Alberto Youssef depõe na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios - Agência Senado/18-10-2005.
Por: Flávio Freire - O Globo
Defesa conseguiu inclusão de cláusula na qual doleiro receberá 2% de todo o dinheiro que ajudar a recuperar
Por: Flávio Freire - O Globo
Defesa conseguiu inclusão de cláusula na qual doleiro receberá 2% de todo o dinheiro que ajudar a recuperar
Além de
garantir pena máxima de cinco anos de prisão, o doleiro Alberto Youssef terá
uma vantagem financeira ao fim da operação Lava-Jato. No acordo de delação
premiada, a sua defesa conseguiu a inclusão de uma cláusula de performance, ou
taxa de sucesso, na qual ele receberá 2% de todo o dinheiro que ajudar a
recuperar. Caso a Justiça consiga, com apoio de Youssef, colocar as mãos em uma
fortuna de R$ 1 bilhão que circularia em paraísos fiscais, o doleiro embolsaria
R$ 20 milhões no final da ação.
O valor é
a metade de todos os recursos confiscados pela Justiça em nome de Youssef. Além
de imóveis e carros de luxo, a Polícia Federal ainda apreendeu R$ 1,8 milhão em
espécie no escritório do doleiro em São Paulo. O acordo de delação premiada foi
homologado na quarta-feira pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo tribunal
Federal.
A
cláusula de performance de Youssef é de 1/50. Ou seja, ele receberá R$ 1 milhão
para cada R$ 50 milhões recuperados. A chamada taxa de sucesso é comum nas
operações do mercado financeiro. Em dezembro do ano passado, ao denunciar 36
suspeitos no esquema, o Ministério Público Federal pediu o ressarcimento de R$
1 bilhão aos cofres públicos, valor que eles querem a ajuda de Youssef para
recuperar.
— Não se
trata de privilégio, pelo contrário, tudo foi negociado estritamente dentro da
lei. A delação é premiada, portanto, pressupõe vantagens ao meu cliente — disse
Antonio Figueiredo Basto, que defende Youssef. Ainda segundo o acordo, voltarão
para as mãos da família três imóveis e dois automóveis de luxo blindados.
Entre os
bens apreendidos de Youssef estão 74 apartamentos em um hotel em Aparecida, no
interior de São Paulo, seis apartamentos em um hotel de luxo em Londrina, 35%
das ações de um hotel em Jaú, também em São Paulo, e 50% de um terreno de 4,8
mil metros quadrados, avaliado em R$ 5,3 milhões.
Figueiredo
Basto voltou a afirmar que seu cliente é “uma peça da engrenagem” do esquema de
corrupção na Petrobras. Segundo ele, Youssef se colocou à disposição da Justiça
não só para arrecadar recursos desviados como também chegar a pessoas
envolvidas nas fraudes.

