Dilma Rousseff, na Bélgica, nesta quinta-feira
(11). Ela antecipou a volta ao Brasil para participar da cerimônia de abertura
do encontro do PT (Foto: AP
Photo/Francois Walschaerts)
Em
encontro que começa nesta quinta, a maior corrente petista tenta evitar
críticas ao governo e agradar militância.
Se dependesse de alguns integrantes, o 5º
Congresso do PT que
começa nesta quinta-feira (11), em um hotel em Salvador (BA), nem aconteceria.
A ocasião é ruim. O PT é acusado de ser o principal artífice e beneficiário do
esquema que desviou bilhões de reais daPetrobras para bolsos alheios pela
via da propina. Seu ex-tesoureiro está na cadeia. O PT governa o Brasil em meio
a um das maiorescrises
financeiras da história recente e teve de bancar um
doloroso corte de gastos públicos, algo contrário a tudo que defende e
acredita. A ocasião, como se vê, é propícia a divisões, bate-bocas e
arranca-rabos, todo tipo de ocorrência capaz de enfraquecer ainda mais o
partido em sua pior crise existencial. Tudo isso só não vai ocorrer porque a
corrente Partido que Muda o Brasil (PMB), que detém 53% dos 800 votos no
congresso do partido, deve proteger o governo Dilma de
ataques das outras alas petistas.
O PT é formado por diversas
correntes internas, que se enfrentam com tanta disposição quanto enfrentam o PSDB ou outros partidos
adversários. Depois da PMB a
mais forte é a corrente Mensagem, cujos principais representantes são o
ex-governador gaúcho Tarso Genro e
o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. A Mensagem
gostaria de incluir no documento final do encontro críticas ao ajuste
fiscal tocado
pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy,
e a aliança política com o PMDB. Entretanto, a PMB deve evitar que essas
iniciativas prosperem. A PMB faz isso por sobrevivência, mas a contragosto.
Todos os petistas têm ojeriza ao ajuste. Deputados e senadores insistem na
necessidade de o governo terminar logo o ajuste e “retomar a agenda do
crescimento” – na prática, reabrir os cofres públicos para gastos. É uma
atitude de desespero, pelo medo dos resultados na eleição municipal do ano que
vem. A realidade, no entanto, conspira contra. Não
há perspectivas de o Brasil voltar a crescer este ano,
e provavelmente nem no ano que vem. Se a responsabilidade prevalecer, o governo
deverá manter o caixa fechado por mais tempo do que os petistas gostariam. Para
ajudar na defesa do governo, a PMB pressionou e conseguiu fazer com que a
presidente Dilma Rousseff fosse ao encontro.
Resistente à ideia,Dilma
cedeu e antecipou sua volta da Bélgica para participar da cerimônia de abertura do encontro nesta quinta
à noite.
O PT deve apresentar no
congresso um documento que esboça uma volta às origens como a saída possível
para a sobrevivência no cenário desfavorável. Proporá a formação de uma frente
com partidos de esquerda e movimentos sociais, para disputar a eleição de 2018.
Diante da dificuldade de emplacar a criação de um imposto sobre grandes
fortunas – que defendia na década de 90, mas esqueceu desde que chegou ao
poder, em 2003 – o PT deve defender a ressurreição da CPMF, o imposto sobre
movimentações financeiras. São duas maneiras de evitar que, após perder parte
do apoio da classe média, o PT perca também mais um quinhão da sua base social
histórica. É o possível e o necessário para o momento.
Fonte: Leandro Loyola – Revista Época

