A
parte central do Plano Piloto de Brasília é, atualmente, o palco princial
de greves e manifestações variadas contra o GDF. Além da exigência por salários
ou benefícios atrasados, havia pedidos por novas concessões para os táxis e
pela volta de uma subsecretaria LGBT. Especialistas em gestão de finanças e
gestão pública ouvidos pelo Correio alegam que isso sinaliza o fim da lua de
mel entre povo e governo, prevista para durar pelo menos um ano.
Por: Bernardo Bittar - Correio - Braziliense
Manifestantes fecharam o Eixo Monumental por 20 minutos
“As pessoas estão pegando caronas estratégicas em movimentos anteriores. Percebendo o êxito de outras histórias, as categorias ficam estimuladas a colocar as coisas para funcionar à força”, analisa o professor de ciência política da Universidade de Brasília (UnB), Alexandre Araújo Costa. Para o professor de finanças públicas da UnB José Matias-Pereira, a capital vive uma situação atípica, reflexo de uma carência da sociedade por mudanças. “A administração do Estado está sem credibilidade. Escândalos, denúncias e indícios de corrupção fizeram o povo perder a paciência e querer resoluções imediatas. Mas esquecem que o governo não consegue responder a todos os anseios de uma hora para outra”, reforça.
O secretário de Relações Institucionais do governo, Marcos Dantas, afirma que o
Executivo vê as manifestações com um pé atrás, ainda que disposto a negociar.
“Tudo isso nos causa doses de preocupação. Sabemos que será um ano difícil, mas
precisamos separar o joio do trigo. Não será admitido nenhum abuso”, garantiu.
Para ele, as greves que tomaram as zonas centrais da cidade não foram
endossadas pela população em geral — sinal de que os eleitores ainda apoiam o
governo pessebista e reclamam da confusão no trânsito que os atos promovem.
“Estamos colocando a casa em ordem e o povo vê isso. Assumimos esse governo com
muletas, cheio de dívidas. A exaltação existe, mas vamos caminhar com o
diálogo.”
Ontem, mais uma manifestação ocorreu no centro da cidade. Por volta das 18h55, um grupo do Movimento Passe Livre (MPL) protestou contra o reajuste na tarifa de transporte público, na Rodoviária do Plano Piloto. Eles chegaram a fechar o Eixo Monumental, no sentido Torre de TV, durante cerca de 20 minutos. O aumento no preço das passagens, estabelecido em diversas capitais brasileiras desde dezembro, pode chegar ao DF. Para Raíssa Oliveira, integrante do MPL, o governo quer fazer a população pagar por erros de gestão. “O GDF quer passar para a população uma conta que não é dela”, reclamou. O secretário de Mobilidade, Carlos Tomé, diz, porém, que não há previsão para o encarecimento do tíquete.
