enfrenta. 

Quando era distrital, votou contra o Pdot e criticou duramente a construção de mais uma quadra no Sudoeste, de comércio no Eixo Monumental e da 901 Norte. Como todos os brasilienses, ele defende um plano para a cidade. Mas que antes de tudo tenha como objetivo a qualidade de vida dos moradores, não os interesses comerciais da especulação imobiliária. 

É um absurdo tratar de assunto técnico e sério por meio de um Conselho de Planejamento sem técnicos urbanistas ou estudiosos da questão. É um disparate que expõe para a população o elevado grau de improvisação na gestão da cidade. Há ameaça, inclusive, para a qualidade de vida das próximas gerações. Fariam melhor os ocupantes do Palácio do Buriti se cuidassem do abandono dos postos comunitários de segurança, que, por ironia do destino, estão se transformando em abrigos de delinquentes. 

Ou se dessem uma solução definitiva para a Rodoviária do Plano Piloto. Que tal se os conselheiros obedientes do Conplan percorressem juntos, dentro dos mesmos ônibus oferecidos à população, o trecho das avenidas W3 Sul e Norte? Um simples rolezinho por essas outroras importantes áreas de comércio daria trabalho, por muitos anos, a Suas Excelências. 

Coluna "Visto, lido e ouvido" - Ari Cunha - Circe Cunha - Correio Braziliense 


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