Ela brilha nos musicais » - Sara Sarres se consolidou no cenário:
brasileiro abraçou o teatro musical como uma expressão artística de interesse
para o entretenimento familiar
*Por Adriana Izel
O teatro musical é uma das vertentes que, ao longo dos anos, cresceu e
se consolidou no cenário artístico brasileiro. Apesar de não ter grandes
palcos, Brasília tem em sua veia a formação de artistas desse segmento. A
candanga Sara Sarres, que está atualmente na montagem Billy Elliot, o musical,
em cartaz em São Paulo, é um desses frutos da capital federal.
Antes de firmar morada na capital paulista e ter experiências fora do
país nos musicais, ela deu os primeiros passos no quadradinho. A primeira
experiência foi na infância, quando, apaixonada pelo piano, foi incentivada
pelo pai a estudar na Escola de Música de Brasília. Ainda na cidade, participou
de pequenos grupos corais e teatrais. “Com meus amigos, montamos uma companhia
de teatro musical para pesquisa e pequenas apresentações, antes mesmo do grande
boom dos musicais em São Paulo”, lembra em entrevista ao Correio.
Nos anos 2000, entrou para o elenco de Les miserábles, primeiro grande
musical no eixo Rio — São Paulo. Foi a única brasileira a protagonizar O
fantasma da ópera como a personagem Christine na versão paulista e também na
turnê mundial. No currículo tem ainda sucessos como West side story, Cats, A
família Addams, Carmen, Shrek, A madrinha embriagada, O homem de La Mancha e
Annie — O musical, sempre com papéis relevantes. Desses, ela destaca as
participações mais marcantes da carreira: O fantasma da ópera e O homem de La
Mancha.
“Vínhamos num crescimento exponencial tanto no aperfeiçoamento
artístico, técnico, operacional quanto na criação e fidelização de público. O
brasileiro abraçou o teatro musical como uma expressão artística de interesse
para o entretenimento familiar. Hoje, podemos considerar até que viramos uma
indústria com uma grande cadeia econômica que movimenta muito positivamente a
economia criativa do país. Chegamos a virar referência mundial em qualidade e
exportar talentos e equipes criativas. Agora estamos à mercê de entender os
próximos capítulos do teatro musical no Brasil”, analisa Sara sobre o momento
atual do segmento.
Em cartaz
O currículo é recheado e não para de crescer. A brasiliense está desde
15 de março e segue até 30 de junho no elenco da montagem Billy Elliot, o
musical, em cartaz em São Paulo. Na produção, que é recordista de prêmios no
teatro musical (com 10 Tony Awards e 5 Olivier Awards), ela vive a personagem
homônima Sarah Elliot, a mãe do prodígio Billy, um menino que descobre querer
ser bailarino contra a vontade do pai, Jack Elliot, vivido pelo ator Carmo
Dalla Vecchia.
“Billy Elliot é um espetáculo muito especial que chegou em um momento
muito oportuno no país. Ele reflete a importância do respeito, da tolerância e
da dignidade na sociedade e como a união de uma comunidade pode transformar
vidas. Me sinto muito honrada e feliz em poder contar essa história no nosso
país”, revela a atriz.
Assim que o musical encerrar as apresentações, Sara Sarres deve assumir
outro projeto. Por enquanto, ela mantém em segredo, mas garante: “Logo, logo
vem coisa boa por aí”. Desde o ano passado, ela vem sendo sondada para aparecer
na tevê.
Três perguntas a Sara Sarres
Você teve experiência de atuar em musicais também fora do Brasil. Quais
são as principais diferenças?
É a organizacional. Eles dominam há mais tempo o mercado e por isso tudo
flui com muita segurança, objetividade e profissionalismo.
Em que artistas você se inspira na hora de atuar?
Gosto sempre de imaginar como Bibi Ferreira, Patti LuPone, Meryl Streep
ou Marília Pêra resolveriam a cena em questão.
Quais são os desafios de unir atuação e música no palco?
Muitos. Desde artístico a técnicos, mas acredito que o maior de todos
seja atingir a precisão e A naturalidade de ninguém perceber que a música está
contando a história.
(*) Adriana Izel – Foto: Cassiano Grandi/Divulgação – Correio
Braziliense
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