Longe de ser um estadista, Lula
À medida que o tempo passa, qualquer presidente da República que seja de fato um estadista também é pragmático. Percebe que seus aliados estão se entregando e trata de levar o país para uma senda segura. Não é o que Lula está fazendo.
No momento em que Maduro está na cadeia, o regime venezuelano está abandonando seus tradicionais mantenedores. Irã, China e até Cuba, que também está acabando e já quer negociar com Trump. O Irã está abandonado pelos seus supostos protetores.
Eles estão cuidando de seus próprios problemas: a Rússia com a Ucrânia; a China com seu abastecimento de petróleo, que já não vem mais da Venezuela nem do Irã.
E Lula faz o caminho contrário. Exacerba ainda mais a hostilidade com os Estados Unidos. Foi o caso da visita do conselheiro adjunto de Trump, que tinha marcado presença no Brasil em um seminário sobre minerais raros, em São Paulo. No dia 18, aproveitaria para visitar Bolsonaro e iria ao Itamaraty visitar o Departamento de Europa e América do Norte.
De repente, o Itamaraty disse não ao pedir visto, pois o conselheiro da Casa Branca teria omitido dados. A visita a Bolsonaro já tinha sido concedida, imediatamente, pelo ex-Magnitsky, o ministro do STF Alexandre de Moraes.
Então, o Lula declarou no Rio: “esse cara não vem para cá porque eu não deixo.” E acrescentou: “enquanto não devolverem o visto para o meu ministro da Saúde, Alexandre Padilha, eu não dou visto para esse cara.”
O Itamaraty apresentava a explicação de que a negativa era por omissão de dados sobre o que ele faria no Brasil. Moraes, sem saber o que fazer, desfez o que havia feito e disse que era por causa do artigo 4º, inciso IV, da Constituição, um dos princípios da República Federativa do Brasil: a não intervenção.
Ou seja, Moraes estaria dizendo que o norte-americano iria intervir no Brasil. Assim como o chanceler Mauro Vieira também havia afirmado que poderia haver intervenção em questões internas do Brasil. Tudo isso por causa da visita a um ex-presidente que está preso e inelegível — uma visita que poderia ser considerada humanitária. Mesmo assim, Lula afirmou que foi ele quem mandou e vetou a visita do conselheiro de Trump ao Brasil.
Lula x Estados Unidos: Há ainda outra briga envolvendo o presidente Lula. O governo dos Estados Unidos, junto com mais 12 países do continente, quer declarar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, para que possa ser aplicada a lei antiterror. Mas o governo brasileiro não quer, prefere dizer que não são terroristas.
O depoimento na CPMI do INSS: O ministro do STF André Mendonça lembrou um princípio de direito: ninguém é obrigado a criar prova contra si. Ninguém é obrigado a se incriminar.
Por isso, o ex-presidente da Contag Aristides Veras dos Santos, convocado pela CPMI do INSS, que investiga os descontos nos vencimentos de aposentados e pensionistas — dinheiro dos velhinhos, cerca de R$ 2 bilhões — poderá exercer esse direito.
Segundo o ministro André Mendonça, que é o relator, se ele quiser ir, vai; se quiser ficar em silêncio, fica. Porque ninguém é obrigado a se incriminar.
Comunicação oficial e língua portuguesa: Há algo curioso na comunicação do governo. Quem acompanha diariamente a agência oficial de notícias percebe que ela publicou recentemente uma espécie de manual sobre ofensas contra mulheres.
A intenção, certamente, é denunciar o problema. Mas o resultado parece quase um guia explicando quais termos podem ser usados para ofender mulheres, inclusive apresentando expressões em inglês.
Isso revela uma ingenuidade jornalística enorme. Aliás, não é só isso. Parece que muita gente simplesmente abandonou o português correto.
Basta ouvir alguns repórteres em entradas ao vivo: “ali, ali, ali”. “O presidente ali disse ali”. A pessoa fica procurando onde está a notícia no meio da frase. Se “Ali” fosse nome próprio, até faria sentido. Mas não é o caso.



