test banner

CÂMARA FEDERAL » "Líder fraco, desagregado"

Cunha rebate declarações do líder do governo, Henrique Fontana (PT), e afirma que a bancada do PMDB não seguirá mais as orientações do deputado. Solidariedade pede apoio da oposição à candidatura do peemedebista

"Ele se comporta como líder do PT no governo e não como líder de um governo que tem vários partidos na base"

A menos de duas semanas das eleições para a presidência da Câmara dos Deputados, os ânimos estão acirrados na base do governo. O líder do PMDB na Casa, Eduardo Cunha, rebateu ontem as críticas disparadas a ele pelo deputado Henrique Fontana (PT-RS), líder do governo. Cunha chamou Fontana de “líder fraco, desagregado”. As eleições da Casa serão em 1º de fevereiro. Disputa o comando da Casa, além de Cunha e Chinaglia, o deputado Julio Delgado (PSB-MG).

“A bancada do PMDB na Câmara não reconhecerá mais a sua liderança e não se submeterá mais a ela”, disse Cunha, por meio de uma rede social. “Fontana sempre foi um líder fraco, desagregador, radical em suas posições e que levou o governo a várias derrotas pelas posições”, afirmou. “Ele se comporta como líder do PT no governo e não como líder de um governo que tem vários partidos na base. É inaceitável a interferência como líder do governo na eleição da Câmara”, completou.

O conflito entre os dois começou quando Cunha afirmou ser vítima de um “golpe” organizado pela Polícia Federal, sob a ordem do governo. O deputado se referiu a um áudio em que um suposto policial ameaça divulgar uma série de informações comprometedoras sobre ele. O peemedebista disse, na terça-feira, ter recebido informações de integrantes da PF de que a gravação foi forjada como um movimento para prejudicar a candidatura dele. Ele afirmou a jornalistas ser vítima de “alopragem” dos adversários. A Polícia Federal abriu inquérito para investigar o caso.

A fala de Cunha irritou o Planalto, e Fontana criticou a acusação, classificando-a como “infeliz”. “Ameaçar com sequelas não é nada democrático”, disse o líder do governo. Fontana também afirmou que é inaceitável a acusação de que o governo ou a PF tenham armado algo para prejudicá-lo. Em outra frente do embate, Fontana disse ainda achar “natural” ministros pedirem voto para os candidatos na Casa. O ministro das Relações Institucionais, Pepe Vargas, chamou deputados de partidos nanicos e os orientou a evitar a tensão na base, para não haver sequelas aos concorrentes. Cunha criticou a tentativa do governo de interferir nas eleições. A reportagem tentou entrar em contato com Fontana, mas ele não atendeu às ligações.

Gravação 

Na gravação divulgada por Cunha, um homem supostamente aliado do peemedebista conversa durante três minutos e meio com um outro que seria policial federal e ameaça revelar informações negativas sobre o deputado caso ele quebre a parceria. O suposto policial diz que “o negócio está ficando feio” e que “o Cunha tá lá tentando a presidência (da Câmara) e os amigos estão ficando esquecidos”. O suposto aliado do líder do PMDB, diz a ele para ficar tranquilo “com a questão financeira”. Cunha afirma ter recebido a gravação no escritório do Rio de Janeiro de um homem que se apresentou como policial. Segundo o deputado, a ideia seria mostrar que uma das vozes é do policial Jayme Alves de Oliveira, o Careca, investigado na Operação Lava-Jato, que apura um esquema de corrupção na Petrobras.


Passo a passo das eleições - Domingo, 1º de fevereiro

14h30 — Reunião de líderes para a escolha dos cargos entre os partidos.

17h — Começa o prazo final para o registro das candidaturas e sorteio da ordem dos candidatos na urna eletrônica.

18h — Começa a sessão que elegerá o presidente da Casa e os ocupantes dos cargos da Mesa Diretora: presidente, vice-presidente, quatro secretários e quatro suplentes. Não há tempo estabelecido para cada voto. Após concluídos os votos, inicia-se a apuração da presidência. Se houver segundo turno, ele é feito antes da apuração dos outros cargos. Após o anúncio do vencedor, são contados os votos dos outros postos e, se houver segundo turno, ele também acontece logo em seguida.

Quantas urnas?
14, das quais uma é adaptada para deficientes.

Quem preside a sessão?
O deputado Miro Teixeira (Pros-RJ), por ser quem está há mais tempo na Casa 


Pressão por apoio

Na reta final da disputa pela presidência da Câmara, o Solidariedade fez ontem um apelo à oposição para que se una em torno da eleição do líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ). Em nota, sob o comando do deputado Paulinho da Força (SDD-SP), o partido diz que a candidatura de Júlio Delgado (PSB-MG), apoiada pelas legendas oposicionistas, é “inviável” e se torna “linha auxiliar da candidatura do PT (Arlindo Chinaglia)”. A despeito do pedido, o líder do PSDB, Antonio Imbassahy (BA) diz que a sigla — a mais forte da oposição — não mudará de ideia.

“O Solidariedade apela aos partidos de oposição, inclusive ao senador Aécio Neves, para que rediscuta esta questão, com o objetivo de não se cometer o erro histórico de perder a oportunidade de trazer o PT, na sua representatividade na Mesa e nas Comissões da Câmara dos Deputados, para o tamanho que a sua bancada saiu das urnas: 13%”, registra o texto. Aécio foi um dos articuladores da decisão do PSDB de apoiar Delgado.

O Solidariedade terá 16 deputados na nova composição do Congresso. Delgado tem ainda o apoio do PPS e PV. Imbassahy diz que nada muda. “Quando formamos um bloco oposicionista com o Solidariedade, o Paulinho já havia avisado que o partido apoiaria Cunha. Ele sabe que temos um compromisso com o Júlio Delgado. Entendemos o gesto de apoio dele, mas o PSDB mantém a posição.”


Por: Julia Chaib, com Amanda Almeida - Correio Braziliense

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem