Entrevista: Fernando Fernandes - Administrador de Ceilândia
Eleito deputado distrital, mas licenciado do cargo
para assumir a Administração Regional de Ceilândia, o delegado Fernando
Fernandes pretende voltar ao Legislativo no segundo semestre. “Combinei com o
governador de assumir a administração durante o SOS DF, no primeiro semestre do
ano e, no segundo semestre, ou até antes, estarei de volta à Câmara Legislativa
para tocar projetos que dizem respeito à segurança e educação”, afirmou, em
entrevista ao programa CB.Poder, parceria do Correio com a TV Brasília.
Fernandes ressaltou que como parlamentar quer dar
atenção a projetos que envolvem educação, principalmente em tempo integral,
além de disponibilizar emendas para a área com foco em construção de escolas em
áreas periféricas, como o Condomínio Porto Rico, em Santa Maria; a Chácara
Santa Luzia, na Estrutural, e Setor Habitacional Sol Nascente e o Pôr do Sol,
em Ceilândia. Ele também defende o modelo de instituições de ensino
militarizadas. “Onde há presença do policial, o traficante não atua, o usuário
também não, a disciplina volta, não há ameaças nem agressões contra professores
e servidores. No fim das contas, todos estão ganhando com a disciplina
impetrada.”
O que o levou a assumir a Administração de Ceilândia sem nem assumir o mandato na Câmara Legislativa?
Assumi o mandato de deputado distrital, participei
das primeiras votações, da escolha da mesa diretora, das comissões permanentes
e quando estávamos em recesso parlamentar, em 3 de janeiro, recebi um
telefonema do governador para assumir a Administração de Ceilândia, uma vez que
é a maior região administrativa do Distrito Federal e ele estava com
dificuldade em escolher um nome de consenso.
O senhor pretende voltar à Câmara Legislativa?
Sim.
O seu aceite para assumir o cargo de
administrador regional pode ser um componente político pensando em 2022?
Não, porque foi algo de surpresa. Não foi nada
combinado.
Como foi se deparar com problemas da cidade,
de competência da administração, com questões muito diferentes que o
senhor estava acostumado na sua área policial?
Fui chefe das quatro delegacias de Ceilândia e
enxergo Ceilândia com outros olhos, como o de prevenção ao crime, atento a
gangues, a traficantes e a criminosos em geral. Quando assumi a administração,
o olhar passou a ser diferenciado em relação a esses problemas, mas estamos
tentando colocar o mesmo ritmo do trabalho de policial na administração, como o
trabalho de rua, muito próximo à população, com o trabalho de rua, vendo de
perto as dificuldades e tentando dar uma rápida resposta à população.
Como o senhor consegue contribuir para
resolver esses problemas, principalmente em relação à criminalidade?
Tiveram algumas polêmicas de prisões que andei
fazendo em Ceilândia, de traficantes e usuários, dentro de escolas e nos
arredores. Como administrador, eu e minha equipe fomos analisar problemas em
algumas instituições de ensino, como mato alto e poda de árvores e, chegando
lá, nos deparamos com essa situação de marginais infiltrados entre os alunos,
oferecendo drogas, usando drogas e traficantes atuando nos arredores dessas
escolas, na escola classe, fundamental e médio. Portanto, não podíamos fazer
vista grossa e deixar de agir. Inclusive porque, mesmo afastado da função de
delegado, o Código Penal Brasileiro garante que qualquer situação, em uma
situação de flagrante, pode agir e o policial deve.
Nas postagens nas redes sociais, muita gente
critica o senhor por saber onde ficam as grandes bocas de fumo, os
grandes pontos de tráfico da cidade, e prender apenas usuários, em vez de
focar na solução definitiva do problema. Isso não é ficar enxugando
gelo?
Essas prisões aconteceram em razão da vistoria que
fizemos nas escolas, a pedido de diretores, como uma parceira para área de
limpeza, roçagem de mato, pintura, recuperação de parques, de alambrados. E
nessas ações que eu sempre vou junto para verificar a real situação,
infelizmente nos deparamos com esse tipo de realidade (de prisões).
O senhor acha que é necessário criar uma nova
região administrativa para o Sol Nascente, como propôs
o governador Ibaneis Rocha?
Não há necessidade. O que é precisa é o Estado
ocupar a região. Onde o Estado não vai, o criminoso acaba indo e alcançando,
principalmente, o jovem fazendo uma gangue, como encontramos em 2015 o Comando
do Sol Nascente, um braço do PCC; além do intitulado CI (Cão dos Infernos) e a
OMD (Os Moleques Doidos). Esses grupos agiam como milicianos, extorquindo
dinheiro dos comerciantes, cobrando taxas diárias de transporte público e
alternativo para rodarem dentro e negociando gás e TV a cabo.
Isa
Stacciarini - Foto: Arthur Menescal/CB/D.A.Press - CB.Poder - Correio
Braziliense
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