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Sinpol-DF ouve queixas de plantonistas e vai cobrar resposta da PCDF

O plantão nas delegacias da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) tem funcionado sob inúmeras irregularidades. Há problemas nas escalas de trabalho, cujas jornadas ultrapassam as 40 horas semanais, número insuficiente de policiais para manter o funcionamento das delegacias e Centrais de Flagrantes, além de ocorrências registradas em unidades diferentes daquelas criadas para cada tipo de crime.

Para buscar uma solução definitiva, o Sindicato dos Policiais Civis do DF (Sinpol-DF) enviará, nesta segunda-feira (11), um documento sugerindo melhorias propostas pelos policiais à Direção Geral da PCDF. Será estipulado um prazo de dez dias para resposta e, após isso, a categoria se reunirá em assembleia para decidir quais medidas mais incisivas devem ser tomadas. Nenhuma possibilidade no sentido de pressionar o Governo do DF e a Polícia está descartada.

Os itens do documento foram discutidos em uma reunião realizada entre a diretoria do Sinpol-DF e os policiais plantonistas na tarde da última quinta-feira (7), na sede de Taguatinga.

O presidente do sindicato, Rodrigo Franco, o Gaúcho, repetiu a orientação que vem sendo dada aos policiais durante as visitas que o Sinpol-DF tem feito às delegacias desde o mês passado: registrar formalmente os problemas e irregularidades no trabalho.

Assim, os policiais poderão se municiar de provas para, exigir, até mesmo judicialmente, uma reparação por possíveis danos causados pelas condições de trabalho. “Nós não somos super-heróis; não somos blindados. Não atendam chamados se não houver a quantidade mínima. Não podemos continuar colocando nossas vidas em risco”, reiterou o Gaúcho.

O presidente do Sinpol-DF informou ainda que o sindicato tem sugerido à PCDF que as escalas de plantão considerem equipes com seis policiais; do contrário, a solução é fechar as delegacias à noite. “Temos recomendado aos colegas, e fazemos o mesmo com vocês agora: não saiam em viatura, caracterizada ou não, sem o mínimo de três policiais. É o que aprendemos na Academia; é o básico”, disse.

Negociações - No início do encontro, o presidente do Sinpol-DF já havia feito uma abordagem geral sobre os problemas da PCDF que têm vindo à tona. O mais grave deles é o déficit no efetivo, algo que tem se intensificado desde o ano passado, quando mais de 300 mulheres se aposentaram; neste ano, esse número já chegou a 200.

“Temos cobrado da PCDF e do GDF melhorias nas condições de trabalho e de segurança”, afirmou Gaúcho. Ele acrescentou que, atualmente, o déficit total na Polícia Civil é de 47%. “Isso tem afetado de maneira drástica o nosso trabalho”, completou.

Outro dado alarmante é o número de policias civis com a saúde prejudicada por causa das condições de trabalho: dos 5.059 que formam todo o efetivo atual, 1.300 receberam atendimento médico no ano passado; desses, 650 receberam atendimento psicológico. “Temos uma polícia envelhecida e doente”, resumiu o presidente do Sinpol-DF.

Mobilização da Categoria - O primeiro vice-presidente do Sinpol-DF, Renato Rincon, convocou a categoria a se mobilizar para dar uma resposta ao GDF. Para ele, o governo não reconhece a prioridade que a Polícia Civil requer.

“Estamos no limite. Nós chamamos vocês aqui porque sabemos que a realidade tem sido difícil. Estamos muito quietos enquanto outras categorias de servidores estão se mobilizando. Não há falta de dinheiro; há falta de prioridade”, afirmou Rincon.

O Secretário Geral do Sinpol-DF Paulo Sousa, anunciou algumas medidas propostas pela Direção Geral da PCDF para amenizar os impactos causados pela deficiência no efetivo.

A principal delas é o retorno de 200 policiais requisitados por outros órgãos, acrescentando a esse grupo os agentes policiais de custódia – cerca de 160 deles deve voltar a PCDF até junho – e os policiais que se encontram remanejados em outros setores da própria Polícia.

“A intenção é destinar os policiais civis à área-fim. A situação é caótica e a gente precisa encontrar uma solução”, afirmou Paulo.

Ação Judicial - Nos próximos meses, o Sinpol-DF vai mover ações coletivas para lutar, na Justiça, pela garantia de direitos que estão sendo negados aos policiais. Os processos visam cobrar o pagamento de horas extras para os policiais cuja jornada tem extrapolado as 40 horas semanais previstas no Regimento Interno.

De acordo com o advogado Odasir Piacini, do escritório Ibaneis, que presta consultoria jurídica ao sindicato, disse que o pagamento das horas extras “é mais que justo, pois os policiais estão submetidos a uma jornada desgastante”, afirmou.

Outras ações que serão movidas pelo Sinpol-DF referem-se ao estabelecimento de uma nova escala de trabalho. A proposta é de que sejam implantadas jornadas de 12hx24h e 12hx72h, dando fim à atual, de 24hx72h, já condenada pela OIT.

“Também vamos buscar uma mudança na lógica dos plantões: há policiais que se aposentam como plantonistas. Queremos que seja instituído um limite de seis meses para o policial ficar em plantão, desde que ele fique por dois meses na escala de horário normal”, acrescentou o advogado.

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Fundado em 1988, o Sindicado da Polícia Civil do Distrito Federal representa agentes de polícia, médicos legistas, peritos criminais, escrivães, agentes penitenciários, papiloscopistas e delegados na defesa dos interesses de classe e no relacionamento com governos Distrital e Federal, e com a Câmara Legislativa do Distrito Federal e o Congresso Nacional. A nova diretoria assumiu em maio de 2014 e entre os principais pleitos estão: a valorização profissional, a reestruturação da carreira e o reconhecimento definitivo de todos os cargos que compõem a carreira de Polícia Civil como de nível superior.

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