Rollemberg convocou uma coletiva para apresentar o novo chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio: "Estamos entrando em uma nova fase", disse o governador
Um dia depois da queda de Hélio Doyle, o governador Rodrigo
Rollemberg apresenta o novo chefe da Casa Civil. Com um perfil mais político e
conciliador, Sérgio Sampaio evitou críticas e fez questão de exaltar o papel do
Legislativo
O novo secretário-chefe da Casa Civil do Distrito Federal,
Sérgio Sampaio, foi apresentado ontem pelo governador Rodrigo Rollemberg (PSB)
com um discurso em tom apaziguador. O agora homem forte do mandato socialista
destacou a necessidade de manter uma boa relação com a Câmara Legislativa e
fazer uma gestão eficiente para resolver os problemas financeiros e sanar as
insuficiências dos serviços públicos distritais. Sampaio elogiou Hélio Doyle,
mas evitou comentar os motivos que o levaram a sair do cargo — apesar disso,
afirmou que tem como desafio mostrar de forma mais efetiva à população as ações
do Palácio do Buriti. Na coletiva, Rollemberg ressaltou que o GDF está
“entrando em uma nova fase”; o novo secretário, por sua vez, comentou que, “sem
tecer nenhuma crítica, pois cada um tem seus méritos, acho que dá para fazer
mais, avançar em inúmeras questões”.
Além das
disputas internas, o desgaste que levou à queda de Doyle passou pela relação
com partidos aliados — principalmente o PDT de Celina Leão, presidente da
Câmara Legislativa, que rompeu com o governo há uma semana. Diretor-geral da
Câmara dos Deputados por 12 anos, Sampaio prometeu adotar uma postura de maior
diálogo com a classe política. Na apresentação do mais recente auxiliar,
Rollemberg fez questão de lembrar da vivência dele no meio parlamentar.
“Conviveu diariamente com 513 deputados federais, de diferentes legendas,
diferentes estados. Sem dúvida, é uma pessoa com muita experiência política e
administrativa. O Legislativo nacional é maior do que muita prefeitura. O papel
que estou pedindo para ele desempenhar é de coordenar as ações do dia a dia do
governo”, detalhou.
Formado
em direito e funcionário público desde o 21 anos, Sampaio tem perfil distinto
ao de Doyle, o que deve levar o chefe do Executivo a realizar mudanças no
governo. A Casa Civil vai manter os poderes de gestão e o papel de
supervisionar as demais pastas, mas não terá mais a atribuição de responder
pela comunicação do governo. Na coletiva de ontem, Sampaio comentou a respeito:
“O deslocamento da área de comunicação para o gabinete do governador pode ser
considerado, mas não está decidido”. Ele ressaltou a necessidade de conseguir
mostrar as ações positivas do GDF. Para isso, fala-se nos bastidores que será
criada uma secretaria específica de Comunicação, como ocorria até 2014.
Habilidoso,
durante quase uma hora de entrevista, o novo secretário respondeu a todas as
perguntas sem criticar ninguém e sempre fazendo questão de exaltar o papel do
Legislativo. Apesar de nunca ter concorrido a nenhum cargo eletivo nem ter
filiação partidária, Sampaio acumula traquejo político e tem como missão ajudar
a aplacar os ânimos na Casa a fim de aprovar projetos que visam aumentar a
arrecadação do GDF.
O chefe
da Casa Civil ressaltou que cabe à Secretaria de Relações Institucionais,
comandada por Marcos Dantas, a relação com a Câmara. Mas disse que a Casa Civil
não pode deixar de desempenhar o papel político que tem. “Acho que deve ser
ação do GDF saber ouvir, atender demandas (dos deputados) que envolvam o
governo, que sejam convergentes com o nosso pensamento. Não vejo nenhuma
complicação no que deve ser a relação do Legislativo com o Executivo”.
Mudanças
Imerso na
crise de ordem política e econômica, Rollemberg vai tentar usar a mudança no
principal posto do governo como uma espécie de recomeço. Para isso ocorrer, é
necessário melhorar a relação com a Câmara. Mas conseguir o apoio dos
distritais não é tão simples assim. Não basta conversa. Mais do que serem
ouvidos, muitos deputados querem cargos e dinheiro para emendas parlamentares.
Com o objetivo de fortalecer a frágil base aliada na Câmara, no máximo até o
fim do ano, Rollemberg deve promover uma reforma no secretariado, além de
nomear administradores definitivos em regiões que estão ocupadas por gestores
interinos. Com certeza, essas alterações serão negociadas com os deputados.
Com a
saída de Doyle, os opositores não vão desistir de tentar desestabilizar o
governo. Nesse sentido, as armas, que antes estavam voltadas para a Casa Civil,
ganharão nova mira daqui por diante. Áreas prioritárias com problemas graves e
seus responsáveis serão o alvo. As deficiências nos hospitais públicos e os
problemas com transporte estarão na pauta.
Fonte: Matheus Teixeira – Correio Braziliense
