O primeiro apagão do segundo governo Dilma Rousseff deixou
sem energia elétrica por quase uma hora, na tarde de segunda-feira, as regiões
Sul, Sudeste e Centro-Oeste, afetando parte da população de 10 estados e do
Distrito Federal. Pode não ter sido uma surpresa para os especialistas, mas,
para o consumidor, além de repetição das explicações desencontradas em eventos
semelhantes, que marcaram o primeiro mandato da presidente, desta vez, há uma
novidade preocupante: foi um apagão preventivo, embora decidido de repente, sem
aviso.
Demoradas e divergentes, as explicações oficiais confundiram em vez de esclarecer. Na verdade, o que fizeram foi explicitar a sensação de que a luz só está acesa por sorte ou teimosia e que a precariedade do sistema não perde a chance de desmentir as juras de segurança e solidez feitas nos últimos anos.
O inédito caráter preventivo do blecaute de segunda-feira (especialistas asseguram que apagão é outra coisa, embora isso não faça a menor diferença para quem fica no escuro) é explicado pela ação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), órgão que coordena a geração e a transmissão de energia no país. Seus técnicos teriam percebido que, por problemas na transferência de energia do Norte e do Nordeste para o resto do país num momento de pico de consumo, havia risco de colapso no fornecimento em todo o sistema. Por isso, comandou um corte na carga fornecida por 11 usinas nas regiões Sul e Sudeste, forçando, assim uma redução no consumo.
A providência, reconhecem os especialistas, teve o mérito de impedir um apagão de maiores proporções. Mas reforçou a constatação de que o sistema reflete hoje a falta de planejamento e de reação do governo, ante os mais evidentes sinais de que boa parte do Brasil atravessa, desde 2013, um período de severa escassez hídrica.
Desde então, o baixo nível dos reservatórios nas principais regiões de geração e consumo hidrelétrico tornou-se uma realidade que sugere a adoção de medidas de contenção do consumo. Mas o governo preferiu jogar com a sorte, para não incomodar o eleitor e evitar comparações com o período do racionamento a que foi obrigado o governo de Fernando Henrique Cardoso. Continuou apostando que as chuvas viriam ou, na pior das hipóteses, que a forte desaceleração da economia se encarregaria de conter o consumo.
Em vez da poupança, estimulou o consumo, baixando precipitadamente as tarifas de energia, retirando impostos dos eletrodomésticos e facilitando o acesso do consumidor ao crédito. O preço está sendo pago na conta de luz, que este ano pode subir até 40%.
Mas isso não resolve a questão operacional. Os reservatórios estão baixos, o consumo permanece em alta, o sistema opera no limite, mas marqueteiros do governo fazem de tudo para desvincular eventuais apagões, como o de segunda-feira, desse quadro desolador. É o que parece a fala do ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, para quem o corte de energia se deveu a uma falha em linha de transmissão de Furnas, sem qualquer relação com o pico de consumo no Sudeste (afirmação que o próprio Braga procurou esclarecer ontem).
A essa altura, mesmo que ocorram enchentes, o potencial de geração já está afetado e seria mais responsável não submeter a economia e a população ao poder das preces pela chuva. Melhor assumir a situação e evitar o pior. O apagão veio lembrar que a mentira tem pernas curtas.
Demoradas e divergentes, as explicações oficiais confundiram em vez de esclarecer. Na verdade, o que fizeram foi explicitar a sensação de que a luz só está acesa por sorte ou teimosia e que a precariedade do sistema não perde a chance de desmentir as juras de segurança e solidez feitas nos últimos anos.
O inédito caráter preventivo do blecaute de segunda-feira (especialistas asseguram que apagão é outra coisa, embora isso não faça a menor diferença para quem fica no escuro) é explicado pela ação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), órgão que coordena a geração e a transmissão de energia no país. Seus técnicos teriam percebido que, por problemas na transferência de energia do Norte e do Nordeste para o resto do país num momento de pico de consumo, havia risco de colapso no fornecimento em todo o sistema. Por isso, comandou um corte na carga fornecida por 11 usinas nas regiões Sul e Sudeste, forçando, assim uma redução no consumo.
A providência, reconhecem os especialistas, teve o mérito de impedir um apagão de maiores proporções. Mas reforçou a constatação de que o sistema reflete hoje a falta de planejamento e de reação do governo, ante os mais evidentes sinais de que boa parte do Brasil atravessa, desde 2013, um período de severa escassez hídrica.
Desde então, o baixo nível dos reservatórios nas principais regiões de geração e consumo hidrelétrico tornou-se uma realidade que sugere a adoção de medidas de contenção do consumo. Mas o governo preferiu jogar com a sorte, para não incomodar o eleitor e evitar comparações com o período do racionamento a que foi obrigado o governo de Fernando Henrique Cardoso. Continuou apostando que as chuvas viriam ou, na pior das hipóteses, que a forte desaceleração da economia se encarregaria de conter o consumo.
Em vez da poupança, estimulou o consumo, baixando precipitadamente as tarifas de energia, retirando impostos dos eletrodomésticos e facilitando o acesso do consumidor ao crédito. O preço está sendo pago na conta de luz, que este ano pode subir até 40%.
Mas isso não resolve a questão operacional. Os reservatórios estão baixos, o consumo permanece em alta, o sistema opera no limite, mas marqueteiros do governo fazem de tudo para desvincular eventuais apagões, como o de segunda-feira, desse quadro desolador. É o que parece a fala do ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, para quem o corte de energia se deveu a uma falha em linha de transmissão de Furnas, sem qualquer relação com o pico de consumo no Sudeste (afirmação que o próprio Braga procurou esclarecer ontem).
A essa altura, mesmo que ocorram enchentes, o potencial de geração já está afetado e seria mais responsável não submeter a economia e a população ao poder das preces pela chuva. Melhor assumir a situação e evitar o pior. O apagão veio lembrar que a mentira tem pernas curtas.
Fonte: Visão do Correio Braziliense

