Por:
Renato Riella
Os
meios de comunicação em Brasília sofrem profunda crise. A cidade se prejudica
muito com isso.
A
sociedade não pode viver sem informação, sem serviços, sem contencioso, sem
humor, sem expressões públicas de amor e fé, sem jornais e revistas.
Mas o que
vemos agora é trágico. O Jornal de Brasília, sofrendo profundos prejuízos
mensais, anuncia hoje que, a partir do próximo mês, deixará de circular aos
sábados e domingos. Vai tentar manter-se vivo nos meios digitais, fortalecendo
o site, etc.
O Jornal
da Comunidade está passando por dificuldades semelhantes - ou até maiores.
E é
notório que o Correio Braziliense busca saída para a sua própria crise
econômica, com boatos até de venda desse importante jornal a algum grupo.
A revista
Foco, com mais de 20 anos de vida, parou de circular, assim como o interessante
semanário Fatorama. Morreu também a revista Brasília em Dia, do jornalista
Marcone Formiga. Entre muitas outras...
Tivemos
grave perda quando a Veja Brasília encerrou atividades, demitindo dezenas de
profissionais. Essa publicação era muito boa, extremamente útil nos serviços
culturais e de gastronomia, como também no levantamento de temas interessantes.
Aqui e
ali, ouço que essa crise vem do GDF, que deve milhões em publicidade ainda da
trágica gestão Agnelo. E mais: no governo Rollemberg, praticamente não existe
veiculação publicitária.
MUDAR,
MUDAR, MUDAR – PARA NÃO MORRER
É fato
que a mídia local sempre se valeu da publicidade governamental, mas esta foi
uma distorção que poderia ter sido superada com inteligência - e com
algumas mudanças de postura.
Vemos os
meios de comunicação encastelados nas redações, sem abertura para o povo nos
seus diversos níveis de representação. Parecem Rapunzel na torre, de vez em
quando jogando as tranças para se comunicarem com a gente, aqui no chão das
necessidades.
O Correio
Braziliense, que ainda sobrevive, de forma claudicante, por ser uma empresa
mais forte, é exemplo disso. Trata-se de um jornal inacessível, com repórteres
e redatores sitiados no segundo andar de um prédio de difícil acesso.
Tive
grande importância na consolidação do Correio, onde trabalhei durante décadas,
mas o jornal sumiu da minha vida – e não por decisão minha. Quando trabalhei
lá, recebia todo mundo, a qualquer momento.
Nos
últimos dez anos, tentei ir duas vezes à redação e fui grosseiramente barrado
por guardinhas na recepção do térreo. Frasista que sou, uso uma definição
cáustica: “É mais fácil visitar a Embaixada Americana do que ser recebido na
redação do Correio”.
Vale para
outros veículos. Na verdade, é ainda mais difícil o acesso à TV Globo Brasília.
Existe uma guarita, a quase 200 metros da redação, de onde seres humanos comuns
não passam. E assim segue o bonde da imprensa a caminho do precipício.
Se o GDF
fechou as torneiras da grana fácil, que se abram novos canais de negociação,
novos mercados. Mas essa mudança de postura ficou muito difícil para
jornalistas que antes recebiam salários em dia, em níveis satisfatórios, e que
viviam deitados em berço esplêndido.
Sites
como Fato Online (de investidor controvertido) ou o novo Metrópoles (do Luiz
Estevão) talvez criem momento diferente na imprensa brasiliense, sem a busca do
lucro, pois são sustentados por fontes financiadoras inexplicáveis. Mas
são artificiais!
Por que
não tentar salvar o Jornal de Brasília, o Jornal da Comunidade e o próprio
Correio Braziliense?
Basta
produzir redações ao ar livre, de acesso fácil ao público, sem preconceito nem
barreiras. Basta fazer novos pactos com grupos importantes da sociedade, como a
UnB, as forças produtivas, os sindicatos de trabalhadores, as igrejas diversas,
etc. Pobres e ricos!
Ou os
jornais se abrem, ou todos nós migraremos para o Facebook, onde podemos falar
mal (ou bem) de qualquer um, de graça, sem barreiras.
*Renato Riella é jornalista, com mais
de 40 anos de atuação em Brasília e Salvador (BA), onde nasceu. Atua como consultor de marketing político e
empresarial.

