Sistema é vulnerável à chuva. Por isso, CEB estuda migração de rede aérea
nua para aérea compacta
O Distrito Federal ficou às escuras nada menos do que
quatro vezes nesta semana. Na segunda-feira, o Operador Nacional do Sistema
Elétrico (ONS) solicitou o desligamento de oito subestações, no Distrito
Federal e em outros 11 estados, o que ocasionou o primeiro grande apagão.
Na quarta-feira, problemas em um transformador da CEB deixaram milhares de
pessoas sem luz. E na última quinta-feira, uma pane em duas subestações de
Furnas e a chuva forte, foram culpadas por mais dois apagões. Na manhã de
ontem, ainda havia 730 chamados aguardando o atendimento da Companhia
Energética de Brasília.
De acordo com o Superintendente de
operações do sistema elétrico da Companhia Energética de Brasília (CEB), Marcos
Fontana, os apagões desta semana foram ocasionados por problemas pontuais.
“Tivemos situações diversas. Além dos externos, ocorridos com o ONS e em
Furnas, a chuva de ontem, com ventos fortes e descargas atmosféricas, causou
interrupção no fornecimento de energia em vários pontos do DF”, explica.
Risco
Segundo Fontana, nas cidades do DF a
distribuição de energia é feita por meio de redes aéreas nuas. Por esse motivo,
pipas, objetos arremessados sobre a rede e até galhos de árvores podem
impactar na distribuição.
“Com o tempo seco não acontecem tantos
problemas, mas basta começar a chover para esses objetos ficarem molhados,
pesarem e acabarem danificando a rede de transmissão”, alerta ele.
Prevenção
Para evitar este tipo de problema, a CEB
realiza ações preventivas, como a poda de árvores. A companhia de energia
também estuda uma migração de tecnologia, passando da rede aérea nua, para a
rede aérea compacta.
Na atual, os condutores não têm
isolamento. Por isso, são mais susceptíveis a defeitos. Já as
compactas são mais protegidas porque os condutores têm uma camada
de isolamento e ocupam menos espaço.
“A rede aérea compacta é mais resistente,
suporta melhor essas intempéries. Já a tecnologia subterrânea, usada no
Plano Piloto, não é viável. Ela é cara e implicaria uma elevação
significativa na tarifa”, alega Fontana.
Questionado a respeito da possibilidade de
novos apagões, o superintendente esclareceu que a CEB “cuida apenas da
distribuição”.
Panes marcaram a semana
Na última segunda-feira, dez estados e o
Distrito Federal foram afetados pelo primeiro apagão da semana. A interrupção
atingiu 157 mil unidades consumidoras em Samambaia Oeste, Brazlândia,
Planaltina, São José, Vale do Amanhecer, São Sebastião e Sobradinho. As regiões
ficaram sem luz por pelo menos 40 minutos.
De acordo com o Operador Nacional do
Sistema Elétrico (ONS), o desligamento foi decorrente, em parte, pela
sobrecarga sistêmica nos horários de pico. Em nota, o órgão informou que “houve
restrições na transferência de energia das regiões Norte e Nordeste para o
Sudeste”.
Segundo o ONS, a situação provou uma queda
na frequência elétrica, que resultou no desligamento de 11 usinas, sendo duas
na região Centro-Oeste. “Visando restabelecer a frequência elétrica, o ONS
adotou medidas operativas em conjunto com os agentes distribuidores das regiões
Sul, Sudeste e Centro-Oeste, impactando menos de 5% da carga do Sistema",
explicou.
Na sequência
Dois dias depois, na última quarta-feira,
um problema em um transformador da subestação nº 2 da CEB, deixou 15 mil
unidades consumidoras sem energia por aproximadamente 18 minutos. Em 615
unidades, a interrupção permaneceu por cerca de três horas.
Nas 24 horas seguintes, outra pane, desta
vez em duas subestações de Furnas no DF provocou falta de energia em cinco
regiões da capital. De acordo com a CEB, 257 mil unidades consumidoras,
entre elas residências, comércio e hospitais, foram afetadas. Guará, Lúcio
Costa, Ceilândia, Taguatinga, Estrutural e Vicente Pires ficaram sem energia
elétrica durante uma hora.
O Distrito Federal é abastecido por
três subestações de Furnas e das usinas Corumbá III e IV. O Sistema
Furnas é formado por 17 usinas hidrelétricas, duas termelétricas e 65 subestações.
Em nota, a assessoria de comunicação de Furnas informou que a origem da
ocorrência registrada às 6h55 desta quinta-feira, foi um curto-circuito em um
equipamento associado a um dos transformadores da Subestação de Brasília
Sul.
“O curto-circuito levou ainda ao
desligamento de linhas de transmissão associadas à Subestação de Brasília Sul.
Mas os dispositivos de proteção atuaram corretamente ao provocar o desligamento
automático do transformador”, afirma.
Questionada sobre a necessidade de
revitalização ou substituição de parte do sistema em questão, Furnas afirmou
que “investe constantemente em manutenção preventiva, revitalizações e reforços
nos seus sistemas de transmissão”.
O ONS e Aneel não responderam sobre o risco
de novos apagões e, tampouco, sobre a possibilidade de problemas no sistema de
distribuição do DF.
Oito horas no escuro
A advogada Patrícia Castro, de 35 anos, é
moradora da Quadra 12, no Cruzeiro. Ela conta que sua casa ficou sem energia
das 16h desta quinta-feira até a meia-noite. “Ouvimos um pipoco e, na
sequência, a luz acabou. Ligamos diversas vezes na CEB e só ouvíamos uma
gravação, pedindo para que enviássemos uma mensagem de texto”, reclama.
Segundo Patrícia, o jantar foi à luz de
velas. “Até brinquei no Facebook que foi um jantar romântico forçado”, comenta.
De acordo com a advogada, os técnicos da CEB só chegaram à quadra por volta de
23h. “Cerca de uma hora depois é que a energia foi restabelecida”, lembra.
Vilma Marin, artesã, de 70 anos, é vizinha de Patrícia. Ela afirma que
evitou abrir a geladeira para que os alimentos não estragassem. “O sorvete
ficou mole, mas felizmente conseguimos aproveitar os outros alimentos”, relata.
Rotina
A falta de energia mudou a rotina da casa. “Não pudemos usar o
computador para realizar alguns pagamentos. Cheguei a ligar na CEB, mas não
adiantou”, lamenta.
Em uma farmácia na 103 Norte, a chuva forte aliada à falta de
energia causou transtornos a funcionários e clientes. “Como o computador estava
sem funcionar, não era possível emitir nota fiscal. A máquina de cartão também
não funcionava”, diz a caixa Luciana Bitencourt, 22.
Ela relata que até as balanças elétricas apresentaram problemas. Para
piorar, a água inundou a padaria e molhou mesas e cadeiras.
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília - Ludmila Rocha

