A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro teve sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal oficializada neste domingo (2), durante a convenção do PL-DF, realizada no Parque da Cidade, em Brasília. A homologação confirma sua entrada na primeira disputa eleitoral desde que ganhou renome nacional durante o governo de Jair Bolsonaro.
O partido também oficializou a deputada federal Bia Kicis como candidata ao Senado. As duas serão a aposta do PL para as duas cadeiras que estarão em disputa no Distrito Federal. A legenda decidiu ainda apoiar a reeleição da governadora Celina Leão (PP), cuja candidatura foi confirmada também neste domingo pela federação União Progressista.
A confirmação de Michelle já havia sido antecipada por Bia Kicis no sábado (1º), durante o lançamento de sua própria candidatura. Na ocasião, a presidente do PL-DF afirmou que Michelle, Bia e Celina caminhariam juntas nas eleições deste ano. Michelle não participou do evento de sábado porque fazia tratamento em um hospital contra uma dor de cabeça persistente.
A candidatura encerra semanas de incerteza sobre o futuro eleitoral da ex-primeira-dama. Embora o ex-presidente Jair Bolsonaro já tivesse indicado, em fevereiro, uma chapa formada por Michelle e Bia Kicis, a possibilidade de desistência voltou a ser discutida depois do agravamento das divergências internas na família e no partido.
A crise ganhou dimensão pública em junho, quando Michelle afirmou ter sido maltratada e desrespeitada pelo enteado Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência. Ela criticou uma articulação do partido para apoiar Ciro Gomes na disputa pelo governo do Ceará. Dias depois, Michelle deixou a Presidência nacional do PL Mulher e suscitou dúvida sobre sua candidatura ao Senado.
Flávio pediu desculpas publicamente e convidou Michelle a participar de sua campanha. A ex-primeira-dama aceitou o pedido e enviou um novo vídeo à convenção nacional do PL, realizada em 25 de julho, no qual declarou apoio à candidatura presidencial do enteado. A reaproximação teve a participação de dirigentes do partido e de aliadas como Celina Leão e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
Natural de Ceilândia (DF), Michelle foi primeira-dama entre 2019 e 2022 e construiu sua atuação política principalmente entre o eleitorado feminino e evangélico.
Ela não participou da convenção deste domingo. Em uma carta enviada ao evento, afirmou que enfrenta há mais de dez dias uma enxaqueca “incessante e aguda”, que não respondeu aos medicamentos. Ela contou que foi internada no sábado, depois de não conseguir mais suportar a dor, e afirmou que seu corpo “precisou parar”.
Na mensagem, Michelle confirmou que aceitou disputar o Senado, declarou apoio à chapa formada por Flávio Bolsonaro, Celina Leão e Bia Kicis e disse que pretende levar ao mandato a atuação voltada a pessoas vulneráveis que desenvolveu como primeira-dama. Ela também agradeceu ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, pelo incentivo para que concorresse.
Veja a íntegra da carta: Boa noite, povo do meu amado Distrito Federal.
Eu gostaria muito de estar aí com vocês, mas faz mais de dez dias que estou com enxaqueca incessante e aguda. Estava tomando medicamentos, mas isso não resolveu. Ontem, não consegui mais suportar e fui para o hospital, onde fiquei internada. Meu corpo precisou parar. Mas o meu compromisso com vocês não parou.
Eu não poderia deixar este dia passar em silêncio. Porque esta não é apenas mais uma convenção. É o começo de uma caminhada para devolver esperança, segurança, liberdade e futuro ao nosso povo.
Eu sou da Ceilândia. Sou filha desta terra. E há quase vinte anos sou a esposa de um homem que o Brasil conhece muito bem: Jair Bolsonaro.
Meu galego respira política e é a maior liderança da direita brasileira. Mas, embora um político tenha entrado amorosamente em minha vida, a política só começou a fazer sentido pra mim há alguns anos, quando ele me disse “Mi, o povo só vai se interessar pela política, quando eles tiverem noção de que até o botijão de gás que eles usam passa pelo Congresso”.
Eu guardei esse ensinamento. Foi então que eu entendi: política não é algo distante. A política entra na casa da gente. Pesa no bolso. Protege ou abandona. Abre portas ou fecha caminhos.
A partir de 2019, quando chegamos à Presidência, pude ver de perto o alcance da boa política. Vi decisões chegarem a pessoas que quase nunca eram vistas. Vi o cuidado alcançar mães atípicas, pessoas com deficiência, a comunidade surda, famílias de pessoas com doenças raras e tantos brasileiros que precisavam de atenção.
Eu vi um homem justo governando e, assim, vi se cumprir a Palavra de Deus que diz que quando o justo governa, o povo se alegra. E, agora, comparando, eu também vejo o complemento dessa Palavra acontecendo no atual governo: quando o ímpio governa, o povo geme!
A política é uma ferramenta poderosa. Nas mãos erradas, ela castiga. Nas mãos de pessoas de bem, ela transforma. Gera prosperidade, fortalece a segurança, protege a liberdade e devolve dignidade. É isso que nós queremos e é por isso que estamos aqui!
Como Primeira-Dama, tive o apoio do Jair para transformar um propósito em trabalho: cuidar de quem cuida. Cuidar de quem é mais vulnerável. Cuidar por amor ao próximo.
Eu não tinha um mandato. Eu tinha uma missão com propósito. E, cumprindo essa missão, descobri a força que a boa política tem para mudar vidas.
Criamos o primeiro Protocolo de Atendimento para Pessoas com Epidermólise Bolhosa. Trabalhamos por políticas importantes para a comunidade autista, entre elas a sanção da Lei Romeo Mion e a inclusão deles no Censo 2020.
Vi como o poder político pode amplificar a força dos bons propósitos, em especial no trabalho da Damares – no Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos e do Queiroga, no Ministério da Saúde. Milhões de pessoas foram beneficiadas pelas ações desses nossos amigos.
E foi com esse pensamento que o Jair e eu vimos acontecer uma nova forma de governar para o bem das pessoas. Ele fechou as torneiras da corrupção e deixou o governo com mais de R$ 54 bilhões em caixa. Hoje, o rombo desse desgoverno está na casa dos bilhões.
Quando não há roubo, sobra dinheiro. Sobra, por exemplo, para investir quase R$ 6 bilhões em farmacotécnicas para doenças raras; sobra para conceder pensão vitalícias às crianças que nasceram com microcefalia. Sobra para levar água para o sertão e, assim, evitar que mulheres sofram abusos quando tinham que andar longas distâncias para buscar água. Sobra para ajudar nos medicamentos de pessoas com doenças raras e sobra para investir em oportunidade de trabalho para os jovens. Sim, nós fizemos tudo isso porque… quando o justo governa, o povo está mais seguro e vive melhor.
Quando não há roubo, sobra dinheiro. Sobra, por exemplo, para investir quase R$ 6 bilhões em farmacotécnicas para doenças raras; sobra para conceder pensão vitalícias às crianças que nasceram com microcefalia. Sobra para levar água para o sertão e, assim, evitar que mulheres sofram abusos quando tinham que andar longas distâncias para buscar água. Sobra para ajudar nos medicamentos de pessoas com doenças raras e sobra para investir em oportunidade de trabalho para os jovens. Sim, nós fizemos tudo isso porque… quando o justo governa, o povo está mais seguro e vive melhor.
Quando o recurso público é tratado com seriedade, o cuidado deixa de ser discurso e se transforma em realidade.A política é poderosa. E o propósito edifica. Então, um mandato político baseado em bons propósitos transforma para melhor a sociedade e a vida das pessoas. É por isso, e apenas por isso, que eu aceitei esse desafio. Sou pré-candidata ao Senado Federal e vou ajudar a edificar a nossa Nação. Porque governar é cuidar!
Cuidar é algo muito próprio da mulher. Nós sabemos usar os nossos dons em várias profissões e situações, mas a diferença é que sempre, de alguma forma, a nossa ação se transforma em cuidado. E esse é um dom que torna a sociedade melhor. Da minha parte, como eu sempre fiz, eu vou cuidar do povo que Deus me confiar
A audácia do mal prospera quando os bons se calam. Uma grande multidão de pessoas do bem está se levantando no Brasil. Essa multidão é liderada por mulheres e homens que não se acovardam e não se calam. São líderes que estão sendo escolhidos nas nossas Convenções para representarem o povo, e eles não vão deixar o mal prosperar.
O meu marido escolheu o Flávio para estar à frente dessa multidão e nós vamos caminhar – juntos e à passos largos – para impedir que o mal seja audacioso e continue a castigar o nosso povo.
Nós queremos um Brasil pacificado e vamos trabalhar para isso. Nós queremos justiça de verdade. Nós queremos a liberdade para falar, crer e prosperar. Nós queremos segurança. Nós queremos um futuro promissor para os nossos filhos e netos e essa construção do novo Brasil começa agora. E nós vamos conseguir!
Se Deus assim o permitir, a nossa chapa majoritária no DF – com Flávio, Celina, Bia e EU – será vencedora. E, com a vitória dos nossos deputados federais e distritais, essas mulheres e homens corajosos que estão diante de nós; Brasília – a capital da esperança – será o grande exemplo para o Brasil da transformação que o bem faz na política e de como isso gera uma Nação próspera!
Quero agradecer ao Presidente Valdemar pela oportunidade que ele me deu à frente do PL Mulher e também pelo incentivo para que eu concorresse ao Senado.
Agradeço ao meu irmão Diego – o meu 1º suplente e grande conselheiro – que veio de São Paulo para estar com vocês quando soube da minha condição de saúde e, de maneira muito especial, agradeço ao meu irmão Eduardo Torres – candidato a Deputado Distrital – que, nas horas em que eu mais precisei, no momento mais difícil da minha vida com a prisão do Jair, foi aquele com quem eu pude contar para cuidar do meu marido. Irmão, só Deus poderá compensar tudo o que você fez por nós.
Agradeço a todas as pessoas que têm nos acompanhado nessa caminhada, em especial com seu suporte e orações. Muito obrigada. Continuem orando por nós!
Que Deus abençoe os nossos candidatos. Que Ele abençoe todas as famílias do DF. Que Deus abençoe o nosso amado Brasil.
Vamos juntos por um “quadradinho” melhor para todos!
Michelle Bolsonaro
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