O canto da gente, a
gente escolhe
“Meu Deus,
mas
que cidade linda!”
(Renato Russo)
Às vésperas de
completar 60 anos, Brasília continua sendo uma das mais belas e a mais modernas
cidades do país.
É, sobretudo,
para nosso orgulho, a capital da arquitetura moderna do mundo. Em todas as
faculdades de arquitetura e urbanismo do planeta, Brasília é estudada e
apreciada. Só aqui, no nosso próprio país, não é cultuada e reverenciada como
deveria ser.
Digo isso
porque não se exalta o papel da capital para o desenvolvimento do país. Ninguém
diz que só a partir de Brasília é que o interior do Brasil começou a
integrar-se, a comunicar-se, a ser um só Brasil.
Digo isso
porque não se exalta o papel da capital nas suas linhas e curvas, antes
impensáveis na arquitetura, assim como não se exalta o papel de nossos
arquitetos, engenheiros, paisagistas e artistas que fizeram deste Planalto
Central uma obra de arte para o resto do mundo e a tornaram um museu a céu
aberto.
Mas, para
fazer Brasília era preciso convencer os brasileiros da importância de se
integrar o país. Era preciso acabar com o apartheid que dividia o nosso país
entre os ricos da praia e os pobres do interior.
Era preciso
coragem, ousadia e competência. Unir as forças do bem e a vontade de Deus.
Estou falando
do presidente Juscelino Kubistchek de Oliveira, o predestinado. Aquele que veio
para nos possibilitar a oportunidade de tornar o nosso país um só, integrando-o
de Norte a Sul, de Leste a Oeste, com a mais bela capital, localizada
justamente no centro do Brasil.
Depois de
Brasília, o Brasil se desenvolveu, evoluiu e se integrou. E tudo isso só foi
possível porque homens e mulheres de todo o país acreditaram no sonho do
presidente JK e construíram a nossa capital.
Sou filho de
um mineiro que acreditou nesse sonho e contra tudo e contra todos resolveu que
seu lugar seria aqui no cerrado, no barro vermelho da capital em construção.
Meu pai, seu
Antônio Ferreira Neto, certamente, lutou com todas as forças para convencer a
família em nossa pequena cidade de Araújos, no interior mineiro, de que valia a
pena fazer parte da história de Brasília. Ele teve que vir sozinho, a família
viria mais tarde.
Como meu pai,
brasileiros de todos os cantos também vieram em busca do sonho e do eldorado.
No início de Brasília tínhamos os cariocas ainda inconformados com a perda da
capital, os mineiros que acreditaram no chamado de seu conterrâneo mais ilustre
e os nordestinos com a força e a disposição para transformar Brasília na
abertura para todos os caminhos do interior do país.
Chegamos aqui,
eu e meus irmãos, alguns anos após a vinda de meu pai. Viemos em uma carroceria
de caminhão como outros candangos. Nunca me esqueço da imagem de amplidão, do
céu azul e mais perto da gente, e ainda do barro vermelho que nos fazia correr
dos redemoinhos. Brasília era ainda um lugar para desbravar, estava incompleta
e, para nós, crianças, o grande sítio para brincarmos.
Brasília é o
canto que meu pai escolheu para viver e criar sua família. O canto da gente, a
gente escolhe. Eu poderia escolher outro, meus irmãos também, meus filhos idem.
Porém aqui ficamos.
Meus filhos
são filhos de Brasília e agora chega mais uma geração, meus netos, os novos
filhos de Brasília, esta cidade linda!
Izalci Lucas
Senador da
República
Coluna 360 Graus -
Jane Godoy - Correio Braziliense
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BRASÍLIA - DF

