Dona da Dê_Lírios Bike Shop, a artista plástica Alice faz entregas semanais de flores sempre pedalando
Bicicleta é a aposta de muitos brasilienses para oferecer os
mais variados tipos de serviço. Venda de flores, de espumante, além do
transporte de documentos são algumas das opções
A bicicleta é um meio de transporte, um equipamento para
exercício físico e um objeto de lazer. Um novo movimento, que mistura a
sustentabilidade e a economia alternativa, coloca a bike como um importante
instrumento de trabalho.
A paixão
de algumas pessoas pela magrela acabou virando uma oportunidade de misturar
lazer e trabalho, prazer e empreendimento. É o caso da professora de artes
plásticas Alice Maria Duarte, 34 anos, idealizadora da Dê_Lírios Bike Shop, uma
floricultura sobre rodas. Ela conta que a ideia surgiu por acaso. Em agosto, na
época da seca, comprou flores frescas, montou arranjos e os colocou na cestinha
de sua bicicleta. Alice seguiu para o Picnik, evento ao ar livre que ocorria no
fim da Asa Norte, no calçadão próximo ao Lago Paranoá. “Queria fazer alguma
coisa diferente, que me proporcionasse prazer”, diz.
No
primeiro dia, a artista plástica fez poucas vendas. “Estava muito quente e o
pessoal acabou não comprando, as flores murcharam.” Mas longe de desanimar,
Alice ficou mais motivada. “Fiz muitas fotos e elas ficaram lindas, coloquei
nas redes sociais e teve uma repercussão legal. Isso me animou a participar de
outro evento”, explica. Depois do segundo evento, em que vendeu arranjos de
girassol, Alice preferiu focar os serviços em encomendas e assinaturas.
Atualmente,
ela completa a renda de professora com as vendas semanais. Ela prefere ficar na
Asa Norte, onde mora, por uma questão de segurança, mas nos finais de semana
usa o Eixão para fazer entregas mais distantes.
Sustentabilidade
Assim
como Alice, o sommelier Carlos Soares, 41 anos, e a mulher dele, a
representante comercial Jak Rosângela, 35, uniram paixões: os vinhos, os
espumantes e a bicicleta. Em 2012, Carlos teve a ideia de democratizar as
bebidas vistas como sofisticadas e criou o estande Wine Moving.
Ele
levava a estrutura para feiras gastronômicas, como o Chef nos Eixos e o Picnik.
Em 2014, surgiu a ideia de incorporar a bicicleta ao serviço. “As food bikes
existem em outros países e estão ganhando espaço em São Paulo. Achei que seria
muito legal trazer isso para Brasília e começar a incorporar essa economia
sustentável na cidade”, conta.
Apesar da
ascensão dos food trucks na capital, Carlos quis fugir da tendência. “Sempre
levei muito em consideração essa questão da sustentabilidade, por isso nunca
considerei ter um caminhão”, explica o empresário.
A
bicicleta de Carlos conta com um caixote onde ficam as bebidas, que são
servidas em taças de acrílico. O estande também pode ser encontrado em
aberturas de exposições e eventos ao ar livre. “Trazemos a característica de
levar o vinho aonde o povo está e fazemos isso de uma forma sustentável”, diz.
Ele e Jak também se preocupam com a decoração da bike. Para o aniversário de
Brasília, por exemplo, a magrela estava toda pintada com referência às obras de
Athos Bulcão. Com a chegada da seca, o casal quer trazer o clima de cerrado
para a decoração.
Agilidade
Os
negócios de bicicleta são diversificados e atendem a diferentes tipos de
público. Pensando nos serviços mais burocráticos, como transações bancárias e
entrega de documentos, um grupo de quatro amigos criou a BSB Courier.
Acostumados
a usar a bike como meio de transporte e lazer, ficaram sabendo de empresas do
gênero em outras cidades. “Como a bicicleta era muito presente no dia a dia,
pensamos em transformar isso em uma maneira de ganhar dinheiro nos divertindo e
sendo sustentáveis”, conta o estudante Yuri Prestes Ferreira, 26 anos.
O serviço
começou a ser oferecido em 2013. Com as bicicletas pessoais, os estudantes
passam os dias pedalando por Brasília. Eles têm contratos com escritórios de
advocacia, contabilidade, arquitetura e comunicação, entre outros. O grupo faz
uma média de 30 a 40 entregas por dia e aceita serviços de pessoas físicas
também. “Se alguém esqueceu uma chave em casa, por exemplo, e não pode sair do
trabalho, a gente vai lá e busca”, explica Yuri.
Os amigos
têm cada vez mais clientes e consideram aumentar o número de ciclistas. “Além
de ser sustentável e mais barato do que serviços de motoboy, é mais rápido. O
trânsito pode estar um caos que nós chegamos a tempo”, conta. Eles trabalham
principalmente no Plano Piloto, mas vibram quando precisam fazer entregas mais
distantes, pois aproveitam a oportunidade como treinamento para as competições
das quais participam.
A
coordenadora-geral da ONG Rodas da Paz, Renata Florentino, acredita que o uso
da bicicleta tende a crescer na capital, tanto como meio de transporte quanto
como possibilidade de negócio. “Cria oportunidades para uma economia mais
sustentável, que gera empregos aliados a um futuro melhor para a cidade”, afirma.
Consumo
consciente
O combate ao consumo exagerado foi o tema da semana do Dia
Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho. As celebrações chegaram ao
fim ontem, com um passeio ciclístico no Eixão do Lazer. A concentração ocorreu
na altura da 102 Sul. Às 9h, o grupo, formado por 100 pessoa, pedalou até a 116
Sul. O evento também estimulou os participantes a darem preferência à bicicleta
em detrimento do uso de carros.
Fonte: Ailim Cabral – Correio Braziliense
