
Carlos Newton
É fácil seguir a rota da corrupção. Desde o escândalo do mensalão, as empreiteiras e grupos empresariais que fazem negócios com o PT passaram a fazer generosas doações anuais ao partido, independentemente de se tratar de ano eleitoral. Como as doações estão registradas na Justiça Eleitoral, as evidências de corrupção são claríssimas.
Em 2011, por exemplo, o PT arrecadou R$ 50,7 milhões, e a metade desses recursos foi doada por empreiteiras que têm contratos com o governo. Somente a Andrade Gutierrez doou R$ 4,6 milhões. Houve doações também de pessoas físicas, 33 no total, mas, curiosamente, apenas duas em cheques. Todas as demais foram em dinheiro.
Para se ter uma ideia da generosidade dos empresários, o PT obteve 89,5% das doações a partidos em 2011. Seu adversário PSDB, apenas R$ 2,3 milhões (4,3% do total), e o aliado PMDB, R$ 2,8 milhões.
Em 2013, que também não foi ano eleitoral, as doações ao PT tiveram aumento espantoso, de 70%, e dos R$ 79,8 milhões recebidos, quase R$ 60 milhões – o equivalente a 75% do total – vieram de empresas construtoras.
FRIBOI TAMBÉM DOA
Grupos como Camargo Corrêa, Odebrecht e Queiroz Galvão figuraram na lista de maiores patrocinadores da sigla por meio de doações ao diretório nacional do partido.
O pagamento é feito de maneiras diversas. Enquanto a Odebrecht fez apenas três doações no ano, sendo uma delas de R$ 4 milhões, a Galvão Engenharia contribuiu mensalmente com o partido. Foram 12 doações ao longo do ano, sendo 10 delas no valor de R$ 500 mil.
Levantamento feito pela Folha mostra que o padrão de participação das empreiteiras se mantém nos últimos anos – em 2012 e 2011 também foram elas as maiores doadoras. A lista de doações também revela o quanto elas se concentram nas mãos de poucos grupos.
Os dez maiores doadores – que, além de construtoras, incluem grupos como JBS-Friboi e Solví, da área de saneamento – somam quase R$ 70 milhões, ou 87% do total arrecadado pelo partido.
Doações de pessoas físicas e jurídicas são uma das fontes de financiamento dos partidos. O Fundo Partidário injeta outra parte dos recursos ao caixa das siglas – em 2013, o PT recebeu R$ 47,3 milhões.
As contribuições ao Diretório Nacional não se misturam com as doações eleitorais, que são contabilizadas separadamente. Em 2012, por exemplo, o PT arrecadou, via Diretório Nacional, R$ 35,2 milhões em doações. Só a campanha de Fernando Haddad para a Prefeitura de São Paulo no mesmo ano obteve R$ 42 milhões.
