Vigilantes seguram placas de greve em frente a uma agência bancária no Setor Comercial Sul (Foto: Paulo Melo/G1)
Por: Luciana AmaralDo G1 DF
Unidades de saúde também
tiveram atendimento à população prejudicado. Categoria
pede aumento salarial de 15%, além de outros benefícios.
A decisão de entrar em greve foi tomada na noite desta quarta (21), durante assembleia da categoria no Setor Bancário Sul. Aproximadamente 24 mil profissionais estão de braços cruzados, afetando os serviços de segurança de empresas públicas e privadas, informou o sindicato da categoria.
O Sindicato das Empresas de Segurança Privada, Sistema de Segurança Eletrônica, Cursos de Formação e Transporte de Valores do DF (Sindesp-DF) informou ao G1que realizou nesta quarta uma proposta com aumento acima da inflação, aceita pelo Sindesv-DF, mas posteriormente rejeitada em assembleia.
Por: Luciana AmaralDo G1 DF
Unidades de saúde também
tiveram atendimento à população prejudicado. Categoria
pede aumento salarial de 15%, além de outros benefícios.
Devido à greve
de vigilantes do Distrito Federal iniciada
na manhã desta quinta-feira (22), 90% das agências bancárias da capital
permaneceram fechadas, segundo o Sindicato dos Vigilantes do Distrito Federal
(Sindesv-DF). Unidades de saúde também tiveram o atendimento à população
prejudicado por falta de vigilantes.
O DF conta com
640 unidades bancárias, entre elas agências e postos de atendimento bancário,
informou o Sindicato dos Bancários do DF. Apesar da maioria estar fechada,
algumas agências continuavam atendendo clientes esta manhã, mas sem realizar
transações financeiras. De acordo com a lei, bancos não podem realizar
atendimentos sem a presença de ao menos um segurança.
Pela manhã, o G1
visitou alguns bancos e constatou a falta de atendimento pleno. Muitas pessoas
foram pegas de surpresa pela greve e reclamaram da situação.
O morador do
Guará, Belvoni Ribeiro, que foi até uma agência no Setor Comercial Sul afirmou
que a greve pode prejudicá-lo. "Vim ao banco resolver meus problemas e ele
está fechado. É um absurdo. Essa greve pode me atrapalhar e muito, afinal, os
credores querem receber."
O empresário
Fábio Lara reclamou que não conseguiu fazer pagamentos e, com isso, terá de
pagar juros. "Estou aqui para fazer os pagamentos e me deparo com o banco
fechado. Vou ter que pagar os juros sem que a culpa seja minha. Isso não está
certo, não podemos ser prejudicados por reivindicações de terceiros."
Em uma agência
próxima, vigilantes em greve pediam a trabalhadores que não haviam aderido à
paralisação para deixarem seus postos de trabalho. "É melhor fechar,
porque vocês estão colocando a vida de vocês em risco", disse o vigilante
Simão Pereira (veja vídeo acima). "O banco automaticamente deveria fechar, mas,
caso não feche, fica por conta e risco do gerente geral e dos funcionários, que
correm risco de vida."
Saúde
A Secretaria de Saúde informou que
unidades de saúde do DF tiveram de fechar algumas portas de acesso para
garantir a segurança de servidores e pacientes. A Unidade de Pronto Atendimento
(UPA) de Ceilândia, por exemplo, não chegou a encerrar o atendimento à
população, mas os médicos estão cuidando apenas de casos mais graves, segundo a
pasta.
De acordo com o
Sindesv, a segurança de serviços essenciais, como Unidades de Terapia Intensiva
(UTIs) e maternidades, será assegurada durante a paralisação. O governo falou
que solicitou reforço policial e que está avaliando cada caso individualmente
para tomar as medidas de segurança cabíveis.
Reivindicações
A decisão de entrar em greve foi tomada na noite desta quarta (21), durante assembleia da categoria no Setor Bancário Sul. Aproximadamente 24 mil profissionais estão de braços cruzados, afetando os serviços de segurança de empresas públicas e privadas, informou o sindicato da categoria.
A categoria
reivindica aumento salarial de 15%, tíquete-alimentação diário de R$ 30 e plano
de saúde de R$ 150. O salário-base atual de um vigilante é de R$ 1.573.
Segundo o
Sindesv, as empresas realizaram a última proposta de negociação em 15 de
janeiro, oferecendo reajuste de 7% e tíquete-alimentação de R$ 25, o que foi
rejeitado pelos vigilantes.
Outra reclamação
dos vigilantes, de acordo com o sindicato, é a tentativa das contratantes
criarem o cargo de vigilante horista, que cobriria somente horários de almoço.
Os profissionais alegam que haveria um espaço para o pagamento de salários
menores e uma desvalorização da categoria.
O Sindicato dos
Vigilantes também alega que as empresas querem demitir seguranças que ficam
afastados por mais de um mês de atestado médico, apesar de terem uma garantia
de um ano. Nesta quinta, às 17h, os vigilantes farão outra assembleia para
discutir a greve.
Sindicato patronal
O Sindicato das Empresas de Segurança Privada, Sistema de Segurança Eletrônica, Cursos de Formação e Transporte de Valores do DF (Sindesp-DF) informou ao G1que realizou nesta quarta uma proposta com aumento acima da inflação, aceita pelo Sindesv-DF, mas posteriormente rejeitada em assembleia.
A organização
afirmou ainda que está entrando na Justiça do DF pedindo a ilegalidade da greve
e pedir ao governo do Distrito Federal para fazer o mesmo. Ele alega que a
paralisação tem cunho político, que os vigilantes tiveram em três anos um
reajuste de 35% acima da inflação do período e que o salário mínimo da
categoria é de R$ 2.048.
O Sindesp falou
ainda que as empresas estão sem receber pagamentos do GDF referentes a quatro
meses e que, portanto, elas estão endividadas pois estão pegando empréstimos
para poder quitar os salários dos trabalhadores. O GDF também não teria
renegociado os valores do contrato deste ano.
Em relação à
implementação dos vigilantes horistas, o Sindesp disse que a medida é uma
tentativa de seguir a lei no que concerne às horas de almoço dos trabalhadores.
Até o momento, as empresas pagavam as horas dos intervalos em dinheiro
diretamente para os seguranças, o que é contra a legislação. O Ministério
Público do DF então notificou e multou 12 empresas, uma em mais de R$ 1 milhão.

