test banner

Escola e palanque político

Está no ar discussão seriíssima sobre a ideologização política no sistema de ensino de todo o país. O assunto trazido ao debate, na Câmara dos Deputados, pelo PL nº 867/2015, do deputado Izalci Lucas (PSDB-DF), propõe, entre outras medidas, a inclusão nas diretrizes e bases da educação nacional do Programa Escola sem Partido.

A empreitada legal promete debate pra lá de acalorado, principalmente quando se tem presente a tendência de os sindicatos, em todo o país, pautarem discussões políticas dentro das escolas, mormente as relativas à situação de penúria vivida pelos estabelecimentos de ensino e pelos professores. 

Pelo projeto, no art. 3º, “são vedadas, em sala de aula, a prática de doutrinação política e ideológica, bem como a veiculação de conteúdos ou a realização de atividades que possam estar em conflito com as convicções religiosas ou morais dos pais ou responsáveis pelos estudantes”.

Durante a realização de audiência pública, foi levantada a questão real da existência de certo viés ideológico de esquerda dos educadores brasileiros, por conta da própria formação pedagógica. Paulo Freire, citado como patrono da educação brasileira e seguido por muitos professores país afora, possui em suas obras, ao lado da inegável qualidade dos escritos e pensamentos, teses que apontam para o campo político da esquerda. Os livros didáticos, seguidos pelas escolas, em sua maioria, ainda empregam questões polêmicas que induzem à orientação em sentido único, inclusive menosprezando quaisquer outros direcionamentos.

Para o autor do projeto, é preciso que a sala de aula seja espaço de debate e não de catecismo ideológico. De qualquer forma, a discussão está lançada, sendo necessário, agora, encontrar o caminho do meio para que as escolas não sejam amordaçadas nem resvalem para o maniqueísmo entre direita e esquerda. É preciso ter em mente ainda que a verdadeira educação se eleva muito andares acima da discussão ideológica ou de quaisquer outras opções individuais.


****
A frase que foi pronunciada
“De cabeça fervendo só sai frase gelada.”
(Elias Amorim, secretário da editoria de Opinião do CB)


Fonte: Circe Cunha – Coluna “Visto, lido e ouvido” – Ari Cunha – Correio Braziliense 

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem