Rodrigo Rollemberg sempre foi figura conhecida na
cidade. Não era difícil vê-lo em festas, eventos culturais, manifestações
trabalhistas. Já o governador que leva o nome e o sobrenome tradicionais não
parece tão popular. Ele até apareceu em alguns blocos de carnaval. Mas em
fevereiro ainda contava com uma certa complacência da população. Pois bem,
passaram-se cinco meses desde o início da gestão do socialista. Pouco tempo
para consertar a cidade, mas o suficiente para os eleitores se cansarem das
explicações do rombo deixado pelo governo passado.
Ele parece ter
notado isso. Desde janeiro, só aparecia em plantações de árvores ou para
anunciar algum plano, sem se estender muito nos detalhes. Na semana que passou,
tentou deixar de ser figurante. Mas é preciso bem mais que um discurso para
mostrar força.
A piada que corria nos bastidores do poder era que o verdadeiro governador se
chamava Hélio Doyle, secretário-chefe da Casa Civil. Maldade com um fundo de
verdade, uma vez que Doyle e outros chefes de pasta se revezavam para tentar
blindar o chefe. Normal em qualquer governo. Mas é preciso que uma hora o
governador faça as honras de mandatário. Rollemberg escolheu a última
segunda-feira para isso. Convocou uma coletiva e explicou os valores que o GDF
tinha em caixa na virada do ano. Parecia que o momento era aquele. Não foi. Ele
preferiu novamente dizer que estavam tentando abalar a credibilidade do
governo. Mais uma vez, jogou para outros a responsabilidade.
No dia seguinte, a distrital Celina Leão (PDT) anunciou a saída da base
governista. Uma derrota para Rollemberg dentro da Câmara Legislativa, sem
dúvida. Seria agora que o governador faria um discurso mais forte? Não. Logo na
quarta-feira, Rollemberg e Celina reapareceram juntos, conversando e sorrindo.
O jogo político mais uma vez mostra a cara e demonstra que nem sempre inimigos
declarados se odeiam tanto assim.
No mesmo dia, em um evento na Candangolândia, ele despejou uma frase de efeito:
“Quem manda no governo é Rodrigo Rollemberg”. É isso que esperam os eleitores
que o colocaram no Palácio do Buriti. Não só um governador que coloca a culpa
na gestão anterior — o petista Agnelo Queiroz fez isso e deu no que deu —, que
faz agendas positivas, que discursa e discursa. Os cidadãos de Brasília, mesmo
aqueles que não votaram em Rollemberg, querem transparência e ação. Aquele
Rodrigo Rollemberg que aparecia nas ruas sem preocupação, agora precisa voltar
a elas para explicar as superbactérias nos hospitais públicos, a greve dos
rodoviários, a violência contra professores e alunos nas escolas. E que
solucione o mais rápido possível os problemas — mesmo que eles tenham sido
criados por outros.
Fonte: Leonardo Meireles – Correio Braziliense

