Governo não quer que crime organizado seja considerado terrorismo
Ontem eu falei sobre o desperdício que é a nossa política externa brasileira. O Brasil só anda em más companhias. Não fomos a uma reunião sobre a defesa da nossa segurança, que ocorreu em Miami e reuniu 12 países. Além de Donald Trump, estavam lá, por exemplo, os presidentes do Paraguai, da Bolívia, da Argentina, e o Nayib Bukele, de El Salvador. José Antonio Kast, do Chile, ainda não tomou posse, mas esteve lá também. O “Escudo das Américas” tem 12 países, mas não o Brasil. Nem o Brasil, nem Cuba, nem a Nicarágua, nem a Colômbia de Gustavo Petro, nem o Peru, que está sem presidente, e nem a Venezuela.
O “Escudo das Américas” servirá para preservar o continente de grupos narcotraficantes e terroristas. Um dos objetivos é considerar terroristas o PCC e o Comando Vermelho, e o Brasil não quer! Soube que o chanceler Mauro Vieira chegou a falar com o secretário de Estado, Marco Rubio, pedindo que não fosse feita essa classificação. Parece que, mesmo quando a coisa certa é óbvia, sempre escolhemos o lado errado – quer dizer, nós não, mas os que estão no topo do Poder Executivo.
"Interessados em abafar o escândalo do Master estão inventando nulidades e “perigos para a República”
Como o escândalo do Banco Master e de Daniel Vorcaro está pegando muita gente grande de todos os partidos e dos três poderes, estão espalhando uma boataria para enfraquecer as investigações. A pressão está crescendo: o governador Romeu Zema pediu o impeachment de Alexandre de Moraes; o deputado Marcel van Hattem entrou com uma notícia-crime contra Dias Toffoli e Moraes na Procuradoria-Geral da República; o senador Alessandro Vieira está afirmando que os dois, Toffoli e Moraes, fazem obstrução da Justiça e pressionam testemunhas; o senador Eduardo Girão entrou com uma representação no Conselho de Ética para tirar Davi Alcolumbre da presidência do Senado.
Para abafar tudo, estão espalhando que os vazamentos vão tornar os processos todos nulos. Vá lá, houve o vazamento de conversas de dois pombinhos, mas estamos falando de um crime de alto nível, um escândalo que pega a suprema corte do país. E isso foi só a pontinha do iceberg. Ainda temos outros celulares, de Vorcaro e de outras pessoas envolvidas. Imaginem o que há no celular do “Sicário”, que se asfixiou na Polícia Federal; vamos ver mais conversas sobre “quebrar os dentes” do jornalista Lauro Jardim e “moer” a secretária?
Ainda dizem que não podemos ir fundo porque “isso vai derrubar a República". Mais vale derrubar e limpar a República que mantê-la com essa súcia, com essa sujeira. Não é preferível passar um lava-jato na República? Para que proteger consciências venais que se venderam a Daniel Vorcaro?
Envolvidos ainda não desistiram de botar tudo em sigilo E continua o esforço para deixar tudo oculto. A ocultação, a blindagem, o sigilo é uma espécie de confissão de culpa. A defesa de Vorcaro está pedindo ao ministro da Justiça para que nada seja gravado quando advogados visitarem o banqueiro; eles querem visitá-lo a qualquer hora, mas sem gravar nada em áudio e vídeo. Mas a regra da prisão de segurança máxima é gravar tudo. A Associação Nacional da Polícia Penal Federal fez uma nota de protesto contra o pedido, e inclusive encaminhou um ofício para o Ministério da Justiça, mostrando os perigos de abrir uma exceção para Vorcaro.



