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O preço da fama - (Índice de Confiança na Justiça mostrou que apenas 24% da população em 2017 confiava no trabalho do STF...)


Foto: Blog- Google
O preço da fama

*Por Circe Cunha 

De acordo com levantamento feito pelo Índice de Confiança na Justiça (ICJ), um órgão ligado à Fundação Getúlio Vargas Direito-SP, mostrou que apenas 24% da população em 2017 confiava no trabalho do Supremo Tribunal Federal (STF) e na justiça brasileira de forma geral. Trata-se de um índice baixíssimo que colocou essa Corte numa posição delicada e negativa diante da opinião pública do país.

Pesquisa feita também pelo Instituto Ipsos, no mesmo período, reforçou essa avaliação, mostrando o Supremo como a instância com maior reprovação por parte dos brasileiros. Nessa mesma pesquisa, o ministro Gilmar Mendes aparecia, individualmente, como líder absoluto no quesito pior avaliação. Sua desaprovação naquela ocasião era superior a 67% e aumentava de acordo com a maior escolaridade do entrevistado e à medida  que ele ia ficando conhecido do grande público.

Os embates desse ministro contra o Ministério Público, desqualificado por ele com todo o tipo de adjetivo, desde gentalha sem honra ou que utiliza métodos de gangsters para amedrontar, têm levado a opinião pública, de forma geral, a identificar esse magistrado como alguém contrário as medidas saneadoras que vem sendo realizadas pela Operação Lava-Jato e congêneres. Certo ou errada, a opinião dos brasileiros sobre esse juiz e outros que seguem o mesmo entendimento contrário as ações de limpeza, levada a cabo pelos procuradores do Ministério Público, caíram no desagrado da população que passou a identificá-los como indivíduos que se colocam na defesa do status quo e, portanto, contra um novo Brasil, que apesar de tudo, insiste em renascer.

Hoje já se sabe que os brasileiros conhecem mais de perto esses 11 ministros do que a escalação da Seleção de futebol. O motivo para esse estreitamento inédito foi, obviamente, motivada pela transmissão ao vivo das sessões do Supremo no rádio e na tevê. Com isso, as sessões da Corte passaram a despertar a curiosidade da sociedade sobre a atuação do Judiciário, antes um poder hermético e distante do dia a dia dos brasileiros.

Não é por outro motivo que nos julgamentos de maior repercussão e de interesse público, essas plenárias chegam a registrar altos índices de audiência. Dessa forma, se por um lado as transmissões ao vivo trouxeram maior proximidade entre a Suprema Corte e os cidadãos, por outro, e não podia ser de outra forma, geraram descontentamentos e outras manifestações populares, da mesma forma como acontece com a atuação de um treinador ou jogador de futebol.

O fato é que ao se expor perante os brasileiros, mostrando quem são, o que pensam e como agem em determinados momentos, os ministros do STF ganharam uma notoriedade antes impensável e naturalmente sujeita as oscilações de ódio e amor por parte do grande público.

Ameaçar com processo aqueles que eventualmente os criticam não vai render maior popularidade , respeito ou temor a essa Corte. Bem ou mal, esse é o preço da fama.

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A frase que foi pronunciada “A tragédia quando somos famosos é que se tem de devotar tanto tempo a ser-se famoso.
(Pablo Picasso)
Foto: escritoriodearte.com
Menos privilégios
Recebemos de Aldo Paviani, geógrafo, missiva sobre protestos em relação aos gastos da Câmara Legislativo. Diz o leitor: “Acompanho com muito interesse as mudanças em curso, sobretudo as que aumentam o gasto com dinheiro público — dos impostos que a população recolhe. Assim, anotei o projeto de um deputado distrital que propõe um privilégio inconcebível: colocar no orçamento da Câmara Distrital verbas para bilhetes aéreos. Com isso, alguns (não todos) deputados distritais poderão viajar a ‘trabalho’ fora do Distrito Federal. A pergunta que se faz é “que tipo de trabalho farão os deputados distritais fora do DF?”
Charge: jornalconversainformal.blogspot.com.br
Mais ação
Pondera Aldo Paviani: “Pressupondo que esses interesses sejam justificáveis do ponto de vista social e político, é sensato considerar ainda que bancada distrital deva passar o ‘trabalho’ externo à expressiva bancada federal, que já tem a seu encargo tratar dos interesses do DF, de outros estados e de projetos nacionais. Os deputados distritais poderão estancar este e outros privilégios, com o que fecham o dreno de privilégios. Esses recursos devem ser canalizados e aplicados na educação, saúde e transporte público — especialmente o trem metropolitano. A ferrovia faz falta, como se percebe.”
Foto: agendacapital.com.br
Pé no chão
“O trabalho que o deputado proponente deseja realizar fora do quadrado possa ser feito de ônibus, o que contribuiria para melhor compreensão das demandas dos 3 milhões de habitantes do DF e dos quase 1,3 milhão de brasileiros/brasilienses que vivem nos 12 municípios componentes da Área Metropolitana de Brasília (AMB), em organização”, finaliza o leitor.

(*) Circe Cunha – Coluna “Visto, lido e ouvido”  - Ari Cunha – Correio Braziliense – 


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