Que ligações haveria entre a depredação de uma
escola em Valparaíso de Goiás, uma circular proibindo o acesso da imprensa às
escolas públicas do DF e o ataque selvagem da PM do Paraná aos professores que
buscavam defender seus direitos na Casa do Povo? Unindo as três pontas e
analisando-as sob o prisma marqueteiro da Pátria Educadora, chegamos à triste
conclusão de que o governo, de qualquer matiz ideológica, não tem a menor
compreensão da importância desse setor para o país, talvez por desconhecer
ainda a estreita relação entre educação e futuro.
A diluição do prestígio profissional dos
professores ao longo dos últimos anos está na base das rebeliões que se sucedem
em várias escolas país afora. Ao reconhecer os professores, profissionais que
nem o Estado valoriza e protege, os alunos se sentem encorajados não só para
desafiá-los abertamente mas confrontá-los fisicamente, como tem acontecido com
frequência. Acuados dentro e fora dos estabelecimentos de ensino, os
professores vão perdendo espaço e a liberdade de atuação. A escola, antes um
reduto sagrado, vedado a intromissões alheias ao ensino, transformou-se em
espaço de disputas com cada elemento entrincheirado em um canto.
Professores, alunos e Estado não se entendem. Os
mais de 170 professores feridos com balas de borracha pela polícia do Paraná,
marcam episódios de uma batalha, cuja a guerra esta longe de terminar. Ao usar
porretes, balas e cães da raça pitbull para atacar os professores, a imagem que
o Estado passa para a população, alunos incluídos, é que as tropas de choques
estão agindo contra malfeitores e desordeiros comuns que devem ser barrados à
força. Nem aos invasores de terras e prédios públicos é dado tamanho rigor.
Observado em seu conjunto, a educação pública no Brasil reproduz o mesmo caos
verificado hoje em todos os setores e atividades da máquina administrativa.
Talvez seja o fato de reconhecer, de uma vez por todas, que a educação é uma
necessidade humana séria demais para ser confiada a governos e a políticos de
plantão.
A frase que foi pronunciada: “O trabalho afasta de nós três
grandes males: o tédio, o vício e a necessidade.” (Voltaire)
Por: Circe Cunha – Coluna: Visto,
lido e ouvido – Correio Braziliense

