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Operação Átrio: Escutas complicam vida de ex-gestores.

O relatório policial revela que o ex-vice-governador do DF Paulo Octávio exercia forte influência dentro da administração de Taguatinga, determinando como deveriam ser realizados os processos envolvendo seus empreendimentos.

Policiais guardam a Administração de Taguatinga no dia da operação: contas pagas por empresário (Ed Alves/CB/D.A Press)
Policiais guardam a Administração de Taguatinga no dia da operação: contas pagas por empresário

Jales, de Taguatinga, teria 
recebido dinheiro de Luiz Bezerra (Administração Regional de Taguatinga/Divulgação)
Jales, de Taguatinga, teria recebido dinheiro de Luiz Bezerra

Sidney, de Águas Claras, foi visto divindo quantia com colega  (dfaguasclaras.com.br/CB/CB/Reprodução/D.A Press)
Sidney, de Águas Claras, foi visto divindo quantia com colega
As prisões temporárias dos ex-administradores de Taguatinga e de Águas Claras vencem neste fim de semana. Apesar de estarem próximos de ganhar a liberdade, provas colhidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) devem complicar a situação dos ex-gestores na Justiça. Escutas e imagens demonstram a relação entre eles e empresários que estariam sendo beneficiados pelo esquema de concessão irregular de alvarás de construção. Carlos Alberto Jales e Carlos Sidney de Oliveira são suspeitos de receber propina para autorizar, com rapidez, a documentação de grandes empreendimentos erguidos em Taguatinga e em Águas Claras. 

Imagens do circuito de monitoramento de um shopping em Águas Claras flagraram Jales recebendo dinheiro do empresário Luiz Bezerra — diretor da LB Valor Engenharia, que tem pelo menos duas construções em andamento em Taguatinga. Em seguida, a quantia é dividida com Sidney — como teria sido feito em outras ocasiões. Toda a ação foi registrada e anexada ao inquérito que resultou na Operação Átrio, há oito dias. A troca de “favores e presentes” entre Jales e Bezerra era tamanha, segundo as investigações, que o empresário pagou diversas contas com altos valores para o então administrador de Taguatinga.

A ingerência dos ex-administradores, exonerados no dia da operação, é confirmada também nas escutas telefônicas autorizadas pela Justiça. O relatório policial revela que o empresário e ex-vice-governador do DF Paulo Octávio exercia forte influência dentro da administração de Taguatinga, determinando como deveriam ser realizados os processos envolvendo seus empreendimentos — entre eles o JK Shopping & Tower, previsto para ser inaugurado amanhã. 


Prisões
Afastados do cargo após a operação da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Deco) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPDFT, Carlos Jales e Carlos Sidney continuam presos temporariamente. Sidney foi beneficiado com a prisão domiciliar em um sítio dele em Brazlândia. Permanecerá sob escolta policial até a meia-noite de domingo. Jales está no Departamento de Polícia Especializada (DPE) e a prisão temporária dele vence na madrugada de segunda-feira, já que ele fugiu antes da operação e só se apresentou um dia depois. 
Com a suspeita contra os ex-gestores, as duas administrações comandadas por eles estão continuam sem gestores. A responsabilidade de escolher os novos nomes é do governador do DF, Agnelo Queiroz. Mas, passados oito dias, o Governo do Distrito Federal ainda não definiu quem serão os próximos administradores. 

Duas semanas
Em 2011, o Ministério Público do DF e Territórios solicitou que a Polícia Civil apurasse irregularidades na concessão de alvarás na Administração de Taguatinga. Durante a investigação, foi descoberto que pelo menos seis empreendimentos residenciais e comerciais foram erguidos com alvarás concedidos em até duas semanas, sem que fossem feitos estudos de impactos, entre outras irregularidades. Doze empresários e comerciantes também foram levados à delegacia para prestarem esclarecimentos.

(Fonte: Kelly Almeida-Correio Braziliense - 15/11/2013)

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