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Punição aos consumidores

Enquanto o mundo discute novas fontes de energia limpas e eficazes, estamos aqui falando de racionamento por falta de água e em apagão. Temas que dominaram a corrida presidencial,  assunto em todos os lares. Passada a campanha, os governantes parecem ter sido trazidos à realidade pelos assessores. Eles começam a admitir o que grande parte da população sofre na pele há meses. 

Até o governo tucano paulista, que passou quase um ano negando os efeitos graves da estiagem, admite que o volume morto dos reservatórios está nas últimas. Já o governo federal, que usava a seca em São Paulo como trunfo contra o adversário tucano à Presidência da República, mudou o discurso.

O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, enfim, reconheceu, na quinta-feira, que o Brasil enfrentará “problemas graves” no fornecimento de energia. Falou, inclusive, em possível racionamento se os reservatórios das principais hidrelétricas do país ultrapassarem o limite mínimo prudencial de 10% de armazenamento de água. O nível está em 17%.

Braga afirmou que, mantido o nível, o país não terá apagão nacional. Mas reconheceu que, se continuar a escassez de chuva, estaremos diante de cenário nunca previsto. Esse é o problema. Nossos governos não preveem nada. Não têm planejamento. Não buscam saídas antes de problema iminente. Em nenhuma área. Preferem recorrer ao sobrenatural do que à ciência, ao conhecimento técnico de pesquisadores e de servidores públicos. 

No caso da água e da energia elétrica, que estão relacionadas, o problema se agrava porque o controle de ambas está nas mãos das empresas públicas — que trocam técnicos por apadrinhados para manter os interesses de grupos. Em alguns casos, de quadrilhas. Essas empresas são as mesmas que desperdiçam 40% da água potável devido às tubulações arcaicas e sem manutenção. 

Mas, em meio a esse cenário, o que fazem os nossos representantes? Em vez de cobrar eficiência dos subordinados, dos afilhados, punem quem paga para manter a máquina. Convocam entrevistas para anunciar maior rigor na fiscalização do desperdício em imóveis particulares e aumento de taxas de consumo — tudo na maior cara de pau, como se heróis fossem. 


Por: Renato Alves - Correio Braziliense

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