Organizadores de blocos de rua reclamam da dificuldade em conseguir apoio para ter segurança e estrutura adequadas. Segundo eles, falta comunicação entre a Secretaria de Cultura e a Administração de Brasília.
Juliana Andrade, proprietária do Café Balaio e idealizadora do bloco Perseguidas da Asa Norte, lamenta a falta de interesse da administração pública em facilitar a saída dos blocos. Ela conta que os organizadores do Perseguidas procuraram a Secretaria de Cultura para conseguir o chamado “kit de carnaval”, que consiste na montagem de palco, estrutura de som, tendas e banheiros químicos. Deram entrada no pedido, mas, até agora, a menos de duas semanas do feriado, não há nada confirmado.
“Além disso, não existe uma política ampla para o carnaval na cidade. Os órgãos não conversam entre si, a gente tem que ir de um em um para conseguir autorizações e apoios diferentes. Infelizmente, esbarramos na burocracia”, afirma. No ano passado, o debute do Perseguidas reuniu 600 pessoas na 202 Norte. No último domingo, o bloco fez um pré-carnaval que atraiu a mesma quantidade de foliões. A expectativa é de que, no sábado de carnaval, o público seja ainda maior. “O fato é que o carnaval de Brasília está se consolidando e cabe às autoridades planejarem e organizarem isso”, arremata Juliana.
Mudança de local
Sucesso de público em 2013, o irreverente Babydoll de Nylon colocou 5 mil pessoas no balão da 202 Sul. Quando os foliões de lá se encontraram com o seguidores do Galinho de Brasília, frevo das ruas há 22 anos, a multidão ultrapassou 10 mil pessoas. Por isso, a Administração de Brasília procurou os idealizadores do Babydoll para propor a mudança de local em 2014. Neste ano, os homens de pijama dançarão o sucesso de Robertinho do Recife, que batiza o bloco, na praça do Cruzeiro, no sábado de carnaval.
Rosely Yousef, uma das organizadoras do grupo, explica que a questão do espaço foi resolvida com a administração, mas falta ainda confirmar a participação e a intervenção de órgãos como a Polícia Militar, o Departamento de Trânsito (Detran) e o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad). “A administração nos ajudou com a questão do local, e mandamos ofícios para eles para a limpeza e o fechamento das ruas. Não recebemos recursos. Por exemplo, para pagar o Ecad, é pesado”, afirma. Segundo ela, a Secretaria de Cultura não os procurou nem foi procurada pelos organizadores.
Criado este ano, o bloco Essa boquinha eu já beijei também enfrenta dificuldades. “É muito burocrático. É preciso de autorizações de vários órgãos, como Administração Regional, Secretaria de Segurança Pública, Detran e Secretaria da Criança. São vários documentos, protocolos. Se faltar um, a festa não pode ser realizada”, reclama a produtora Patrícia Egito.
Divergência
A peregrinação em busca de autorizações, documentos e apoio do governo para um carnaval independente mais bem produzido não terminará nesta edição da folia. Os setores do GDF que atendem os blocos divergem com relação às responsabilidades. Na Secretaria de Cultura, o coordenador do carnaval de Brasília, Dorival Brandão, explica que não tem poder de concessão de área. Segundo ele, essa função é da administração regional. Portanto, segundo Barbosa, caberia à pasta indicar todos os documentos necessários e, se possível, articular com a Polícia Militar, a Secretaria da Criança e outros órgãos a emissão das permissões.
Já a Administração Regional de Brasília, por meio da assessoria de imprensa, informou que essa articulação com outros setores do governo caberia à Secretaria de Cultura. Ainda segundo a administração, a liberação das licenças para os blocos independentes é rápida. O órgão apenas confere as autorizações da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil, da Secretaria da Criança e do Detran, e emite a permissão para a folia.
Verba pública
O Governo do Distrito Federal desembolsou R$ 13,1 milhões para o carnaval brasiliense. Do valor disponibilizado, o GDF destinou R$ 5,9 milhões para as escolas de samba, R$ 1,6 milhão para os blocos tradicionais, R$ 5 milhões para estruturas e R$ 650 mil para contratações artísticas. Os blocos independentes não contam com o apoio financeiro dos cofres públicos.
POR: » ARIADNE SAKKIS » LUIZ CALCAGNO » GUSTAVO SCHUABB - Correio Braziliense - 18/02
Não faz muito tempo, o feriado de carnaval significava aeroporto mais cheio do que as ruas da capital brasileira. De uns anos para cá, a crônica da folia na cidade vem sendo escrita de outro jeito. Brasilienses fundaram blocos, que, alinhados aos grupos tradicionais da cidade, transformam a cara dos festejos no Distrito Federal. No entanto, os organizadores reclamam da falta de apoio do governo e dos entraves burocráticos para proporcionar aos foliões uma diversão segura e com infraestrutura adequada.
Juliana Andrade, proprietária do Café Balaio e idealizadora do bloco Perseguidas da Asa Norte, lamenta a falta de interesse da administração pública em facilitar a saída dos blocos. Ela conta que os organizadores do Perseguidas procuraram a Secretaria de Cultura para conseguir o chamado “kit de carnaval”, que consiste na montagem de palco, estrutura de som, tendas e banheiros químicos. Deram entrada no pedido, mas, até agora, a menos de duas semanas do feriado, não há nada confirmado.
“Além disso, não existe uma política ampla para o carnaval na cidade. Os órgãos não conversam entre si, a gente tem que ir de um em um para conseguir autorizações e apoios diferentes. Infelizmente, esbarramos na burocracia”, afirma. No ano passado, o debute do Perseguidas reuniu 600 pessoas na 202 Norte. No último domingo, o bloco fez um pré-carnaval que atraiu a mesma quantidade de foliões. A expectativa é de que, no sábado de carnaval, o público seja ainda maior. “O fato é que o carnaval de Brasília está se consolidando e cabe às autoridades planejarem e organizarem isso”, arremata Juliana.
Mudança de local
Sucesso de público em 2013, o irreverente Babydoll de Nylon colocou 5 mil pessoas no balão da 202 Sul. Quando os foliões de lá se encontraram com o seguidores do Galinho de Brasília, frevo das ruas há 22 anos, a multidão ultrapassou 10 mil pessoas. Por isso, a Administração de Brasília procurou os idealizadores do Babydoll para propor a mudança de local em 2014. Neste ano, os homens de pijama dançarão o sucesso de Robertinho do Recife, que batiza o bloco, na praça do Cruzeiro, no sábado de carnaval.
Rosely Yousef, uma das organizadoras do grupo, explica que a questão do espaço foi resolvida com a administração, mas falta ainda confirmar a participação e a intervenção de órgãos como a Polícia Militar, o Departamento de Trânsito (Detran) e o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad). “A administração nos ajudou com a questão do local, e mandamos ofícios para eles para a limpeza e o fechamento das ruas. Não recebemos recursos. Por exemplo, para pagar o Ecad, é pesado”, afirma. Segundo ela, a Secretaria de Cultura não os procurou nem foi procurada pelos organizadores.
Criado este ano, o bloco Essa boquinha eu já beijei também enfrenta dificuldades. “É muito burocrático. É preciso de autorizações de vários órgãos, como Administração Regional, Secretaria de Segurança Pública, Detran e Secretaria da Criança. São vários documentos, protocolos. Se faltar um, a festa não pode ser realizada”, reclama a produtora Patrícia Egito.
Divergência
A peregrinação em busca de autorizações, documentos e apoio do governo para um carnaval independente mais bem produzido não terminará nesta edição da folia. Os setores do GDF que atendem os blocos divergem com relação às responsabilidades. Na Secretaria de Cultura, o coordenador do carnaval de Brasília, Dorival Brandão, explica que não tem poder de concessão de área. Segundo ele, essa função é da administração regional. Portanto, segundo Barbosa, caberia à pasta indicar todos os documentos necessários e, se possível, articular com a Polícia Militar, a Secretaria da Criança e outros órgãos a emissão das permissões.
Já a Administração Regional de Brasília, por meio da assessoria de imprensa, informou que essa articulação com outros setores do governo caberia à Secretaria de Cultura. Ainda segundo a administração, a liberação das licenças para os blocos independentes é rápida. O órgão apenas confere as autorizações da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil, da Secretaria da Criança e do Detran, e emite a permissão para a folia.
Verba pública
O Governo do Distrito Federal desembolsou R$ 13,1 milhões para o carnaval brasiliense. Do valor disponibilizado, o GDF destinou R$ 5,9 milhões para as escolas de samba, R$ 1,6 milhão para os blocos tradicionais, R$ 5 milhões para estruturas e R$ 650 mil para contratações artísticas. Os blocos independentes não contam com o apoio financeiro dos cofres públicos.

