Imagens do Brasil, veiculadas em quantidade nas redes sociais, mostrando
a realidade cotidiana das populações urbanas e rurais, dão mostra da enorme
distancia que ainda temos que percorrer para alcançar, de fato, a posição de
nação desenvolvida,dentro do seleto grupo dos países do primeiro mundo.
Deixemos de lado os principais rankings internacionais, nos quais o Brasil
aparece invariavelmente na rabeira, nos quesitos educação, distribuição de
renda, assistência médica e os estudos sociológicos que explicam nosso
subdesenvolvimento crônico. O que as imagens mostram não deixam margens para
dúvidas: vivemos sob o signo do atraso, num ciclo vicioso que parece sem fim.
Que outra explicação pode restar à imagem mostrando um corredor infecto
de hospital, onde dezenas de doentes aguardam, no chão, a sorte de ser atendido
naquele dia. O que dizer das imagens mostrando a pobreza secular das regiões
interioranas, onde crianças de pés no chão e rostos sofridos carregam água
potável no lombo de um jegue sob o sol a pino.
Fotos exibem multidões apinhadas em trens e ônibus, com passageiros
literalmente dependurados do lado de fora. Elas apenas revelam a luta diária
pela sobrevivência. Imagens espalhadas pela cidade captam a toda a hora a
violência urbana nas suas muitas formas. Para um país que sonha chegar lá, não
fica bem nas fotos com as cracolândias que se espalham pela cidade e pelo
interior. Não cai bem, a imagem de crianças estudando debaixo de árvores.
Para um país vendido por políticos como potência emergente, destoa muito
os filmes diários mostrando o tiroteiro com armas pesadas, na guerrilha urbana
decretada pelos traficantes. Também não fica bem ao país a veiculação de
imagens mostrando o cotidiano de nossas cadeias. Da mesma forma, a imagem de
líderes políticos algemados em fila para a prisão. Por enquanto, o futuro que o
país almeja no século 21 ainda segue a passos dolentes no lombo de um jegue.
A frase que não foi pronunciada:
“Vale a pena empenhar a vida humana em nome do
progresso?”
Pergunta não verbalizada por um carvoeiro
Por: Circe Cunha – Ari Cunha - Coluna: “Visto, lido e ouvido” – Correio
Braziliense

