O primeiro confronto direto entre Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), transmitido na noite deste domingo (19) pela TV Bandeirantes, expôs profundas diferenças entre os candidatos e desfilou fortes trocas de acusações. Levado às urnas no domingo seguinte (25), este embate submeterá ao Brasil, pela segunda vez, à escolha de rumos opostos.
Em três blocos de perguntas formuladas pela emissora e pelos próprios candidatos, Lula e Flávio não deixaram de cobrar um do outro esclarecimentos para questões polêmicas e atribuir mentiras nas respostas. Sem a vantagem do favoritismo, Lula partiu para o ataque, tentando explorar episódios associados a Flávio, que evitou embarcar em armadilhas.
O rival do presidente preferiu expôr logo de cara as fragilidades do governo petista com casos de corrupção, endividamento das famílias, violência urbana em ascensão e ligação com ditaduras. O tom irônico de Flávio com contradições e as cobranças reiteradas de Lula mostraram a disposição dos dois para não deixar o ringue de esquerda contra dirieta até impor desgastes.
As propostas de plano de governo ficaram em segundo plano no confronto que dominou o programa de elevada audi}encia. Um Lula tentando desqualificar Flávio como candidato presidencial e um Flávio se postando como arauto de novo tempo, movido por votos da mudança, preencheram o debate. O saldo é de tensões que sobressaem discursos.
Candidatos investem no desgaste do adversário e ampliam polarização: A política de Jair Bolsonro para lidar com a pandemia, o histórico de corrupção de adminstrações petistas e posições em votações no Congresso foram temas abordados no debate. Os candidatos expuseram números e propostas, mas a tônica de suas falas parece ter rendido mais efeito. Lula insistiu em associar Flávio a um entreguismo aos Estados Unidos. Flávio acentuou o fracasso de Lunas nas entregas ao longo de 20 anos.
Enquanto Flávio procurou explorar os clamores populares por segurança pública e por melhora do poder de compra não correspondidos pelo atual governo, Lula investiu no retrato preconceituoso de um movimento resumido no termo bolsonarismo. O presidente tentou ainda colar no adversário a imagem de elitista, distante da realidade da maioria da população.
Na entrevista antes do início, Flávio descreveu o tom de sua performance, comparando nomes de equipes e apoiadores. "Governaremos com mais Danis (Daniella Marques, conselheira econômica) e Tarcísios (Tarcísio de Freitas,governador de São Paulo) e não Haddads (Ferrnando Haddad, ex-ministro da Fazenda) e Dilmas (Dilma Rousseff, ex-presidente)".
Lula tentou exibir experiência e postura moderada e institucional, apelando pela civilidade e pelo "alto nível" do confronto. O fato é que o presidente chegou ao estúdio sob o impacto da entrevista exibida na noite anterior à CNN da lobista Roberta Luchsinger, implicando o presidente e o filho Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, em casos de tráfico de influência.
Entrevistas e ensaios para debate, luta pelas ruas e choques de expectativas: As entrevistas na TV Globo serviram de ensaio para o primeiro confronto televisivo dos rivais. Lula adotou tom menos agressivo que no primeiro turno e acenou a pautas da direita, como a redução da maioridade penal. O movimento sugeria tentativa de diminuir resistências além de sua base.
Já Flávio investiu em ataques a Lula e reagiu às acusações que cercam sua candidatura, vindas de adversários e de outras frentes. A postura combinou defesa do próprio histórico e ofensiva contra o governo, antecipando um duelo em que propostas disputam espaço com rejeições pessoais.
Os rivais também buscaram públicos estratégicos e estenderam às ruas a batalha das redes sociais. Mobilizações, carreatas e comícios deram expressão física ao confronto digital. Mais que exibir força, os atos visaram converter engajamento em votos e reduzir a abstenção na reta final.
As promessas de Lula, apoiadas na máquina federal, reforçaram o viés populista de sua reação eleitoral. Flávio, por sua vez, procurou moderar o otimismo diante de novos apoios e das apostas do mercado em sua vitória. Administrar expectativas tornou-se parte da disputa, ainda sem desfecho.
Sílvio Ribas - (Foto: Fotomontagem/Gazeta do Povo - Beto Barata/Campanha PL e Ricardo Stuckert/Campanha PT)
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