Engenheiro e astrônomo belga Louis Ferdinand Cruls, líder da primeira expedição ao interior do país para demarcar a nova capital federal, no fim do século 19 (Foto: TV Globo/Reprodução)
Cientistas desbravaram cerrado para demarcar terras, no fim do século 19. Material reconstrói trajetória e revela importância dos 'pioneiros da capital'.
Estudantes das 657 escolas públicas do
Distrito Federal vão usar como material pedagógico a série de reportagens
"Cruls - A missão que marcou a capital", produzida pela Globo para
homenagear os 55 anos da capital, em abril. Com seis capítulos, a produção resgata
a expedição que desbravou cenários desconhecidos no interior do país, no fim do
século 19.
O
material chega às escolas a partir desta sexta-feira (19), quando será doado a
80 alunos do Centro de Ensino Médio do Núcleo Bandeirante (veja abaixo todos os vídeos
da série).
Eles vão assistir à primeira das seis reportagens e, em seguida, poderão bater
papo com a jornalista Rita Yoshimine, o repórter cinematográfico Marcos Silva e
a editora de texto Carol Manhani.
Para
reconstruir a história da Missão Cruls, a reportagem percorreu cenários de São
Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás. Também foi à Bélgica, onde nasceu
o engenheiro e astrônomo Louis Ferdinand Cruls, líder dos 21 cientistas que
integraram a expedição.
Expedição histórica
No final do século 19, o Brasil tinha pouco mais de 14,3 milhões de habitantes – 7 em cada 10 brasileiros moravam no litoral, e o índice de ocupação no Centro-Oeste era de 0,2 habitante por quilômetro quadrado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Belga naturalizado brasileiro, Cruls se tornou amigo do diplomata Joaquim Nabuco, deu aulas de astronomia ao imperador Dom Pedro II e dirigiu o Observatório Nacional do Rio de Janeiro. Neste período, viu a promulgação da Constituição de 1891, a primeira da República, que previa a transferência da capital federal do Rio de Janeiro para o interior do país.
No final do século 19, o Brasil tinha pouco mais de 14,3 milhões de habitantes – 7 em cada 10 brasileiros moravam no litoral, e o índice de ocupação no Centro-Oeste era de 0,2 habitante por quilômetro quadrado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Belga naturalizado brasileiro, Cruls se tornou amigo do diplomata Joaquim Nabuco, deu aulas de astronomia ao imperador Dom Pedro II e dirigiu o Observatório Nacional do Rio de Janeiro. Neste período, viu a promulgação da Constituição de 1891, a primeira da República, que previa a transferência da capital federal do Rio de Janeiro para o interior do país.
“Fica
pertencente à União, no planalto central da República, uma zona de 14.400
quilômetros quadrados, que será oportunamente demarcada para nela estabelecer-se
a futura Capital Federal”, dizia a Carta Magna da época.
Premiado
em todo o mundo, Cruls emprestou seu nome a um cometa e a crateras na Lua e em
Marte, antes de ser escolhido para chefiar a Comissão Exploradora do Planalto
Central. Para a missão, o cientista chamou colegas do observatório e ex-alunos
da Escola Superior de Guerra e da Escola Militar da Praia Vermelha, na Urca
(RJ).
No
total, 21 cientistas partiram do Rio de Janeiro rumo ao planalto central em
junho de 1892. Foram nove meses de viagem, 5.132 quilômetros percorridos e
9.640 toneladas de bagagem.
Acima, réplica de observatório construído em 1892 pela equipe da Missão Cruls (abaixo), chefiada pelo belga Louis Ferdinand Cruls,para determinar as coordenadas geográficas do DF (Foto: Káthia Mello/G1)* (veja abaixo todos os vídeos da série) * O início do sonho *O começo da aventura * A primeira demarcação * Os cadernos de viagem * As belezas do cerrado * O legado da missão
Fonte: Do G1 DF
Fonte: Do G1 DF



